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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Perdeu a alegria de frequentar uma igreja?


Amigo (a),

        Sei do que você está falando... Do amor por Jesus que foi ficando domesticado pela segurança do ministério em uma igreja forte e histórica; ao mesmo tempo em que o coração vai ficando velho de falta de sonhos; cansado de tantas Atas sem atos..., que a alegria de ser vai dando lugar apenas ao “dever cumprido” — o que é uma desgraça para o coração de quem um dia sonhou com alegria e sem medo.
        O que posso dizer a você?
       Digo apenas que pregue e pregue; e pregue apenas e tão somente o Evangelho, como ele é.
        Ora, você verá que quando você apenas voltar a ser simples como antes e, pregar o Evangelho da Graça, com todas as suas implicações e sonhos possíveis, seu coração se alegrará outra vez; e isso lhe trará a certeza de uma renovação de alma e espírito que lhe farão outra vez saltar como o boi selvagem e indomesticável pelos homens.
        Então, se tolerarem o Evangelho, você ficará, e ficará alegre; posto que o importante não é o lugar ou a instituição, mas sim, se as pessoas estão amando o Evangelho e dando liberdade para que ele flua.
        Se, porém, não aceitarem a alegria libertadora do Evangelho, e, por assim fazerem e sentirem, desejarem coibir sua alegria na simples pregação da Palavra, com todo respeito, amor e dignidade, SAIA... E, então, comece a pregar apenas a Palavra; e, desse modo, logo você verá um grande número de pessoas que não iam ouvir você lá..., começarem a se aproximar; ao mesmo tempo em que todos os que amam o Evangelho de Jesus em sua boca, sem que você os chame ou faça qualquer proselitismo, aproximar-se-ão de você outra vez.
        Entretanto, como eu disse antes, a coisa não é estar aqui ou lá. Visto que, o que de fato importa é apenas em como o Evangelho esteja em você, se tem em você liberdade consentida para crescer e, através de você, para outros.
        Isto é tudo o que importa!
        Assim, busque alegria. Quem já viveu o Evangelho como alegria e liberdade para tudo o que edifica e convém, esse não consegue viver para sempre sem ser o que sabe ser o chamado de Deus para a vida; ou seja: para ser Nele.
        Portanto, comece a pregar como quando você era apenas uma pessoa apaixonada pela Palavra. Sim! Antes da teologia engessar seu ser e abafar com liturgias sem vida a alegria simples de sua alma; que por sinal, não gosta de se repetir...
        Era isto que de todo o coração eu senti que deveria dizer a você!
        Com todo carinho, Nele, que nos chama à alegria, sempre!


Extraído e adaptado de www.caiofabio.net


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

EU - um fariseu arrependido!


 
 
Gente amiga, quero falar do que aconteceu comigo no ano de 2010. Um testemunho, talvez... Um desabafo, talvez... Algo muito sério que mudou meu modo de enxergar as coisas e as pessoas.... Até aquele ano, eu era um fariseu, santarrão, radical, religioso, ortodoxo... e tudo nessa linha de pensamento... até que a Graça de Jesus me libertou dessa escravidão moralista, hipócrita.

Para resumir rapidamente meu caminho de fé, nasci num lar católico romano e vivi nessa linha até os quinze anos de idade. Logo depois da minha “primeira comunhão”, e, devido eu discordar de coisas dentro do catolicismo, decidi me tornar deísta-agnóstico. Essa situação deísta-agnóstica perdurou por quinze anos. Aos 30, devido a um pecado terrível em minha vida, busquei a Deus numa igreja protestante, pois sabia que meu problema só poderia ser resolvido por algo superior. Sabia que existia “um Deus” e que somente Ele poderia resolver coisas da carne e da alma. Realmente encontrei Jesus e as Escrituras. Me apaixonei. E pedi a Deus que me desse o dom de evangelista, para que eu pudesse divulgar tudo aquilo que estava descobrindo e amando... Algo como a parábola do homem que encontra um tesouro num campo e, transbordante de alegria, vende tudo para adquirir o campo (Mt 13:44). Porém, o protestantismo me tornou um ser religioso, fariseu, legalista, santarrão, batistão, separatista, ortodoxo, idólatra do livro, da denominação e do sistema religioso puritano... O problema é que a gente não se enxerga quando está dentro desse sistema... Só Deus mesmo para nos dar um choque de realidade... Gostaria que tivesse sido como foi com o apóstolo Paulo... impactante... que ficou cego por três dias após uma visão do Senhor... Penso que é melhor ficar cego por três dias do que a vida toda!!!  Não é verdade...?

