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segunda-feira, 12 de março de 2012

Estudos em Apocalipse - Aula 3

Nesta aula iniciaremos o estudo sobre as mensagens enviadas às sete igrejas da Ásia. Como já falamos anteriormente, o número sete aparece várias vezes na Bíblia e, especialmente no livro de Apocalipse, aparece cerca de trinta vezes. Assim, todas as vezes que aparecerem referências ao número sete, não devemos considerar somente o ponto de vista literal, mas analisar pela perspectiva de um símbolo que representa uma generalização ou uma ideia de perfeição. Vejamos o versículo 4:

“João às sete igrejas da província da Ásia: A vocês, graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono” (Ap 1:4).

Observamos que João faz uma saudação bem conhecida no meio cristão: “Graça e Paz”. Esta saudação é a mais utilizada em todo o Novo Testamento. Aqui encontramos algo importante para nosso aprendizado. A palavra “GRAÇA” pode significar pelo menos oito coisas:

1)    O amor de Deus que salva as pessoas e as conserva unidas com ele {Ef 2.5,8; Tt 2.11}.
2)    A soma das bênçãos que uma pessoa, sem merecer, recebe de Deus. {Lc 6:35; At 14:17} .
3)    A influência sustentadora de Deus que permite que a pessoa salva continue fiel e firme na fé. {Rm 5.17; 2Co 12.9}.
4)    Louvor; gratidão {Sl 147.7; Mt 11.25}.
5)    Boa vontade; aprovação; MERCÊ {Gn 6.8; Lc 1.30; 2.52}.
6)    Beleza {Pv 31.30}.
7)    Bondade {Ef 2.7}.
8)    "De graça" é "sem pagar" {Mt 10.8}.

A palavra “PAZ” é outra muito importante no contexto do Evangelho. Cristo veio trazer a paz entre todos os homens e a reconciliação com Deus:

Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação. Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus. (2 Co 5:18-20).

O Evangelho é algumas vezes chamado de “evangelho da paz” (At 10:36; Ef 6:15). O apóstolo Paulo explica muito bem isso quando expõe que a cruz de Cristo derrubou a principal barreira que separava os homens, a religião. O judaísmo representava a principal religião da época. Por causa do orgulho religioso, os judeus se consideravam “os salvos e escolhidos” e consideravam os outros como “incircuncisos”, significando que os não judeus não tinham a marca de Abraão e, portanto, não eram aceitos por Deus. Também eles discriminavam os Samaritanos, porque era uma nação formada pela mistura de judeus, assírios e babilônicos. Os samaritanos cultuavam o Deus de Israel e também outros deuses pagãos. As outras nações ao redor de Israel também tinham suas religiões, algumas conhecidas até hoje como: budistas, hinduístas, animistas etc. Jesus veio derrubar essas barreiras e formar um novo homem, a igreja. No corpo de Cristo não há judeu nem grego, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos são um no Senhor (Rm 10:12; Gl 3:28; Cl 3:11).

Portanto, lembrem-se de que anteriormente vocês eram gentios por nascimento e chamados incircuncisão pelos que se chamam circuncisão, feita no corpo por mãos humanas, e que naquela época vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, sendo estrangeiros quanto às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo. Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade, anulando em seu corpo a lei dos mandamentos expressa em ordenanças. O objetivo dele era criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruiu a inimizade. Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto, pois por meio dele tanto nós como vocês temos acesso ao Pai, por um só Espírito. Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus (Efésios 2:11-19).

Para meditar e responder:
a)   Como nós, os cristãos modernos, estamos agindo quando evangelizamos os outros? Será que estamos agindo como os judeus daquela época, sendo separatistas religiosos, ou agindo como Jesus?
b)   Quando evangelizamos, estamos mais preocupados em defender o nome de uma denominação cristã ou em divulgar o Evangelho de Paz para o conhecimento das pessoas?
c)   Será que estamos tendo paciência para evangelizar, tratando as pessoas com amor, paz e alegria no Espírito? Ou simplesmente queremos criticar e julgar antes de amar o próximo?

Continuando com a análise do verso 4, temos:

“João às sete igrejas da província da Ásia: A vocês, graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono” (Ap 1:4).

