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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Enganados por REPREENDER e DETERMINAR

        A igreja moderna aprendeu a REPREENDER e a DETERMINAR em nome de Jesus qualquer coisa que veem pela frente. Veremos neste estudo que REPREENDER e DETERMINAR pode ser coisa do maligno.


       O povo cristão aprende muito rápido certas FRASES DE EFEITO e outras esquisitices inventadas por alguns líderes e, essas coisas, são disseminadas rapidamente como uma praga. Infelizmente muitos embarcam nessas novidades, mas, o conhecimento bíblico, o discernimento espiritual e o bom senso, são sempre os três elementos que normalmente faltam ao povo cristão para refutar as falsas doutrinas.


       O conceito de fé do cristão moderno está equivocado. Com a influência do PENSAMENTO POSITIVO e da NEUROLINGUISTICA, muitos cristãos estão usando técnicas e métodos que foram aprendidas com essas Filosofias do mundo e trazidas para dentro da igreja. Muitos líderes estão fazendo cursos de Psicologia, Psicanálise e técnicas de Auto-Ajuda, com o objetivo de aplicar essas técnicas na igreja. Não estou dizendo que seja pecado fazer um curso de Psicologia e Psicanálise, ou de qualquer outra área da ciência, mas o meu alerta é que alguns líderes estão trazendo essas técnicas como sendo "a nova revelação do Senhor para a igreja". Isso vem causando enormes transtornos às pessoas. Eles estão usando os fiéis como cobaias de suas experiências e teorias. O uso de hipnose, meditação oriental, mentalização, confissão positiva, indução psicológica, e outras esquisitices invadiram o meio evangélico.


       A Bíblia nos ensina que FÉ, é confiar em Deus de tal forma que, mesmo quando nossas orações não sejam respondidas como a gente deseja, devemos permanecer firmados na fidelidade ao Senhor, pois é Ele que sabe o que é melhor para nós. Porém, estamos vendo uma idéia de que o método usado na oração é o "segredo do sucesso". Dizem que, dependo da frase que você usou, a sua oração não tem poder. Então, a FÉ moderna passou a ser no MÉTODO (ou melhor, no MITO) e não no SENHOR.


       Independente da frase que você usou, ou, se a oração foi de feita de joelhos, ou num monte, ou com olhos fechados, ou com olhos abertos, ou com os braços pra cima, ou em voz baixa, ou em voz alta etc, isso não importa para Deus. Não importa o método, o que importa é a sua confiança Nele. O enfoque hoje é sempre dado no método da oração e não em Deus. Isso é um erro. É um desvio do conceito correto de Fé. Nós, seres humanos, temos uma forte tendência carnal em apegar-nos a mitos e amuletos. Muitos de nós, por fraqueza de nossa fé, acreditamos que Deus não nos atendeu foi por causa do método errado que usamos. Será mesmo? Por exemplo, será que para se alcançar uma graça de Deus eu tenho que orar sete vezes? Ou tem que ser no monte para ter efeito? Onde está escrito que Jesus e os apóstolos ensinaram isso?


       Vemos cristãos cometendo os mesmos erros do cristianismo medieval. Utilizam todos os tipos de amuletos e métodos com sendo “a verdade” e a “maneira certa” de se conseguir extrair alguma coisa de Deus. Eles dizem: “Se não for dessa maneira não funciona, não dá certo”. Por exemplo, as pessoas ficam presas às campanhas e correntes de orações de SETE SEXTAS-FEIRAS, ou da rosa amarela, ou do terço, ou do lenço ungido, ou do óleo etc. Eu pergunto: Isso tudo não é herança das religiões, seitas e misticismo? Nada disso tem haver com a verdade do Evangelho. A fé do cristão contemporâneo continua no MÉTODO e não em DEUS! Temos que confiar em Deus e não no MÉTODO!


       Muitas igrejas vivem mudando de método, criando religiosidades, mas não crescem espiritualmente. A cada mês inicia-se uma nova campanha. A cada ano cria-se uma nova “unção”. Tem unção do riso, do sopro, do sapateado, do soldado, e por aí vai. 

A Falsa Teologia do "Repreender"

       Hoje, qualquer enfermidade, ou problema que um cristão passa, logo vem um irmão ou irmã mandando você repreender esse mal. Eu pergunto: E se for um espinho na carne posto pelo Senhor como aconteceu com Paulo para que ele não se orgulhasse? A quem eu estaria repreendendo? O Senhor? Observe que Paulo não repreendeu. Ele orou PEDINDO por três vezes ao Senhor. E o Senhor disse: "A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza" (II Co 12:7-10).
 
       O apóstolo Paulo escreveu para Timóteo usar um pouco de vinho por causa de suas frequentes enfermidades do estômago (I Tm 5:23). Paulo também disse que deixou seu amigo Trófimo doente na cidade de Mileto (II Tm 4:20). Em nenhum momento Paulo ensina para os crentes "repreenderem" e "negarem" suas enfermidades, como muitos líderes andam ensinando aos evangélicos. Será que o apóstolo Paulo, escolhido por Jesus para trazer a verdade do Evangelho aos gentios, não sabia desse "segredo" tão importante para combater as doenças? Bem, eu também tenho problemas de estômago, e por diversas vezes eu fui questionado e pressionado por evangélicos do porquê dessa minha "falta de fé", por não ter "repreendido" essa enfermidade em minha vida.

        Observe no texto de Mateus capítulo 16, que Pedro tentou repreender o Senhor Jesus depois que Ele disse que sofreria, morreria e ressuscitaria. Mas foi o Senhor que o repreendeu, pois Pedro estava tentando a Jesus “ter compaixão de si mesmo”.
 
Exemplo bíblico em que a REPREENSÃO foi maligna: (Mateus 16:21-23)


"Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia. E Pedro, chamando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá. Mas Jesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens".