Quando a gente entra num sistema religioso, seja ele qual for, a gente recebe um pacotão de regras e doutrinas que começamos a seguir e imitar sem se dar conta do clone que estamos nos tornando. Daí, tudo que seja diferente das normas e costumes daquele grupo passa então a ser considerado ímpio, mundano, diabólico... e aprendemos a rotular e prejulgar conforme esse sistema. Algo bem semelhante aos radicais islâmicos de hoje... apenas com uma roupagem mais equilibrada e educada, mas no íntimo, o coração continua julgador, preconceituoso e farisaico.... Coisas que Jesus combateu em sua época. Porém, a gente não enxerga que esse padrão religioso é semelhante ao dos escribas e fariseus do Novo Testamento. E o pior é que a gente acha que isso é certo!

Quando estamos com essa mente religiosa, não conseguimos enxergar a graça de Deus nos outros. Sempre enxergamos as outras pessoas com preconceito, pois comparamos e julgamos pela aparência, pelos títulos, pelos rótulos, pela falta ou não do nosso padrão religioso nos outros etc. Sequer temos a paciência para conhecer melhor a outra pessoa... seus traumas, sua história, suas lutas... Jesus disse: “não julgai pela aparência, mas pela reta justiça”.

A parábola do fariseu e publicano retrata bem esse perfil. O religioso confia em suas obras e na quantidade do que faz.... número de orações diárias e na fidelidade dos dízimos... Enquanto que olha para o lado e classifica o outro como “publicano” e diz em sua oração: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano” (Lc:18:11). Caramba! Que horrível!!!! Isso era eu! Observe que o fariseu dá graças a Deus em sua oração, mas isso é só teoria, no fundo ele confia em si mesmo e nos seus rituais religiosos!

Nos Evangelhos, Jesus diz que muitos virão do oriente e do ocidente e se assentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus, enquanto que muitos religiosos, que se consideram justos, santos e salvos ficarão de fora... O que encontramos na Bíblia é que Jesus não veio fundar religião. Pelo contrário, ele veio nos trazer um caminho de liberdade e paz. Ele veio derrubar as barreiras religiosas e abolir a Lei de Moisés que separava as pessoas, grupos e etnias. Confira em Efésios 2:14-16, Colossenses 2:14, Gálatas 3:25. Muita gente acha estranho quando eu digo que Jesus veio abolir a Lei de Moisés... mas é isso mesmo que está escrito... Nossa mente religiosa é que não nos deixa largar a Lei de Moisés e confiar só em Cristo... Alguns já correm e pegam sua bíblia para apontar o versículo de Mateus 5:17  que diz: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”. Mas se esquecem de ler o restante do texto e enxergar “até que tudo se cumpra” ... e ligar o texto ao contexto do Novo Testamento quando Jesus grita na cruz: “Está cumprido!” ... assim como na carta aos Romanos, Gálatas, Hebreus...

A história se repete... a mente religiosa continua criando os barracos para dividir as pessoas... seja pelo batismo, pela ceia, por comidas, por bebidas, por dia sagrados, por hierarquias, poderes, vaidades, regras e doutrinas... Imagine o quanto foi difícil para uma pessoa do judaísmo abandonar sua religião e seguir a Cristo; vejo a mesma dificuldade de uma pessoa do cristianismo largar sua religião para segui-lo também... Não nos damos conta que a religião só mudou de nome, mas o perfil continua o mesmo... a necessidade de mudança continua a mesma... o orgulho religioso continua o mesmo... o ser humano continua o mesmo... os motivos são os mesmos... os pecados são os mesmos...