A expressão “daquele que é, que era e que há de vir”, significa a eternidade de Deus. Uma referência a Deus Pai que dá o verdadeiro significado do nome Javé (Jeová). Ele é o Deus eternamente existente e imutável. Javé (YHWH, hebraico), cuja tradução mais provável é "o Eterno" ou "o Deus Eterno", existe por si mesmo, que não tem princípio nem fim.

A expressão “dos sete espíritos que estão diante do seu trono” é de difícil interpretação e há mais três referências aos “sete espíritos” no livro: (3:1, 4:5 e 5:6). Muitos intérpretes sugerem algumas explicações:

a)   Segundo a tradição judaica e alguns livros apócrifos, seriam sete arcanjos que atuam como mensageiros especiais de Deus, conforme o livro de Tobias da Bíblia Católica (Tb 12:15);
b)   Seria um simbolismo dos atributos de Jesus que atuam sobre o planeta, como em Ap 5:6 que diz que os sete olhos do Cordeiro são os sete espíritos enviados para toda a terra;
c)   Seria um simbolismo do Espírito Santo, uma vez que sete é o número da perfeição e inteireza. Essa expressão descreve Deus Espírito em sua plenitude, que atua de várias maneiras no universo. Esta é a interpretação mais aceita.


O versículo 5, diz:

“e de Jesus Cristo, que é a testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos e o soberano dos reis da terra. Ele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados por meio do seu sangue” ( Ap 1:5).

Temos aqui uma descrição clara de Deus Filho, que é uma Testemunha confiável. Como primogênito dos mortos, ele foi o primeiro a ressuscitar dentre os mortos e nunca mais morrerá. A Bíblia diz que as pessoas que foram ressuscitadas voltaram a morrer, pois era uma ressurreição temporária, pois aguardavam uma ressurreição melhor (Hb 11:35).

Jesus ocupa o lugar de honra e superioridade entre todos que são ressuscitados dentre os mortos para desfrutar vida eterna. Também é Soberano sobre todos os reis da terra. A Bíblia afirma que Deus exaltou o nome de Jesus acima de tudo e todos; e toda língua confessará que Jesus é Senhor para a Glória de Deus Pai. (Fp 2:9-11).
Ele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados por meio do seu sangue”.

Observe que o texto se refere à liberdade conquistada por Cristo na Cruz em nosso favor. Esse foi um ato de amor. Jesus disse “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos’’ (Jo 15:13). Foi pago um alto preço para que nós tivéssemos liberdade, e o preço foi o sangue do Filho de Deus.

A bíblia diz que sem sangue não há remissão (perdão) de pecados (Hb 9:22). Era o que a Lei de Deus exigia, pois foi com sangue que Moisés firmou a primeira aliança logo após receber os mandamentos de Deus (Hb 9:19; Ex 24:7-8). Na Antiga Aliança o sacerdote oferecia o sangue de animais para o perdão dos pecados do povo. Tudo aquilo era uma figura para a realidade que Cristo iria cumprir. A própria Lei de Deus era uma profecia que deveria ser cumprida, e Cristo a cumpriu plenamente. Há uma dificuldade enorme no meio cristão de se entender a Lei de Deus como uma profecia que foi cumprida por Cristo. Por conta disso é que ocorrem as maiores divisões e embates entre os cristãos sobre a Lei e a Graça. É extremamente necessário  para o crescimento do crente e para um bom entendimento desse assunto a leitura da carta aos Hebreus, em especial os capítulos 9 e 10.

Jesus veio cumprir a Lei e ao mesmo tempo nos libertar do pecado e dos efeitos que o pecado causa. A culpa é um desses efeitos terríveis que afetam a nossa mente. O ser humano vive preso por sentimentos de culpa por erros do passado e do presente. Uma vez perdoados por Cristo precisamos nos libertar dos sentimentos de culpa. Isso envolve a fé no sacrifício de Jesus na cruz do calvário. A liberdade em Cristo é um assunto que também precisa ser trabalhado no meio cristão. A culpa é um dos fatores que transformam pessoas em Legalistas Religiosos. Muitos cristãos vivem sem alegria, mesmo estando frequentando uma igreja. O legalista é uma pessoa exigente demais com detalhes e altamente crítico com os outros, pois se considera justo por guardar regras e preceitos e, ao mesmo tempo, esquece-se de guardar aspectos mais importantes como a prática da justiça, da misericórdia e da fé (Mt 23:23).