       Não é exatamente isso que acontece quando nós falamos em suportar sofrimentos por Cristo? Vem logo um irmão te repreendendo e falando para você não aceitar isso. Os crentes modernos esqueceram que temos que glorificar ao Senhor também em épocas de crise. Basta lermos o Novo Testamento, e em especial as cartas de I Pedro e II Coríntios que nós encontraremos a instrução de suportar os sofrimentos glorificando o nome do Senhor, e não encontramos nada nessas cartas de que temos que repreender.

       Quando Judas (não o Iscariotes) escreveu sua carta, ele mencionou que o Arcanjo Miguel não ousou pronunciar palavras de juízo de maldição contra o diabo, mas disse: "O Senhor te repreenda!” (Jd 1:9). O arcanjo que é mais poderoso do que nós, não foi soberbo quando tratou com o diabo, e não usou de palavras difamatórias. Mas hoje o que temos visto são crentes “pisando na cabeça do diabo” e fazendo chacota do inimigo com suas músicas animadas. Judas afirma que essas pessoas "dizem mal do que não sabem" (Jd 1:10).

A Falsa Teologia do "Determinar"

       A outra mania do povo de Deus é de DETERMINAR. Quando eu comento algo com alguns crentes a respeito de um projeto ou uma bênção que desejo alcançar, logo vem a frase “determina irmão, em nome do Senhor”. Na TV, vejo alguns cristãos testemunhando que depois que “determinou” tudo aconteceu na vida deles. O que eu não vejo é essa doutrina na Bíblia. Vejamos que na carta de Tiago nos é alertado para tomarmos cuidado com esse tipo de presunção:

Exemplo bíblico em que DETERMINIAR é de origem maligna:
Tiago 4:13-16

13 Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos;
14 Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece.
15 Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo.
16 Mas agora vos gloriais em vossas presunções: toda a glória tal como esta é maligna.
       O texto acima mostra que eu devo usar a expressão “se o Senhor quiser”, indicando submissão à vontade do Senhor e não à minha.

       No início da minha fé, ainda engatinhando e tomando leite, fui conversar com um irmão de uma denominação pentecostal e acabamos entrando no assunto sobre o batismo no Espírito Santo. Ele me exortava dizendo que eu deveria buscar o batismo do Espírito Santo e falar em línguas. Eu tentei explicar o meu entendimento sobre esse assunto e, que também já tinha pedido ao Senhor, durante um período de um ano ou mais que, SE FOSSE DA VONTADE DELE, e se realmente, a posição pentecostal estivesse correta, ou seja, que TODOS somos “obrigados” a falar em línguas como testemunho do batismo do Espírito Santo, então que Ele me batizasse. Pedi ao Senhor uma resposta sobre o assunto independente de eu estar numa igreja tradicional, mas,  que se isso fosse A VERDADE, eu a aceitaria, pois viria Dele e não de nenhuma IMPOSIÇÃO denominacional, mesmo que isso significasse ter de mudar de denominação. Fui sincero com o Senhor em minha oração. O que eu não queria, era receber um falso “batismo em línguas” desses que se aprende por ouvir, como eu mesmo já pude constatar com vários irmãos que oram em línguas, pois repetem sempre as mesmas frases. A famosa frase do falar em línguas “RITA CANTA CHALAMANDUCAIA” já não era novidade para mim. Pois bem, depois que eu expliquei ao amigo sobre a minha oração e, de como eu vinha pedindo ao Senhor a confirmação, ele me disse que eu não havia recebido o batismo simplesmente porque eu usei a expressão “SE FOR DA TUA VONTADE", dizendo que eu destruí a minha fé quando a usei essa expressão "SE".

       Analisando essa teoria de que se usar o “SE” você destrói a fé, não encontrei respaldo bíblico, pois o próprio Senhor Jesus disse: “Pai, SE queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua” (Lc 22:42). Em outra ocasião, um leproso se dirigiu ao Senhor e disse: “Senhor, SE quiseres, podes purificar-me. E Jesus, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo! E imediatamente ele ficou limpo da sua lepra” (Mt 8:2-3). Então, não é o SE que atrapalha a oração. Mais uma vez eu vejo que muitos cristãos estão presos a métodos e não a Cristo. O problema disso é a influência maligna do PENSAMENTO POSITIVO na igreja contemporânea. Centenas de líderes evangélicos aprendem essas técnicas com o mundo e buscam textos fora de contexto para respaldar seus métodos, e não são honestos para mostrarem outros trechos da Bíblia que são contrários a esses métodos.

       Para entendermos melhor o que aconteceu com o conceito de FÉ com o passar dos tempos, vejamos o esquema abaixo:


a) HOMEM => FÉ => DEUS (conceito bíblico)


        O conceito bíblico de fé é confiar inteiramente em Deus, independente das circunstâncias. O alvo da fé é Deus. No Novo Testamento, não encontramos campanhas de oração das sete sextas-feiras, nem oração no monte porque é mais forte, nem rosa amarela, nem terços, nem medalhas milagrosas, nem penitências. Encontramos registros de crentes intercedendo com orações e súplicas, louvando e dando graças em nome do Senhor.


b) HOMEM => FÉ => FÉ (conceito religioso diabólico) 


       O conceito religioso de fé tem como alvo a própria fé, independente do que se crê. É por isso que o Brasil se tornou o maior celeiro religioso do mundo, pois o povo tem muita fé, mas  não tem o alvo certo. A frase predileta desse tipo é: “basta ter fé que está tudo bem”, ou seja, não precisa de Cristo, só precisa da fé. Com isso, muitos líderes religiosos montaram suas igrejas baseadas nesse conceito de fé. Infelizmente, muitas pessoas continuam sendo enganadas com essa metodologia.
 

c) HOMEM => FÉ => HOMEM (conceito ateísta diabólico) 


       Com o crescimento do ateísmo devido às decepções religiosas e, ao mesmo tempo, o crescimento da ciência, e de alguns cientistas que constantemente tentam provar a inexistência de Deus, o homem passou a ter a fé no próprio homem, ou seja, em seu intelecto. A frase predileta desse tipo é “o homem pode tudo, é só querer e determinar”. Um dos livros mais vendidos nos últimos anos foi "O Segredo" de Rhonda Byrne, que ensina a "Lei da atração". No meio evangélico esse livro foi adotado como um manual prático da fé. Pois bem, muitos líderes de igrejas foram buscar soluções para os problemas espirituais dos fiéis com cursos modernos na área do misticismo. Se as pessoas do mundo inteiro lessem o Novo Testamento com a mesma empolgação que leem esses livros, muitos teriam descoberto o verdadeiro segredo.