Eu concluo dizendo que foi muito bom eu ter me libertado desse padrão religioso... Vivo o Evangelho da Graça com liberdade e sem culpa. Hoje eu consigo olhar para um outro ser semelhante a mim, com seus problemas e dificuldades, e não condená-lo em meu coração, nem achar que ele é do "mundão". Enxergo-o com amor e compaixão... Não uso mais a Bíblia como se fosse o código penal ou uma metralhadora para atacar as pessoas... Hoje eu consigo sentar com minha mãe querida e passar a tarde toda conversando, falando do amor de Deus e explicando coisas que estão na Bíblia sem a neurose de querer convertê-la, nem achar que ela vai pro inferno por não se tornar uma “crente” da minha denominação... Também consigo conversar com um ateu, agnóstico, budista, ou de qualquer religião, sem a neurose de querer empurrar a bíblia de garganta abaixo... Vivo como o apóstolo Paulo disse em sua carta aos coríntios, como uma carta viva, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens.

Hoje, muitos me questionam e me julgam do porquê eu “desviei” e fui me envolver com o Pr. Caio Fábio, tornando-me um herege como ele... Pois bem, agradeço a Deus por ter usado o Caio para me dizer e me fazer reconhecer que o fariseu das histórias do Novo Testamento era EU!

Um abraço

Lincoln Máximo Alves
Setembro/2015

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Será a morte o fim das possibilidades de salvação?

        Eu nunca concordei no meu íntimo com essa doutrina fatalista de que a morte era fim das possibilidades de salvação. Isso sempre me deixou com muita angústia, principalmente por causa dos meus parentes e amigos que faleceram sem terem ouvido sobre Cristo. E as pessoas da África? E os demais que estão morrendo enquanto escrevo esse texto?
        O que aprendi com o Cristianismo é "quem morreu, já era!” ou “Não aceitou Jesus, tá no inferno!” etc. Cansei de ouvir pastores e missionários dizerem nos púlpitos: “o povo está morrendo diariamente sem Cristo e indo pro inferno sem chance de salvação!”. Essas palavras nunca entraram em minha cabeça. Isso pra mim não tinha lógica. Bem, se Deus criou o espaço-tempo e a matéria e nos colocou dentro desse sistema cheio de limitações e complicações e, Ele (Deus) não ter o poder nem condições de resolver essas limitações naturais, então esse Deus é mais perverso do que os homens e não é o Deus do impossível como a Escritura afirma. Por causa disso fui estudar a Bíblia e tirar essa dúvida a limpo. Pois bem, quem diz isso é a religião e seus teólogos masoquistas e carrascos. Parece que esse povo tem prazer no inferno e ainda cantam para um deus que não pode salvar do próprio sistema que criou! Isso me deixava maluco! A teologia do medo é o motivador de várias religiões, especialmente o Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. Onde está a graça nisso? Cadê o evangelho, que significa boa-notícia?
        Pois bem, a Bíblia possui versículos que dizem que o evangelho (boa-notícia) é pregado aos mortos, para que, “mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus” (1Pedro 4:6), e também, que “hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito” (Rm 15:21). O problema é que os religiosos cruéis vão tentar violentar o texto e não aceitar o que está escrito de forma tão simples e clara. Eles preferem a teologia do pavor e do medo. Jesus disse também que no dia do Juízo haverá menos rigor para os de Sodoma e Gomorra, pois Jesus sabe quem se arrependeria caso eles tivessem visto os milagres que ele fez (Mt 11:21-24). Observe que Jesus não está preso nem ao espaço, nem ao tempo, nem a matéria!
        Deixem Deus ser Deus! Ele está fora dos sistemas! Ele pode tudo, pois Ele é Deus do impossível. Ele criou o universo e todas as Leis, e Ele pode fazer o que bem quiser com elas. Se você é um desses que ficou com raiva por que eu escrevi isso... Beijinho no ombro pra você! Eu creio em Jesus e no Deus do impossível conforme Jesus e Bíblia. Não creio nesse deus limitado pela religião e seus dogmas!
        Portanto, pregue o Evangelho, a boa notícia, com a alegria e com a certeza de que Deus estava em Cristo, se reconciliando com o mundo, não imputando aos homens seus pecados e nos encarregou dessa mensagem de reconciliação (2Corintios 5:18-19).