A liberdade em Cristo também não pode ser confundida com a licenciosidade ou libertinagem, que significa as atitudes desregradas que causam tropeço aos outros. O principio que regulamenta a nossa liberdade é o amor. Por amor ao próximo nós devemos evitar certas atitudes e limitar nossa liberdade. É assim que o apóstolo Paulo explica em 1 Coríntios 10:23-32 e Romanos 14. Portanto, o crente precisa aprender viver uma vida equilibrada, não sendo legalista nem um libertino, mas com um espírito alegre, manso, humilde, trazendo graça aos outros e dando graças a Deus por todas as coisas, mesmo nas dificuldades.

Estudos em Apocalipse - Aula 2

Antes de entrarmos no primeiro capítulo de Apocalipse precisamos entender alguns princípios que facilitarão o nosso entendimento. Antes, porém, precisamos conhecer uma visão panorâmica do livro por meio de um esboço. Existem diversas propostas para esquematizar o livro de Apocalipse. Algumas mais detalhadas outras mais simples. Dividiremos o livro em grandes blocos temáticos para facilitar a nossa memorização:

Esboço


  1. Introdução: (Ap 1:1-3)
  2. As cartas de João para as sete igrejas: (1:4 – 3:22)
  3. Uma descrição do trono celeste: (4:1 – 5:14)
  4. Os sete selos: (6:1 – 8:6)
  5. As sete trombetas: (8:7 – 11:19)
  6. Um parêntese nos acontecimentos, a besta, o falso profeta: (12:1 – 14:20)
  7. As sete taças com os flagelos: (15:1 – 16:21)
  8. A grande meretriz e a besta: (17:1 – 18:24)
  9. A volta de Cristo, o milênio; o juízo final; o novo reino: (19:1 – 22:5)
  10. Conclusão: (22:6-21) 


Grande parte da linguagem de Apocalipse é simbólica. Números, cores, bestas, estrelas, candeeiros, pedras preciosas e outros minerais são usados para representar pessoas, coisas ou verdades.

Felizmente, alguns desses símbolos são explicados de forma clara no próprio livro. As sete estrelas, por exemplo, são os anjos das sete igrejas (Ap 1:20); o grande dragão é o diabo (Ap 12:9). Indicações dos significados de outros símbolos podem ser encontradas em passagens anteriores da Bíblia. Os quatro seres viventes (Ap 4:6b) são quase idênticos aos quatro seres viventes de Ezequiel 1:5-14. Em Ezequiel 10:20, são identificados como querubins. O leopardo, o urso e o leão (Ap 13:2) trazem à memória Daniel 7, onde esses animais selvagens se referem aos impérios da Grécia, Pérsia e Babilônia, respectivamente. Outros símbolos não são explicados claramente nas Escrituras, e devemos usar de grande cautela ao procurar interpretá-los.

 

 

A Numerologia

A Bíblia usa muito o simbolismo numérico. O Apocalipse usa tal recurso de forma intensa, principalmente o número 7. São 7 igrejas, 7 candeeiros, 7 selos, 7 anjos, 7 trombetas, 7 taças, 7 espíritos, 7 estrelas, etc.

Em todas as culturas a numerologia está presente. Especialmente pela influência do matemático e filósofo Pitágoras, que viveu por volta de 550 a.C. Várias filosofias se desenvolveram sob a influência da numerologia, como é o caso da Cabala e muitas outras filosofias esotéricas e místicas que utilizam a gematria, que é o estudo do significado dos números. Muitas pessoas em várias nações se prendem aos números e os utilizam para tentar ler o futuro ou atribuir sorte ou azar. No Antigo Testamento os números são muito utilizados para representar ou simbolizar ações de Deus com a humanidade. Porém, não devemos nos apegar a isso de forma supersticiosa, pois foge do princípio ensinado por Jesus Cristo e os Apóstolos no Novo Testamento. A Bíblia em si, não afirma nem nega significados ocultos aos números, porém alguns significados são determinados pela engenhosidade daqueles que os interpretam. A nossa fé não pode está presa à numerologia e aos símbolos, pois todas essas coisas são sombras e figuras, como explica o apóstolo Paulo em Colossenses 2:8,16-17.