       Portanto, se você foi enganado com mais esse mito evangélico, peça perdão a Deus, e volte para a simplicidade do Evangelho de Jesus, orando com Fé Nele, que pode fazer tudo conforme o conselho de sua vontade.

Falando um pouco sobre Interpretação Bíblica

ENTENDENDO A DIFERENÇA ENTRE DOUTRINA E DOGMA

        Primeiramente, gostaria de explicar a diferença sutil entre os conceitos de “Doutrina bíblica” e “Dogma”:


  1. Doutrina bíblica é o que está fundamentado na Bíblia e não pode ser alterado, pois é atemporal (não varia com os tempos e épocas) e não é definido pelo homem, e sim, pela Palavra de Deus. Por exemplo, a doutrina do pecado. Na Bíblia, o pecado é tratado do início ao fim da mesma maneira, independente de tempos ou épocas, ou do homem aceitar ou não, pois é um conceito que vem de Deus. Mesmo que a sociedade moderna não venha a aceitar o conceito de pecado, isso não significa que ele deixou de existir, pois a Bíblia não é alterada nem perde o seu valor. O pecado é pecado no céu ou na terra, tanto para anjos como para homens.


  2. Dogma é o que foi formulado pelo homem e que recebeu peso de doutrina por força de hábito, ou por norma criada, ou por influência de uma liderança. Pode valer por determinada época, ou por alguma circunstância, ou por questões de ordem e estatutos locais. Temos o exemplo disso em diversas denominações cristãs que diferem uma das outras em normas e costumes. Enquanto uma denominação acha importantíssimo um determinado preceito, outra já não o considera tanto. O problema acontece é quando uma tradição invalida uma doutrina bíblica, e isso, infelizmente, tem acontecido muitas vezes. Podemos ver um exemplo clássico na Bíblia onde Jesus mostra o que é doutrina bíblica (Palavra de Deus) e o que é tradição (dogma). No trecho de Marcos 7:6-13 está escrito:

“Jesus lhes respondeu: Hipócritas, bem profetizou Isaías acerca de vós, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim; em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Abandonais o mandamento de Deus, e vos apegais à tradição dos homens. Disse-lhes ainda: Sabeis muito bem rejeitar o mandamento de Deus para guardar a vossa tradição. Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e: Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe certamente morrerá. Mas dizeis: Se alguém disser a seu pai ou sua mãe: O que de mim poderias receber como benefício é corbã, isto é, oferta dedicada ao Senhor, vós o desobrigais de fazer alguma coisa por seu pai ou por sua mãe. Dessa forma, invalidais a palavra de Deus pela vossa tradição que transmitistes, como também fazeis muitas outras coisas semelhantes”.
        Jesus mostrou claramente que homens religiosos criaram tradições com peso de doutrina e chegaram a ponto de sobreporem um mandamento explícito de Deus. Os judeus estavam ensinando às pessoas que elas poderiam deixar de ajudar seus pais para ofertarem a Deus, mas na realidade, os religiosos tinham interesse nas ofertas das pessoas. Será que hoje não está acontecendo o mesmo? Filhos deixando seus pais passarem necessidades para poderem levar todo o dinheiro para uma “igreja” por causa de apelos emocionais de alguns líderes religiosos?

O PERIGO DA INTERPRETAÇÃO VICIADA

        Na história da humanidade e, mais precisamente na história da igreja, o homem tem sempre cometido um erro básico na interpretação bíblica. É o que se chama de “interpretação viciada”. Interpretação viciada é quando uma pessoa repassa um conhecimento que recebeu sem que os textos fundamentais fossem analisados corretamente. Normalmente ouve-se a frase: “Ensino assim porque aprendi assim”. Na realidade os olhos destes estão fechados para uma releitura, pois estes sempre leem a bíblia com a interpretação pré-concebida de outros, ou seja, com os “óculos da tradição”.

        Tenho visto inúmeros pregadores se utilizando demasiadamente do Antigo Testamento para sustentar suas teses dogmáticas e, por vezes, cometendo erros de interpretação bíblica, passando ensinamentos fora de contexto e, “forçando a barra” para os ouvintes, simplesmente porque aprenderam dessa forma ou, no pior caso, porque é um dogma que ninguém tem interesse em mexer.

        Uma boa interpretação bíblica deve começar com dois focos principais. O primeiro foco é a pessoa do Senhor Jesus Cristo, pois foi Ele mesmo que ensinou isso (Lucas 24:44; João 5:39-47). O segundo foco é o Novo Testamento, pois é a porção das Escrituras Sagradas que todo cristão deve ter como parâmetro final de interpretação, pois o Novo Testamento é o cumprimento e a interpretação do Antigo.

        Não se pode interpretar a Bíblia sem nunca tê-la lido. Mas, é isso o que freqüentemente acontece. Intérpretes de plantão estão sempre prontos para discutir a Bíblia. Mas, se você for averiguar quem realmente leu, você tomará um susto. O que eu acho interessante é que, até mesmo pessoas que nunca pegaram numa bíblia, gostam de dar sua opinião teológica como se fosse um especialista no assunto. Existe um ditado popular que diz "médico e louco, todo mundo tem um pouco". Pois bem, eu acrescentaria "médico, teólogo e louco, todo mundo tem um pouco".