Lincoln Máximo Alves
Setembro/2015.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Não confunda apostasia com evasão


        Algumas igrejas estão sofrendo Evasão de fiéis de seus templos e estão atribuindo isso à profecia bíblica da Apostasia. O que vem acontecendo com algumas igrejas e religiões é o cansaço das pessoas aos sistemas religiosos, seja por causa das decepções causadas pelas lideranças; seja pela mesmice e falta de criatividade; seja pela ignorância dos sistemas arcaicos, seja pela falta de amor ao próximo; seja pelo conservadorismo; seja pelo exagero e teatralismo; seja pela falsidade; ou também pela busca de uma melhor consciência de fé e de qualidade de culto.
        Estamos passando por fase de mudança de consciência. As pessoas não estão mais concordando com métodos e doutrinas que, em sua maioria, são doutrinas de homens, criadas desde o início da era cristã pelas mentes religiosas dos líderes. A mensagem genuína do Evangelho sempre liberta. A religião é que escraviza. É essa consciência de liberdade e a busca do Espírito de Cristo que impulsiona as pessoas a desistirem de certos sistemas e a buscarem uma semelhança ao Espírito de Cristo. Não estou querendo dizer que é ruim ou errado ter uma instituição. O problema é que a maioria delas se afasta da pureza e simplicidade que há em Cristo Jesus. Daí se começa a impor dogmas e criar “verdades absolutas”. A consequência disso é a manipulação pelo medo ou pela culpa. Então, caso alguém não concorde com tais doutrinas, essa pessoa está automaticamente condenada. O medo é a principal arma para se manter o controle. Daí tudo vira pecado quando se quebra alguma dessas regras humanas.
         Basta ler a história do Cristianismo, de preferência de um historiador, que você verá o quanto foi acrescentado ao Evangelho. Seja com inúmeras doutrinas e regras, dogmas e costumes, equívocos e atrocidades. Claro que se deve ler primeiro todo o Novo Testamento, de preferência em traduções diferentes. Também é importante ler várias vezes para se compreender e interpretar o texto corretamente. Daí, você conseguirá realizar uma boa pesquisa e comparação. Sem isso, o que irá acontecer é a comparação de sua doutrina e de sua tradição como sendo a verdadeira e as outras como sendo as erradas. Isso não adianta. É como estar dentro de uma caixa falando das outras. Você precisa estar fora da sua caixa para conseguir enxergar todas elas.
        Apostasia à qual a Bíblia se refere não é a evasão de pessoas. Se você analisar bem, a maioria dessas pessoas que saíram de uma instituição foram parar em alguma outra. Algumas delas estão preferindo se reunir em grupos menores, como é o caso das “igrejas emergentes”. Essas pessoas não se afastaram de Cristo e do Evangelho. Pelo contrário, estão buscando uma melhor qualidade de fé, exatamente por estarem cansadas das estruturas arcaicas e engessadas.
        Apostasia significa no original grego: “separação, divórcio”. Não significa uma separação das instituições, mas da fé em Cristo e do Evangelho. Apostasia é a frieza do amor quando Jesus disse: “devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará” (Mt 24:12). Na carta aos Hebreus, apostasia é quando alguém se recusa a crer no que Cristo fez na cruz e se volta para a Lei de Moisés e para os antigos rituais e sacrifícios. Nesse caso o autor diz que isso significa “pisar aos pés o Filho de Deus, profanar o sangue da aliança pela qual foi santificado e insultar o Espírito da Graça” (Hebreus 10:29). Isso sim é apostasia. Essa apostasia pode estar acontecendo dentro dos templos cheios e não estamos nos dando conta disso. Paulo nos diz que nos últimos dias o anticristo irá estabelecer um culto único e ele mesmo se declarará “deus” (2º Tessalonicenses 2:3-4). Observem que não será falta de religião. Pelo contrário, será uma religião forte e única, que muitos irão seguir.
        Portanto, se os membros da sua igreja estão saindo, provavelmente não é apostasia. Mais certo que seja cansaço da estrutura e do sistema. Para encerrar, fica a dica do famoso cientista Albert Einstein: “Loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual!”.

Lincoln Máximo
Agosto de 2015.