Os números mais relacionados com eventos importantes na Bíblia e que alguns estudiosos atribuíram algum significado são:
 3  = é o número da perfeição divina.
 6 = é o número do homem
 7 = é o número da perfeição espiritual.
 12 =  é o número da perfeição governamental.
 40 = é o número da provação

Os Paralelos na Bíblia

Podemos reconhecer na bíblia uma grande estrutura lógica com início e fim. Fazendo uma comparação com os dias atuais, é como um especialista em computação que organiza e escreve a estrutura de um programa de computador. Ele sabe como se dará o inicio o meio e o fim desse programa, bem como os detalhes de cada pedaço desse fluxo. O que nos deixa muito impressionado é que a bíblia foi escrita por várias pessoas no decorrer de aproximadamente 1500 anos, e que no final, tudo se encaixou perfeitamente. Esta é uma das principais razões pela qual cremos que Deus inspirou homens para escrevê-la, mesmo sem que eles percebessem que tudo fazia parte de uma grande estrutura (Rm 15:4; 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:20-21).

Entre Gênesis e Apocalipse, podemos ver a seguinte correspondência notável:

GÊNESIS
APOCALIPSE
Criação dos céus e da terra (Gn 1:1)
Destruição dos céus e da terra (Ap 20:11b). Criação de novo céu e nova terra (Ap 21:1).
Satanás inicia seu reinado na terra (Gn 3:1-7)
Satanás é lançado no lago de fogo (Ap 20:10)
O pecado entra no mundo (Gn 3:1-7)
O pecado é banido (Ap 21:27)
A criação é amaldiçoada (Gn 3:17-19)
A maldição é removida (Ap 22:3)
O homem perde o acesso à árvore da vida (Gn 3:24b)
O acesso à árvore da vida é restaurado (Ap 22:2,19)
O homem é expulso do jardim do Éden (Gn 3:24a)
O homem é recebido de volta ao Paraíso (Ap 22:1-7)
A morte entra no mundo (Gn 2:17; 3:6)
A morte é removida para sempre (Ap 21:4)
As bodas do primeiro Adão (Gn 2:22; 4:1)
As bodas do último Adão (Ap 19:7)
A tristeza entra no mundo (Gn 3:16)
A tristeza é eliminada (Ap 21:4)

Capitulo 1

Texto: Apocalipse 1:1-3

1.   Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos o que em breve há de acontecer. Ele enviou o seu anjo para torná-la conhecida ao seu servo João
2.   que dá testemunho de tudo o que viu, isto é, a palavra de Deus e o testemunho de Jesus Cristo.
3.   Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo está próximo.

v.1 => Em várias ocasiões Deus se utilizou do ministério dos anjos para trazer revelações aos homens. Em ocasiões especiais o próprio Senhor Jesus trouxe a revelação. Como foi com o apóstolo Paulo, que teve uma visão extraordinária do Senhor que o comissionou para ser o Apóstolo dos gentios (At 26:17-18). Porém, a Bíblia nos alerta que nem toda mensagem é uma revelação de Deus, mesmo que seja trazida por um anjo ou por qualquer espírito que se identifique como um personagem bíblico. Um desses alertas foi dado pelo apóstolo Paulo em Gálatas 1:8-9 e também em 2 Corintios 11:1-15. Muitas religiões e seitas nasceram devido à desobediência a esse alerta.

No decorrer da história humana ocorreram diversas aparições de anjos e de espíritos trazendo outros evangelhos ou deturpações do evangelho de Cristo. Infelizmente esses desavisados ou desobedientes acabaram sendo ludibriados e arrastaram vários para as suas doutrinas. O alerta da bíblia é bem claro: qualquer mensagem que negue ou ultrapasse os princípios do Evangelho de Jesus Cristo não é uma mensagem válida. O problema é que nem todos os cristãos têm o conhecimento e a real convicção do que seja a essência do Evangelho. Isso já estava acontecendo com a igreja de Corinto e o apóstolo Paulo ficou indignado com o comportamento dos irmãos (2 Co 11:1-15). O apóstolo Pedro também alertou que os falsos profetas iriam aparecer para negar que Cristo nos resgatou dos pecados (2 Pe 2:1-3). Também na carta de Judas, o meio-irmão do Senhor, diz para os crentes batalharem “pela fé que de uma vez por todas foi confiada aos santos” (Jd 3), ou seja, tudo o que o cristão necessita como princípio regulador da fé já tinha sido dado e registrado. Nada era para ser acrescentado.