        Ao ler a Bíblia, muitos saltam diretamente da fase da observação para a fase da aplicação, passando por cima da etapa essencial da interpretação. Quando a Bíblia não é interpretada corretamente, a teologia do indivíduo ou de toda uma igreja pode ser desorientada ou superficial, e seu ministério, desequilibrado. Se você aplica diretamente uma passagem bíblica sem tomar o cuidado em analisar toda a Bíblia poderá direcionar a sua vida e a dos outros de forma errada.

Quantas imagens Deus possui?

        Para muitos, Deus possui três imagens. Uma do Pai, outra do Filho e outra do Espírito Santo. Acredito que essa confusão é decorrente da idéia que temos de pessoa e corpo. A doutrina da trindade é muito difícil de ser entendida, e isso eu concordo plenamente. Mas uma coisa é Deus ser três pessoas em um único ser e, outra coisa, é Deus ter três imagens de si mesmo. Agora eu formulo a seguinte pergunta: Quantas imagens de Deus nós veremos no Céu? Será que encontraremos uma imagem de um ancião forte sentado num trono com uma indicação dizendo “Pai”, e do lado direito do trono, Jesus e uma indicação dizendo “Filho”, e uma terceira imagem de um ser com forma de homem bem magro vestido de branco e com cabelos alvos como a neve e uma indicação dizendo “Espírito Santo”? Isso parece mais a doutrina dos mórmons que afirmam que existem três deuses com três corpos diferentes.

       Existem também os “unicistas” que, por não entenderem a doutrina da trindade, formularam a idéia que Deus é uma única pessoa, “o Pai” vindo de modos diferentes. Essa doutrina é conhecida também como “modalismo”. Nesse caso, o relacionamento entre o Pai, o Filho, e o Espírito foram um embuste?

       A Bíblia nos diz que Jesus é a imagem do Deus invisível (Cl 1:15). Jesus é o resplendor da glória de Deus e a expressa imagem da sua pessoa (Hb 1:3). O apóstolo João diz que “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (Jo 1:18). Paulo nos diz que “foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse” (Cl 1:19); e no capítulo 2 verso 9 da mesma carta diz: “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”. Também em 2Coríntios 4:4 o apóstolo Paulo nos diz: “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus”. Paulo está nos alertando que o inimigo está cegando o entendimento das pessoas para não reconhecerem que Jesus é, de fato, a imagem de Deus. Quando o apóstolo Filipe pediu para Jesus mostrar o Pai, Jesus foi enfático e disse: “Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo 14:9). Em outra ocasião Jesus disse: “E quem me vê a mim vê aquele que me enviou” (Jo 12:45).

       No livro do Apocalipse, no capítulo 21, temos dois versículos muito interessantes:



Verso 3: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus”.
Verso 23: “E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada”.
       O problema no entendimento da trindade (tri-unidade) é com o conceito de PESSOA. Uma pessoa possui intelecto, sentimentos e vontade, e a Escritura revela que Deus Pai possui esses três atributos como também o Filho eterno (Jesus) e o Espírito Santo. Os três são pessoas distintas, porém duas pessoas da divindade são invisíveis (Pai e o Espírito Santo) e uma visível (o Filho) que é a manifestação de Deus. Todas as vezes que Deus se revela ao homem ele se manifesta com a pessoa do Filho, tanto antes como depois da encarnação. No Velho Testamento ele se manifestava como o "anjo do Senhor".

       No livro de Hebreus 1:3 diz que Jesus é o resplendor da glória (gr.apaugasma) que significa "reflexo" de Deus; e também a sua expressão exata (gr. charakter) o "caracter" de Deus. Jesus é então o que você vê de Deus. Por isso que Jesus disse a Filipe, "quem vê a mim vê o Pai" (Jo 14:9). A escritura nos diz que em Jesus "habita corporalmente toda a plenitude da divindade", isso significa que Deus habita 100% em Cristo. Por que então Deus precisaria ter mais de uma imagem ou mais de um corpo?

        Portanto, a escritura nos revela que Deus é UM ser espiritual composto por três pessoas divinas e somente uma imagem (reflexo) que é Jesus. Depois da encarnação Deus passou a ser DEUS-HOMEM, ou seja, possui um corpo para sempre.

        Espero que eu tenha ajudado e não complicado. Só na glória é que teremos todas as respostas. Nós, seres finitos, não conseguimos compreender o infinito. Esse é o mistério da piedade (1Tm 3:16). O que podemos tentar entender é o que está revelado nas escrituras.

Quem é Jesus Cristo?

Existem muitos tipos de “Jesus” inventados pelo mundo, mas como a Bíblia diz quem é Jesus?
Veja algumas frases ditas sobre Ele:
a) “Ele é a imagem do Deus invisível” (Colossenses 1:15)
b) “Deus que se manifestou em carne” (1 Timóteo 3:16)
c) “e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (João 1:1)
d) “e o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14)
e) “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito” (Joao 1:3)
f) “e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu” (João 1:10)
g) “todas as coisas foram criadas por ele e para ele” (Colossenses 1:16)
h) “Ele é antes de todas as coisas” (Colossenses 1:17)
i) “é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser” (Hebreus 1:3)
j) “ele se assentou à direita da Majestade nas alturas” (Hebreus 1:3)
k) “que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu reino” (2 Timóteo 4:1)
l) “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12)

Veja algumas frases ditas por Ele:
a) Eu sou a luz do mundo (João 8:12)
b) Eu e o Pai somos um (João 10:30)
c) Eu sou o pão que desceu do céu (João 6:41)
d) Eu sou o pão da vida (João 6:48)
e) Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo (João 10:9)
f) Eu sou o bom pastor (João 10:11)
g) Eu sou a ressurreição e a vida (João 11:25)
h) Eu sou a videira verdadeira (João 15:1)
i) Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (João 14:6)
j) Quem crê em mim tem a vida eterna (João 6:47)
k) Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida. (João 5:40)

Dízimos e Ofertas. O que está certo e o que está errado?

