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segunda-feira, 12 de março de 2012

Estudos em Apocalipse - Aula 3

Nesta aula iniciaremos o estudo sobre as mensagens enviadas às sete igrejas da Ásia. Como já falamos anteriormente, o número sete aparece várias vezes na Bíblia e, especialmente no livro de Apocalipse, aparece cerca de trinta vezes. Assim, todas as vezes que aparecerem referências ao número sete, não devemos considerar somente o ponto de vista literal, mas analisar pela perspectiva de um símbolo que representa uma generalização ou uma ideia de perfeição. Vejamos o versículo 4:

“João às sete igrejas da província da Ásia: A vocês, graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono” (Ap 1:4).

Observamos que João faz uma saudação bem conhecida no meio cristão: “Graça e Paz”. Esta saudação é a mais utilizada em todo o Novo Testamento. Aqui encontramos algo importante para nosso aprendizado. A palavra “GRAÇA” pode significar pelo menos oito coisas:

1)    O amor de Deus que salva as pessoas e as conserva unidas com ele {Ef 2.5,8; Tt 2.11}.
2)    A soma das bênçãos que uma pessoa, sem merecer, recebe de Deus. {Lc 6:35; At 14:17} .
3)    A influência sustentadora de Deus que permite que a pessoa salva continue fiel e firme na fé. {Rm 5.17; 2Co 12.9}.
4)    Louvor; gratidão {Sl 147.7; Mt 11.25}.
5)    Boa vontade; aprovação; MERCÊ {Gn 6.8; Lc 1.30; 2.52}.
6)    Beleza {Pv 31.30}.
7)    Bondade {Ef 2.7}.
8)    "De graça" é "sem pagar" {Mt 10.8}.

A palavra “PAZ” é outra muito importante no contexto do Evangelho. Cristo veio trazer a paz entre todos os homens e a reconciliação com Deus:

Tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação, ou seja, que Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo, não lançando em conta os pecados dos homens, e nos confiou a mensagem da reconciliação. Portanto, somos embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por nosso intermédio. Por amor a Cristo lhes suplicamos: Reconciliem-se com Deus. (2 Co 5:18-20).

O Evangelho é algumas vezes chamado de “evangelho da paz” (At 10:36; Ef 6:15). O apóstolo Paulo explica muito bem isso quando expõe que a cruz de Cristo derrubou a principal barreira que separava os homens, a religião. O judaísmo representava a principal religião da época. Por causa do orgulho religioso, os judeus se consideravam “os salvos e escolhidos” e consideravam os outros como “incircuncisos”, significando que os não judeus não tinham a marca de Abraão e, portanto, não eram aceitos por Deus. Também eles discriminavam os Samaritanos, porque era uma nação formada pela mistura de judeus, assírios e babilônicos. Os samaritanos cultuavam o Deus de Israel e também outros deuses pagãos. As outras nações ao redor de Israel também tinham suas religiões, algumas conhecidas até hoje como: budistas, hinduístas, animistas etc. Jesus veio derrubar essas barreiras e formar um novo homem, a igreja. No corpo de Cristo não há judeu nem grego, nem bárbaro nem cita, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos são um no Senhor (Rm 10:12; Gl 3:28; Cl 3:11).

Portanto, lembrem-se de que anteriormente vocês eram gentios por nascimento e chamados incircuncisão pelos que se chamam circuncisão, feita no corpo por mãos humanas, e que naquela época vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, sendo estrangeiros quanto às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo. Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo. Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um e destruiu a barreira, o muro de inimizade, anulando em seu corpo a lei dos mandamentos expressa em ordenanças. O objetivo dele era criar em si mesmo, dos dois, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliar com Deus os dois em um corpo, por meio da cruz, pela qual ele destruiu a inimizade. Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto, pois por meio dele tanto nós como vocês temos acesso ao Pai, por um só Espírito. Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus (Efésios 2:11-19).

Para meditar e responder:
a)   Como nós, os cristãos modernos, estamos agindo quando evangelizamos os outros? Será que estamos agindo como os judeus daquela época, sendo separatistas religiosos, ou agindo como Jesus?
b)   Quando evangelizamos, estamos mais preocupados em defender o nome de uma denominação cristã ou em divulgar o Evangelho de Paz para o conhecimento das pessoas?
c)   Será que estamos tendo paciência para evangelizar, tratando as pessoas com amor, paz e alegria no Espírito? Ou simplesmente queremos criticar e julgar antes de amar o próximo?

Continuando com a análise do verso 4, temos:

“João às sete igrejas da província da Ásia: A vocês, graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, dos sete espíritos que estão diante do seu trono” (Ap 1:4).

A expressão “daquele que é, que era e que há de vir”, significa a eternidade de Deus. Uma referência a Deus Pai que dá o verdadeiro significado do nome Javé (Jeová). Ele é o Deus eternamente existente e imutável. Javé (YHWH, hebraico), cuja tradução mais provável é "o Eterno" ou "o Deus Eterno", existe por si mesmo, que não tem princípio nem fim.