v.2 => João testifica do que viu e afirma que é a Palavra de Deus e o testemunho de Jesus. Isso nos lembra do trecho que está em uma de suas cartas (Leia: 1 João 1:1-4). Nesse trecho da carta observamos que João afirma que “Nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo” e complementa afirmando que isso foi dito para que nossa alegria fosse completa. Então, a pergunta que se faz é: por que apareceram acréscimos logo após a morte dos apóstolos, como por exemplo, o culto a Maria? Segundo os pesquisadores, João foi o último apóstolo a morrer, e isso ocorreu próximo do final do primeiro século. Quando João escreveu suas cartas, já havia se passado vários anos da morte de Jesus e de sua mãe. Segundo a tradição católica, Maria morreu por volta do ano 41 d.C.  Portanto, não encontramos nenhum respaldo bíblico que sustenta a doutrina Mariana conforme o Catolicismo afirma. Nenhuma carta do Novo Testamento registra saudação a Maria tampouco alguns outros dogmas católicos. Essas e muitas outras doutrinas foram acrescentadas após a morte dos apóstolos por alguns de seus discípulos e, no decorrer dos séculos, declaradas como essenciais.

v.3 => Por mais que o livro de Apocalipse revele situações tristes e até mesmo apavorantes para o planeta, inclusive para os fiéis em Cristo, não é isso que o livro deseja para os crentes. Pelo contrário, é afirmado que serão felizes aqueles que leem e os que ouvem as palavras dessa profecia. Milhares de pessoas evitam saber os detalhes sobre o que vai acontecer no futuro. Deus nos ama e nos deixou a Bíblia para que nós tivéssemos uma consolação. As escrituras nos ajudam a entender as coisas, os mistérios, e também ser útil para levar muitas pessoas ao arrependimento e a fé no Evangelho. Conforme os acontecimentos vão se confirmando, muitas pessoas vão dando crédito à bíblia e se convertendo. De certo modo, isso também nos alegra, pois confirma que estamos andando no caminho certo. Ao mesmo tempo serve de alerta para aqueles que estão em dúvida. Isso tudo faz parte do plano de Deus. De maneira semelhante, os descrentes continuarão a praticar o mal e rejeitarão as Palavras de Deus.

Estudos em Apocalipse - Aula 1

Introdução
O estudo do livro de Apocalipse é uma tarefa desafiadora. Para alguns, é um livro tão difícil de entender que não atrai a atenção. Para outros, causa medo devido a várias passagens que falam de morte, sofrimento e destruição. Entretanto, o livro começa com o aviso que diz: “Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito” (Ap 1:3). É nesse espírito de felicidade prometida que devemos encarar o estudo desse livro, pois assim, poderemos compreender muitas coisas que o Senhor Jesus deixou para aqueles que o amam.

A palavra grega “apokalypsis”, que significa “revelação”, é a primeira que aparece no livro, e serve de título para este último e impactante livro da bíblia. O livro de Apocalipse é a consumação das profecias do Antigo Testamento. Está repleto de símbolos e expressões tomadas dos escritos dos profetas que foram favorecidos por revelações referentes ao fim dos tempos, como é o caso de Daniel, Isaias, Ezequiel e Zacarias.

Tema
O enfoque de Apocalipse está claramente na vinda futura de Cristo. A vitória do bem sobre o mal e a restauração de todas as coisas por meio de Jesus. O livro mostra que Deus tem um plano, que termina com a vitória de Cristo. Tudo terminará nas mãos dele, com todo joelho se dobrando diante dele. Isto já fica claro em Ap 1.7. Este é o pano de fundo do livro. Há perseguição em seu enredo, mas cânticos e louvor estão em todo o livro.

Na hora da aflição, as igrejas e os seus membros são estimulados a permanecerem fiéis a Cristo. Exortações à perseverança como essas estão espalhadas por todo o Novo Testamento. Até hoje elas representam uma necessidade e obrigação central da vida cristã autêntica.