Obs: as citações bíblicas estão na tradução Almeida Corrigida Fiel (ACF)

INTRODUÇÃO

Pretende-se com este estudo expor alguns pontos de debate sobre a doutrina cristã da contribuição. O objetivo é fortalecer e aprofundar o conhecimento dos leitores nas Escrituras Sagradas, evitando que eles contribuam por motivos errados. Inúmeras questões são levantadas sobre esse assunto e, até hoje, muitos não sabem ao certo qual a doutrina ensinada pelos apóstolos para a igreja. Concorda-se que exista para a igreja a Doutrina da Contribuição, mas será que existe a Doutrina dos dízimos e ofertas para os cristãos? 

Diversos estudos bíblicos estão disponíveis na Internet que falam sobre dízimos e ofertas. Alguns apoiando a ideia de que o cristão deve, obrigatoriamente, dar dez por cento (10%) de sua renda para a igreja e outros afirmando que não. Até onde os ensinamentos que se recebe, quer por meio de sermões, estudos, livros etc, estão coerentes com as regras de interpretação bíblica? Respeitando-se essas regras e, deixando de lado as tradições, emoções e indignações, que resultado se alcançará?

Foram por essas e por outras razões que este estudo foi escrito, com o intuito de averiguar os contextos e conferir escritura com escritura, para ver se, de fato, as coisas são assim como se afirmam.

Algumas perguntas foram escolhidas com o objetivo de se esclarecer essas dúvidas até o final deste estudo:

  1. Qual o conceito de dízimo na bíblia?
  2. Um cristão é obrigado a dar o dízimo?
  3. O dízimo é doutrina do Novo Testamento ou é uma tradição (dogma)?
  4. Tem que se dar 10% de tudo que se ganha, até mesmo da venda de um carro ou de um terreno?
  5. O dízimo é diferente de oferta?
  6. Qual o método de contribuição que o Novo Testamento ensina?


I – O CONCEITO BÍBLICO DO DÍZIMO

O primeiro ponto de problema para o correto entendimento da doutrina da contribuição é o conceito da palavra Dízimo. Faça uma experiência simples. Pergunte para qualquer pessoa, membro ou não de uma igreja, o que significa o dízimo. Normalmente a resposta é: “o dízimo é 10% do salário”. Até que ponto esse conceito está correto? Onde está escrito na Bíblia que o dízimo é 10% do salário? Detecta-se aqui o efeito da interpretação viciada já no entendimento da palavra dízimo. Em nenhum lugar da Bíblia encontra-se essa definição. Na realidade as pessoas aprenderam esse conceito por tradição.

A palavra dízimo, isoladamente, significa a “décima parte de alguma coisa”. Mas, no contexto bíblico, dízimo não era 10% do salário.

Alguns pregadores, para estabelecer esse conceito, afirmam que não existia dinheiro na época de Abraão e de Moisés, e por isso, eles davam o dízimo dos cereais e animais. Esse é um argumento falso! Veja alguns trechos na Bíblia que mostram que já existia dinheiro:

Gênesis 17:13: ““[Deus disse a Abraão:] Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; e estará a minha aliança na vossa carne por aliança perpétua”.

Em Deuteronômio 14:24-26 está escrito que se o caminho fosse longo demais e não fosse possível levar o dízimo das colheitas e dos animais, então tudo deveria ser vendido e convertido em dinheiro para facilitar a viagem. Quando se chegasse ao local apropriado de adoração, deveria ser convertido novamente em mantimentos e consumidos com alegria pela família, em sinal de adoração a Deus. Claramente se vê que o dízimo dos israelitas não era para ser entregue em dinheiro. É por causa dessa ordenança que os Judeus deturparam as coisas e transformaram as escadarias do templo em local de comércio. Jesus, irritado com aquilo, chamou os cambistas de ladrões e derrubou as mesas com os animais e mantimentos (Mateus 21:12-13).

Dando sequência ao mesmo texto de Deuteronômio, encontra-se a ordem de que, ao fim de cada terceiro ano, os dízimos do ano deveriam ser levados para a cidade e distribuídos entre os levitas, os peregrinos, os órfãos e as viúvas (Dt 14:28-29). Se alguns pregadores de hoje costumam apoiar suas argumentações do dízimo com tanta veemência em trechos do Antigo Testamento, por que descumprem textos subsequentes do contexto imediato? Até hoje, não há relatos de que alguma igreja recolha os dízimos do terceiro ano e os distribua em sua cidade para os viajantes, órfãos e viúvas.

Vejamos o conceito bíblico do DÍZIMO:

A décima parte, tanto das colheitas como dos animais, que os israelitas ofereciam a Deus (Lv 27.30-32). O dízimo era usado para o sustento dos LEVITAS (Nm 18.21-24), dos estrangeiros, dos órfãos e das viúvas (Dt 14.28-29).


II – O DÍZIMO É UMA OFERTA

Outro conceito bastante divulgado no meio evangélico é que: “dízimo é dízimo e oferta é oferta”, ou seja, a intenção é dizer que o dízimo é obrigatório e oferta é voluntária. Veja o que a Bíblia diz:

Números 18:24-26: “[Deus disse:] Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao SENHOR em oferta alçada, tenho dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão. E falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Também falarás aos levitas, e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado por vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao SENHOR, os dízimos dos dízimos”.

