Pesquisar este blog

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Falando um pouco sobre Interpretação Bíblica

ENTENDENDO A DIFERENÇA ENTRE DOUTRINA E DOGMA

        Primeiramente, gostaria de explicar a diferença sutil entre os conceitos de “Doutrina bíblica” e “Dogma”:


  1. Doutrina bíblica é o que está fundamentado na Bíblia e não pode ser alterado, pois é atemporal (não varia com os tempos e épocas) e não é definido pelo homem, e sim, pela Palavra de Deus. Por exemplo, a doutrina do pecado. Na Bíblia, o pecado é tratado do início ao fim da mesma maneira, independente de tempos ou épocas, ou do homem aceitar ou não, pois é um conceito que vem de Deus. Mesmo que a sociedade moderna não venha a aceitar o conceito de pecado, isso não significa que ele deixou de existir, pois a Bíblia não é alterada nem perde o seu valor. O pecado é pecado no céu ou na terra, tanto para anjos como para homens.


  2. Dogma é o que foi formulado pelo homem e que recebeu peso de doutrina por força de hábito, ou por norma criada, ou por influência de uma liderança. Pode valer por determinada época, ou por alguma circunstância, ou por questões de ordem e estatutos locais. Temos o exemplo disso em diversas denominações cristãs que diferem uma das outras em normas e costumes. Enquanto uma denominação acha importantíssimo um determinado preceito, outra já não o considera tanto. O problema acontece é quando uma tradição invalida uma doutrina bíblica, e isso, infelizmente, tem acontecido muitas vezes. Podemos ver um exemplo clássico na Bíblia onde Jesus mostra o que é doutrina bíblica (Palavra de Deus) e o que é tradição (dogma). No trecho de Marcos 7:6-13 está escrito:

“Jesus lhes respondeu: Hipócritas, bem profetizou Isaías acerca de vós, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios; seu coração, porém, está longe de mim; em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Abandonais o mandamento de Deus, e vos apegais à tradição dos homens. Disse-lhes ainda: Sabeis muito bem rejeitar o mandamento de Deus para guardar a vossa tradição. Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e: Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe certamente morrerá. Mas dizeis: Se alguém disser a seu pai ou sua mãe: O que de mim poderias receber como benefício é corbã, isto é, oferta dedicada ao Senhor, vós o desobrigais de fazer alguma coisa por seu pai ou por sua mãe. Dessa forma, invalidais a palavra de Deus pela vossa tradição que transmitistes, como também fazeis muitas outras coisas semelhantes”.
        Jesus mostrou claramente que homens religiosos criaram tradições com peso de doutrina e chegaram a ponto de sobreporem um mandamento explícito de Deus. Os judeus estavam ensinando às pessoas que elas poderiam deixar de ajudar seus pais para ofertarem a Deus, mas na realidade, os religiosos tinham interesse nas ofertas das pessoas. Será que hoje não está acontecendo o mesmo? Filhos deixando seus pais passarem necessidades para poderem levar todo o dinheiro para uma “igreja” por causa de apelos emocionais de alguns líderes religiosos?

O PERIGO DA INTERPRETAÇÃO VICIADA

        Na história da humanidade e, mais precisamente na história da igreja, o homem tem sempre cometido um erro básico na interpretação bíblica. É o que se chama de “interpretação viciada”. Interpretação viciada é quando uma pessoa repassa um conhecimento que recebeu sem que os textos fundamentais fossem analisados corretamente. Normalmente ouve-se a frase: “Ensino assim porque aprendi assim”. Na realidade os olhos destes estão fechados para uma releitura, pois estes sempre leem a bíblia com a interpretação pré-concebida de outros, ou seja, com os “óculos da tradição”.

        Tenho visto inúmeros pregadores se utilizando demasiadamente do Antigo Testamento para sustentar suas teses dogmáticas e, por vezes, cometendo erros de interpretação bíblica, passando ensinamentos fora de contexto e, “forçando a barra” para os ouvintes, simplesmente porque aprenderam dessa forma ou, no pior caso, porque é um dogma que ninguém tem interesse em mexer.

        Uma boa interpretação bíblica deve começar com dois focos principais. O primeiro foco é a pessoa do Senhor Jesus Cristo, pois foi Ele mesmo que ensinou isso (Lucas 24:44; João 5:39-47). O segundo foco é o Novo Testamento, pois é a porção das Escrituras Sagradas que todo cristão deve ter como parâmetro final de interpretação, pois o Novo Testamento é o cumprimento e a interpretação do Antigo.

        Não se pode interpretar a Bíblia sem nunca tê-la lido. Mas, é isso o que freqüentemente acontece. Intérpretes de plantão estão sempre prontos para discutir a Bíblia. Mas, se você for averiguar quem realmente leu, você tomará um susto. O que eu acho interessante é que, até mesmo pessoas que nunca pegaram numa bíblia, gostam de dar sua opinião teológica como se fosse um especialista no assunto. Existe um ditado popular que diz "médico e louco, todo mundo tem um pouco". Pois bem, eu acrescentaria "médico, teólogo e louco, todo mundo tem um pouco".

        Ao ler a Bíblia, muitos saltam diretamente da fase da observação para a fase da aplicação, passando por cima da etapa essencial da interpretação. Quando a Bíblia não é interpretada corretamente, a teologia do indivíduo ou de toda uma igreja pode ser desorientada ou superficial, e seu ministério, desequilibrado. Se você aplica diretamente uma passagem bíblica sem tomar o cuidado em analisar toda a Bíblia poderá direcionar a sua vida e a dos outros de forma errada.