Autoria
O autor se declara como sendo João (1:1,4,9; 22:8) e que escreveu por ordem do Senhor Jesus Cristo. Muitos concordam que o autor é, de fato, João, o filho de Zebedeu, um dos doze apóstolos. Mas, alguns estudiosos discordam dessa autoria devido ao estilo gramatical e literário do grego ser inferior e muito diferente ao do Evangelho e das cartas. Quem levantou essa dúvida foi Dionísio de Alexandria no século III. Uma explicação plausível para essa divergência literária é que João pode ter se utilizado de um auxiliar para redigir o evangelho e as cartas, pois era uma prática muito comum naquela época, enquanto que o apocalipse tenha sido escrito de próprio punho, num estado emocional abalado devido à perseguição e o exílio na ilha de Patmos. Dessa forma explicaria o estilo menos polido do grego do livro de Apocalipse. Independente disso, esta obra é atestada como canônica desde os primórdios da igreja.

Data e destinatários
Presume-se que a data tenha sido o ano 95. O local de sua escrita foi Patmos, ilha vulcânica, rochosa e estéril, a 56 km da costa da Ásia Menor (Turquia). Era para onde se enviavam os prisioneiros na época do imperador romano Domiciano (81 a 96). Os destinatários são as sete igrejas da Ásia (em geral, fundadas por Paulo). Era onde a perseguição estava sendo mais cruenta.

 

Métodos de interpretação
O livro de Apocalipse é conhecido como o mais difícil de interpretar. Alguém disse: “Quem não tem dúvida alguma na interpretação de grandes partes de Apocalipse, tem mais coragem do que sabedoria”. Depois de ter encontrado alguns trechos cujo significado não é claro, é melhor dizer: “não entendo”, e esperar pacientemente uma explicação em vez de buscar interpretações forçadas e fantásticas.

É provável que a interpretação do livro se torne mais clara quando chegar o tempo do cumprimento das suas profecias. Na época do Antigo Testamento, o fato da vinda do Messias era um acontecimento sobre o qual todos os fiéis da nação estavam de acordo. Mas, para eles, a profecia messiânica deve ter apresentado muitas dificuldades de interpretação como o livro de Apocalipse apresenta dificuldades a nós. Nem os profetas compreenderam sempre as suas próprias profecias e algumas coisas estavam ocultas para eles, como é o caso do mistério da Igreja que o apóstolo Paulo explica em sua carta aos Efésios (Ef 3:5,9). De forma semelhante, no capítulo dez do livro de Apocalipse, João é proibido de escrever o que os trovões disseram (Ap 10:4). Sobre esse assunto, muitos teólogos fazem especulações, mas nenhum pode afirmar com certeza o que foi dito e o que realmente significa. Acreditamos que no momento certo o Senhor Jesus irá abrir nossas mentes para enxergarmos muitos detalhes que atualmente são obscuros.

Independente da interpretação do livro, há muitas lições valiosas a aprender, muitos avisos a atender, muitas promessas animadoras, que fazem com que o livro de Apocalipse seja de grande valor prático para o cristão. Por exemplo, as mensagens às igrejas contêm instruções práticas que podem ser aplicadas tanto à igreja, como ao indivíduo. Quanto a isto, é aconselhável recordar-se que, sempre é mais proveitoso praticarmos coisas que compreendemos do que procurarmos adivinhar e especular acerca de coisas que não compreendemos.

Diante dessas dificuldades interpretativas, vários teólogos desenvolveram alguns métodos e conceitos. Segundo Champlin (1995) os principais são:

·        PRETERISTA. Esse ponto de vista dá a entender que todas as ocorrências mencionadas no livro de Apocalipse tiveram lugar no Império Romano, no primeiro século de nossa era, embora talvez haja acontecimentos referentes ao segundo século. Alguns supõem que o livro não pode ser uma profecia genuína, mas tão somente um escrito simbólico e uma avaliação mística dos acontecimentos daquela porção do mundo para onde o livro foi originalmente enviado. Alguns estudiosos Católico-romanos também favorecem esse ponto de vista, talvez porque impossibilita a interpretação de alguns protestantes, que fazem do Papa o anticristo (ou falso profeta), além de rejeitar a ideia que a Igreja Católica Romana seja representada por Babilônia (Ap 17 e 18). Alguns estudiosos insistem, por exemplo, que a besta (governante) que sofreu o ferimento de morte era Nero (Ap 13), mas, como bem disse o teólogo Milligan: “todo o tom do livro leva a uma conclusão oposta. Ele trata em grande parte daquilo que estava para acontecer no fim dos tempos... Fica claro que o Apocalipse diz respeito à história da igreja até que esta entre em sua herança celestial”.
·        HISTORICISTA. Assume que todos os acontecimentos previstos no Apocalipse se encaixam em várias épocas da história humana. A séria de “sete” (selos, trombetas, taças e anjos) supostamente representaria sucessivos estágios da história da humanidade, até à volta de Cristo, o que daria fim ao presente ciclo geral. Porém, as explicações sobre os símbolos individuais variam de tal maneira entre os intérpretes que a dúvida acaba enfraquecendo esse próprio método de interpretação.
·        FUTURISTA. Há os “futuristas extremos”, que pensam que o livro inteiro é preditivo, incluindo os capítulos dois e três (as cartas às sete igrejas), que representariam sucessivos estágios da história eclesiástica, até à vinda de Cristo. Mas há os “futuristas moderados”, que admitem que os capítulos dois e três referem-se ao passado (ou ao presente); mas que a começar no quarto capítulo temos o futuro, o que deverá ocorrer imediatamente antes do segundo advento de Cristo. Desde a invenção e do uso das bombas atômicas e da criação das bombas de hidrogênio, muitos intérpretes estão dispostos a considerar a opinião futura. Muitos escritores começaram a se referir a esta era como ”uma era apocalíptica”, por causa das terríveis possibilidades e ameaças de destruição em massa por meio das imensas forças que estão sob o controle de governos ímpios e amorais, e que se assemelham à devastação a ser operada nesta terra pelos juízos profetizados no Apocalipse.
·        SIMBÓLICA ou MÍSTICA. Esse ponto de vista assume que o livro de Apocalipse não é essencialmente profético nem histórico, mas é uma coletânea de símbolos místicos, que visam ensinar lições espirituais e morais. Tais acontecimentos seriam puramente espirituais, podendo “acontecer” em qualquer período histórico. É verdade que o livro realmente tem esta mensagem, mas, certamente, é um livro de profecia, com eventos específicos como o aparecimento do Anticristo, a batalha do Armagedom etc.

Nossa perspectiva neste estudo
Existem verdades em cada um desses métodos de interpretação. Por exemplo, há grandes verdades espirituais em todo o livro, e os primeiros três capítulos devem ser interpretados historicamente. Mas, a maior parte das profecias de Apocalipse ainda aguarda o seu cumprimento. Portanto, o ponto de vista que adotaremos neste estudo é o futurista moderado, mas sem esquecer que João estava escrevendo não somente para o fim desta era, mas também para os cristãos a ele contemporâneos e, de fato, para os crentes de cada geração. O Apocalipse retém sua relevância de modo permanente por causa da possibilidade que tem cada geração sucessiva de ver o cumprimento do livro em suas predições. Também respeitaremos o texto de forma simples, ou seja, o que pode ser considerado como um evento literal, então, essa será nossa primeira opção de interpretação. Caso contrário, consideraremos o evento como uma figura de linguagem e, aguardaremos pacientemente os acontecimentos, na esperança que tudo ficará patente no momento adequado. O que jamais deveria acontecer em nosso meio, mas que infelizmente acaba acontecendo, é de um irmão se aborrecer e afastar-se de outro por causa de uma interpretação profética. Por exemplo, existem irmãos que se separam uns dos outros por discordarem do arrebatamento, do milênio e da tribulação. Respeitar as opiniões dos outros é sempre o mais recomendado. Precisamos compreender e diferenciar o que é essencial, o que é importante e o que é irrelevante, principalmente na teologia. Frequentemente os seres humanos brigam por coisas que consideram importantes e se esquecem das essenciais – especialmente o amor – que é deixado de lado numa rapidez espantosa.

 

Bibliografia:
1.    CHAMPLIN, R.N. O Novo Testamento Interpretado. 1995.
2.    COHEN, Armando Chaves. Estudos sobre o Apocalipse. 2001.
3.    DOCKERY, David S. Manual Bíblico Vida Nova, 2001
4.    FILHO, Isaltino Gomes Coelho. O Apocalipse de João.
5.    GUNDRY, Robert H. Panorama do Novo Testamento. 2 ed. 1998.
6.    MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento, 2008.
7.    PEARLMAN, Myer. Através da bíblia – livro por livro. 1997.
8.    PFEIFFER, Charles; e outros. Dicionário Bíblico Wycliffe, 2007.
9.    POHL, Adolf. Apocalipse de João – Comentário Esperança. 2001.
10. SILVA, Severino. Apocalipse versículo por versículo. 1985