Uma oferta na Bíblia poderia ser obrigatória ou voluntária. Não era a palavra em si que determinava a voluntariedade. Deus era quem estipulava se a oferta era obrigatória ou voluntária. Hoje, essa diferença entre dízimo e oferta veio pela tradição, e nasceu com o intuito de se proteger a igreja da negligência dos dízimos. Alguém pregou no passado que “dízimo é dízimo e oferta é oferta” e então pegou. Até hoje as pessoas repetem esse refrão.


Resumo dos Sacrifícios e ofertas do Antigo Testamento:

Animais, cereais ou bebidas entregues a Deus como parte do culto de adoração. Em Levítico 1.1-7.21 são descritos estes cinco tipos principais de sacrifícios e ofertas:

1) Holocausto, em que o animal era completamente queimado no altar {Lv 1:1-17; 6:8-13}.

2) Oferta de manjares, isto é, de cereais {Lv 2:1-16; 6:14-23}.

3) Sacrifício pacífico ou de paz {Lv 3:1-17; 7:11-21}.

4) Oferta pelo pecado, isto é, para tirar pecados {Lv 4:1-5:13; 6:24-30}.

5) Oferta pela culpa, isto é, para tirar a culpa {Lv 5:14-6:7; 7:1-7}. Das ofertas de paz havia três tipos: por gratidão a Deus {Lv 7:12}, para pagar voto ou promessa {Lv 7:16} e a voluntária, que era trazida de livre e espontânea vontade {Lv 7:16}. Além dessas havia também a libação, tipo de oferta em que se derramava vinho {Lv 23:13}.


III - O DÍZIMO ANTES DA LEI ERA VOLUNTÁRIO

Antes da Lei, Abraão deu o dízimo dos despojos voluntariamente, pois não há referência bíblica que aponte para um mandamento explícito (Gênesis 14:18-20). Os despojos eram restos trazidos de uma guerra. No texto, os despojos eram pessoas (escravos) e bens (Gn 14:21). Também já foi mostrado que existia dinheiro nessa época (Gn 17:13).

Jacó também propôs dar o dízimo voluntariamente se Deus o abençoasse em sua missão. Ele teve um sonho onde lhe foi revelado o local especial de adoração e recebeu uma promessa de Deus. Em sinal de reconhecimento, fez um voto de edificar a casa de Deus e de dar-lhe o dízimo de tudo que recebesse (Gênesis 28:10-22).

Detecta-se nessas duas passagens analisadas que ouve uma motivação especial para a entrega dos dízimos. Essa motivação não foi forçada, mas foi um ato liberal numa demonstração de adoração, reverência e gratidão. Nas duas ocasiões ocorreram contatos com o elemento divino, um relacionamento espiritual. Abraão teve contato com um sacerdote de Deus que o abençoou. Por sua vez, Abraão reconheceu a importância do sacerdote e lhe retribuiu com os dízimos: “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos” (Hebreus 7:4).

Não é em vão que a Bíblia registra essas duas passagens sobre a dedicação de dízimos antes da Lei. Percebe-se que existiu um motivo adequado para que esses importantes personagens bíblicos fizessem isso. Com certeza não foi por obrigação nem por constrangimento.

Portanto, nos únicos dois textos que falam sobre dízimos antes da Lei de Moisés, dão sustentação ao argumento da voluntariedade na entrega dos dízimos.

Outro argumento bastante utilizado nos debates é de que Abraão praticou o dízimo antes da Lei e, por isso, os cristãos devem praticá-lo também. Deve-se ter cuidado com essa argumentação, visto que a circuncisão também foi instituída antes da Lei (Gn 17:9-14), nem por isso o apóstolo Paulo a defendeu. Pelo contrário, repreendeu os irmãos da Galácia do erro que eles estavam cometendo em querer forçar os cristãos a se circuncidarem (Gálatas cap.5). O mais interessante nisso, é que a circuncisão está explicitamente definida na Bíblia como uma lei antes da lei de Moisés; já o dízimo, não.


IV - NA LEI, O DÍZIMO ERA OBRIGATÓRIO.

Na Lei, Deus instituiu o dízimo como obrigatório por causa da tribo de Levi, pois ela não possuía herança em terras e, portanto, precisava ser sustentada pelas outras tribos com os mantimentos arrecadados. Por sua vez, os Levitas deveriam dar os dízimos dos dízimos em oferta ao Senhor.

Os judeus reconhecem que existem três tipos de dízimos:
1. O dízimo para os levitas (Nm 18:21-26)
2. O dízimo para as festividades em Jerusalém (Dt 14:22-26)
3. O dízimo de caridade para os estrangeiros, órfãos e viúvas (Dt 14:28-29).


V – CUIDADO COM MALAQUIAS 3:8-11.

O texto mais usado da Bíblia para argumentar a entrega dos dízimos e ofertas nas igrejas é Malaquias 3:8-11. Há um grande problema de interpretação e de aplicação desse texto nos púlpitos evangélicos. Normalmente são feitos apelos emocionais e pressões psicológicas aos fiéis. As mensagens possuem uma pressão psicológica embutida com recursos de acusação e medo. A plateia se vê ameaçada de maldição e acusada de roubar a Deus. Por outro lado são feitas promessas de abundância financeira com tanta veemência que enchem os olhos dos ouvintes. E o melhor do livro de Malaquias não é apresentado.

Deus, por três vezes, diz que não aceitaria as ofertas do povo (Ml 1:10; 1:13; 2:13). O culto era feito sem reverência e respeito. O que se pode observar na mensagem de Malaquias é que a conseqüência do declínio espiritual é refletida na falta de amor para o com próximo, nos divórcios, na infidelidade conjugal, na falsa adoração a Deus e na negligência no sustento do templo. O profeta está confirmando o que já havia sido dito na Lei de Moisés sobre as promessas de bênçãos e maldições condicionadas à fidelidade deles. Deus havia prometido o gafanhoto devorador caso eles não obedecessem (Deuteronômio 28). No final do Livro de Malaquias, no verso 4:4, o profeta diz: “Lembrai-vos da lei de Moisés, meu servo, que lhe mandei em Horebe para todo o Israel, a saber, estatutos e juízos”.