A expressão “dos sete espíritos que estão diante do seu trono” é de difícil interpretação e há mais três referências aos “sete espíritos” no livro: (3:1, 4:5 e 5:6). Muitos intérpretes sugerem algumas explicações:

a)   Segundo a tradição judaica e alguns livros apócrifos, seriam sete arcanjos que atuam como mensageiros especiais de Deus, conforme o livro de Tobias da Bíblia Católica (Tb 12:15);
b)   Seria um simbolismo dos atributos de Jesus que atuam sobre o planeta, como em Ap 5:6 que diz que os sete olhos do Cordeiro são os sete espíritos enviados para toda a terra;
c)   Seria um simbolismo do Espírito Santo, uma vez que sete é o número da perfeição e inteireza. Essa expressão descreve Deus Espírito em sua plenitude, que atua de várias maneiras no universo. Esta é a interpretação mais aceita.


O versículo 5, diz:

“e de Jesus Cristo, que é a testemunha fiel, o primogênito dentre os mortos e o soberano dos reis da terra. Ele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados por meio do seu sangue” ( Ap 1:5).

Temos aqui uma descrição clara de Deus Filho, que é uma Testemunha confiável. Como primogênito dos mortos, ele foi o primeiro a ressuscitar dentre os mortos e nunca mais morrerá. A Bíblia diz que as pessoas que foram ressuscitadas voltaram a morrer, pois era uma ressurreição temporária, pois aguardavam uma ressurreição melhor (Hb 11:35).

Jesus ocupa o lugar de honra e superioridade entre todos que são ressuscitados dentre os mortos para desfrutar vida eterna. Também é Soberano sobre todos os reis da terra. A Bíblia afirma que Deus exaltou o nome de Jesus acima de tudo e todos; e toda língua confessará que Jesus é Senhor para a Glória de Deus Pai. (Fp 2:9-11).
Ele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados por meio do seu sangue”.

Observe que o texto se refere à liberdade conquistada por Cristo na Cruz em nosso favor. Esse foi um ato de amor. Jesus disse “Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos’’ (Jo 15:13). Foi pago um alto preço para que nós tivéssemos liberdade, e o preço foi o sangue do Filho de Deus.

A bíblia diz que sem sangue não há remissão (perdão) de pecados (Hb 9:22). Era o que a Lei de Deus exigia, pois foi com sangue que Moisés firmou a primeira aliança logo após receber os mandamentos de Deus (Hb 9:19; Ex 24:7-8). Na Antiga Aliança o sacerdote oferecia o sangue de animais para o perdão dos pecados do povo. Tudo aquilo era uma figura para a realidade que Cristo iria cumprir. A própria Lei de Deus era uma profecia que deveria ser cumprida, e Cristo a cumpriu plenamente. Há uma dificuldade enorme no meio cristão de se entender a Lei de Deus como uma profecia que foi cumprida por Cristo. Por conta disso é que ocorrem as maiores divisões e embates entre os cristãos sobre a Lei e a Graça. É extremamente necessário  para o crescimento do crente e para um bom entendimento desse assunto a leitura da carta aos Hebreus, em especial os capítulos 9 e 10.

Jesus veio cumprir a Lei e ao mesmo tempo nos libertar do pecado e dos efeitos que o pecado causa. A culpa é um desses efeitos terríveis que afetam a nossa mente. O ser humano vive preso por sentimentos de culpa por erros do passado e do presente. Uma vez perdoados por Cristo precisamos nos libertar dos sentimentos de culpa. Isso envolve a fé no sacrifício de Jesus na cruz do calvário. A liberdade em Cristo é um assunto que também precisa ser trabalhado no meio cristão. A culpa é um dos fatores que transformam pessoas em Legalistas Religiosos. Muitos cristãos vivem sem alegria, mesmo estando frequentando uma igreja. O legalista é uma pessoa exigente demais com detalhes e altamente crítico com os outros, pois se considera justo por guardar regras e preceitos e, ao mesmo tempo, esquece-se de guardar aspectos mais importantes como a prática da justiça, da misericórdia e da fé (Mt 23:23).

A liberdade em Cristo também não pode ser confundida com a licenciosidade ou libertinagem, que significa as atitudes desregradas que causam tropeço aos outros. O principio que regulamenta a nossa liberdade é o amor. Por amor ao próximo nós devemos evitar certas atitudes e limitar nossa liberdade. É assim que o apóstolo Paulo explica em 1 Coríntios 10:23-32 e Romanos 14. Portanto, o crente precisa aprender viver uma vida equilibrada, não sendo legalista nem um libertino, mas com um espírito alegre, manso, humilde, trazendo graça aos outros e dando graças a Deus por todas as coisas, mesmo nas dificuldades.