O apóstolo Paulo afirma que "Jesus nos redimiu das maldições da Lei quando se tornou maldição em nosso lugar" (Gálatas 3:13). Também que Jesus “Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Colossenses 2:14) . A Bíblia é clara em afirmar que Jesus cravou na cruz toda a Lei de Moisés, e nisso, incluem os dízimos e ofertas. Mas alguns pregadores dão a entender em suas entrelinhas que a “Lei do livro de Malaquias” é a única Lei que não foi cravada na cruz para os crentes. Pedro também alerta que nos últimos dias mestres iriam fazer negócios com palavras fingidas por causa da avareza (II Pedro 2:3).


Veja um resumo da mensagem de Malaquias:
Primeiro debate: (1:2-5) Deus ama a Israel.
Deus: Eu vos tenho amado.
O povo: Em que nos tens amado?
Deus: Amei a Jacó (Israel), porém aborreci a Esaú (Edom).

Segundo debate: (1:6-2:9) O Pai de Israel merece honra.
Deus: Por que vós, os sacerdotes, desprezais o meu nome?
Sacerdotes: Em que desprezamos o teu nome?
Deus: Ofereceis sacrifícios imundos.
Sacerdotes: Em que te havemos profanado?
Deus: Trazeis animais defeituosos, coxos ou enfermos.

Terceiro debate (2:10-16) Deus odeia o divórcio.
Profeta: Deus não aceitará tuas ofertas
Povo: Por quê?
Profeta: Porque quebraste a aliança de matrimônio com a mulher da tua mocidade.

Quarto debate (2:17-3:5) Deus é justo. Parte 1.
Profeta: Enfadais a Deus.
Povo: Em quê?
Profeta: Questionando sua justiça, pensando que os que fazem o mal prosperarão. Deus punirá os perversos.

Quinto debate (3:6-12) Dar o dízimo é indício de arrependimento.
Profeta: Tornai-vos a Deus.
Povo: Em quê?
Profeta: Roubais a Deus.
Povo: Em quê?
Profeta: Nos dízimos e nas ofertas.

Sexto debate (1:13-4:3) Deus é justo. Parte 2.
Deus: Tendes falado contra mim.
Povo: Que temos falado contra ti?
Deus: Dizendo que é inútil servir a Deus. Eu punirei os perversos e
recompensarei os fiéis.

Primeiro epílogo: (4:4) Guardai a lei de Moisés.
Segundo epílogo: (4:5-6) Elias virá antes do dia do Senhor.



Observe que o livro termina advertindo o povo para voltar para a Lei de Moisés. Aí está o perigo na interpretação e na aplicação direta do texto Malaquias 3:8-11. Deve-se tomar o cuidado com o contexto imediato. Sabemos que a igreja não está subordinada à Lei de Moisés nem pode estar. Muitos pregadores cometem esse erro quando, veementemente, aplicam uma parte do texto para os cristãos sem contextualizar. A pregação fica totalmente fora de contexto para a igreja. O melhor seria pregar o livro de Malaquias extraindo os princípios espirituais do texto e não simplesmente acusar o povo de roubar a Deus nos dízimos e ofertas.

A pergunta que fica no ar é: Será que Deus tem aceitado os dízimos e ofertas do povo de hoje? Os divórcios só têm aumentado nos últimos anos no meio cristão, a falta de reverência e respeito nos cultos e muitas esquisitices estão acontecendo nos púlpitos de algumas igrejas.


VI – CUIDADO COM MATEUS 23:23.

Passando para o Novo Testamento, é argumentado que Jesus confirmou o dízimo para os cristãos com essa passagem:
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas” (Mt 23:23).

Analisando o contexto, Jesus está falando para Judeus, no tempo da Lei. Lembre-se que o Novo Pacto (Novo Testamento) só começou a vigorar a partir da ceia do Senhor e, efetivamente, após a morte de Jesus. É comum alguns cristãos acharem que o Novo Pacto começa no primeiro capítulo de Mateus.

Jesus jamais recomendaria para um judeu violar o pacto com Deus. Tanto é assim, que em outras ocasiões, Jesus pediu para que se cumprisse a Lei. Por exemplo, quando ele curou um leproso, mandou-o apresentar-se ao sacerdote conforme a lei prescrevia (Mateus 8:4).

Observa-se também, que alguns Judeus estavam dizimando das hortaliças (hortelã, endro e cominho), ou seja, eram detalhistas demais com pequenas coisas e negligentes com outras mais importantes. Essa repreensão é confirmada no versículo seguinte que diz: “Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo” (Mateus 23:24).

Outro detalhe que se percebe no texto é que não há referência a dinheiro, pois, como já foi analisado anteriormente, o dízimo judaico não tinha nada a ver com dinheiro. E todas as vezes que nos textos do Novo Testamento se refere a dinheiro, é sempre usado o termo oferta, e não dízimo.


VII – AS CONTRIBUIÇÕES DA IGREJA PRIMITIVA

No livro de Atos dos apóstolos, estão registradas algumas passagens interessantes a respeito da contribuição no início da igreja. Logo em Atos 2:45 diz: “E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister”. Em seguida, em Atos 4:34-35 está escrito: “Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha”.

Os cristãos que possuíam mais recursos ajudavam os que estavam passando por necessidades. Eles não eram obrigados a fazerem isso, nem eram constrangidos a darem o dízimo do que vendiam. Eles estavam cheios de graça e faziam as contribuições motivadas pelo amor ao próximo. Infelizmente, os problemas com o dinheiro começaram cedo. O caso de Ananias e Safira reflete o pecado da avareza e da mentira de alguns membros e, por causa disso, Deus castigou-os severamente para que os outros aprendessem a importância da santificação e da motivação correta. Observa-se que Pedro não exige de Ananias o dízimo da venda da propriedade e, nem mesmo, que entregue todo o dinheiro para a igreja. “Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Atos 5:4).

Mais adiante, no capítulo 15 de Atos, está registrada a primeira reunião de debates teológicos da igreja. Os cristãos de origem judaica exigiam que os gentios convertidos se circuncidassem e guardassem a lei de Moisés para serem salvos. Os apóstolos rejeitaram essa doutrina e escreveram os requisitos mínimos necessários para que houvesse uma convivência pacífica entre judeus e gentios. Nesses requisitos mínimos não está nada referente ao recolhimento de dízimos e ofertas e, nem mesmo a guarda dos sábados. Mas, muitos intérpretes modernos, utilizam os princípios da hermenêutica bíblica para condenar a guarda do sábado e, se esquecem de usar os mesmos princípios quando interpretam a guarda dos dízimos e ofertas.

Na primeira carta de Paulo aos Coríntios, no capítulo 16, está registrado o pedido para se fazerem coletas para os irmãos em Jerusalém. O apóstolo recomenda que as ofertas sejam de acordo com o ganho, ou seja, proporcionalmente. Não se vê nenhuma recomendação explícita de quanto é essa proporção.

Na segunda carta aos Coríntios, a partir do capítulo oito, Paulo elogia os irmãos da Macedônia por contribuírem com amor e generosidade. “E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus” (2 Co 8:5). Mais adiante ele diz que “Porque, se há prontidão de vontade, será aceita segundo o que qualquer tem, e não segundo o que não tem” (2 Co 8:12). Mas, em algumas igrejas modernas, as pessoas são desafiadas a fazerem empréstimos bancários para ofertarem o que não tem.

No capítulo 9, da mesma carta, Paulo continua explicando que as contribuições não devem ser feitas por motivo de extorsão e sim por generosidade (2 Co 9:5). Paulo confirma o princípio espiritual da plantação e da colheita: “E digo isto: Que o que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância, em abundância ceifará” (2 Co 9:6). No entanto, ele prossegue afirmando que as contribuições deveriam ser “...segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade (constrangimento); porque Deus ama ao que dá com alegria” (2 Co 9:7). Esse versículo maravilhoso não é tão divulgado como o de Malaquias. Na verdade, o princípio que Paulo está ensinando parece não agradar tanto a igreja contemporânea, pois fala da liberdade do cristão em decidir o quanto quer contribuir e, do alerta de não se fazer constrangido por emoções ou por pressões psicológicas. Alguns ainda insistem em dizer que Paulo está se referindo às ofertas e não aos dízimos. Mas, não conseguem provar pelas Escrituras que a igreja primitiva praticava os dízimos.

Paulo conclui afirmando que a contribuição dos cristãos é uma forma de adoração a Deus (2 Co 9:12-13). Esse princípio é muito importante, pois é o mesmo demonstrado em toda a Bíblia: adoração, reverência e gratidão.

Em todo o Novo Testamento existe o fundamento da contribuição financeira para o sustento da igreja, principalmente o cuidado com os líderes que ministram a Palavra e com as viúvas. Mas não há textos no Novo Testamento que respaldem a taxa de 10% como referência mínima.

A prática de dízimos só foi acrescentada no seio da igreja no final do século IV por meio da Igreja de Roma. Isso devido ao aumento das despesas em decorrência da nova vinculação da Igreja ao Estado. Assim, nos três primeiros séculos do cristianismo não houve pagamento de dízimos, e muitos dos líderes da época, como Irineu, condenavam o dízimo por considerá-lo legalista e ritualista, em oposição à espontaneidade das ofertas voluntárias.

CONCLUSÃO

O cristão dever ter a consciência de que a sua igreja é uma comunidade e, como tal, necessita de sustento para cumprir com suas obrigações regulares. O pensamento de um verdadeiro cristão não é ficar dando desculpas para não contribuir. Infelizmente alguns cristãos contribuem por obrigação (como se fosse uma lei) ou por medo de Deus, ou porque vai quebrar algo e tomar um prejuízo, ou até mesmo com medo de perderem a salvação. Outros fazem de uma forma legalista separando até os centavos no cálculo dos 10%. O amor deve ser o motivador para a contribuição, pois como Paulo mesmo disse: “E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria” (1 Co 13:3).

Contribuir não é algo que se deva fazer com tristeza ou pensando no que você poderia gastar aquele dinheiro se não contribuísse. Se você está nessa situação, ore a Deus confessando o seu pecado e mude sua atitude. A Bíblia diz em provérbios 3:9-10 “Honra ao SENHOR com os teus bens, e com a primeira parte de todos os teus ganhos; E se encherão os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares.”. Uma ilustração bem prática para o entendimento desse princípio é o que acontece com o primeiro pedaço do bolo numa festa de aniversário. Sempre as pessoas esperam para quem será o primeiro pedaço, pois é uma demonstração de honra. Assim deve ser o pensamento do crente. Devemos honrar ao Senhor com a primeira parte de nossa renda e com alegria de poder participar dessa obra maravilhosa, que é a salvação de almas. Também não se deve fazer de forma negligente nem como a última coisa do mês. Jesus disse: “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mateus 6:21).

Mostrou-se neste estudo que o dízimo é uma doutrina do Antigo Testamento e não uma doutrina do Novo Testamento. Mas, se sua igreja utiliza esse parâmetro como uma referência nas contribuições e, se você propôs em seu coração em contribuir dessa forma, não é pecado. O importante é que o motivo que leve você a contribuir não seja como um mero cumprimento de uma lei, pois Jesus cravou na cruz toda a Lei, e o que tem valor é a fé que atua pelo amor.