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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Estudos em Apocalipse - Aula 7



Apocalipse 1:16-18


16 Tinha em sua mão direita sete estrelas, e da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes. Sua face era como o sol quando brilha em todo o seu fulgor.
17 Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: "Não tenha medo. Eu sou o primeiro e o último.
18 Sou aquele que vive. Estive morto mas agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do Hades”.


As sete estrelas aparecem na mão direita do Senhor. O significado de algo estar “em sua mão direita” significa o controle, o poder e também o cuidado. Jesus disse que suas ovelhas estão em sua mão e ninguém poderá arrancá-las dele. Jesus afirma que o Pai é maior que todos e lhe deu as ovelhas para cuidar (Jo 10:28-29). Essa é uma informação importante e mui maravilhosa para o cristão, é o que chamamos de Segurança da Salvação.  A Bíblia afirma que “[...] nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8:38-39). Essa segurança nos traz paz de espírito e confiança, porém muitas vezes é mal compreendida, como uma doutrina que pode trazer relaxamento espiritual e desprezo pelas coisas de Deus. A paz que o Senhor nos prometeu é uma paz diferente (Jo 14:27). O cristão que entende a segurança da salvação de forma correta consegue viver em paz e trabalha para o Senhor com um espírito tranquilo e sereno, e com a gratidão de servi-lo sem ter uma “espada” em sua garganta. O cristão não deve servir ao Senhor por medo, nem por legalismo religioso (cumprimento de regras), nem por barganha (troca de favores), pois a sua alma foi comprada pelo sangue de Jesus, e nada poderá superar esse preço pago.

A expressão “da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes”, é a Palavra de Deus que sai da boca de Jesus. A Bíblia afirma que a Palavra de Deus é como uma espada afiada que penetra profundamente e age com precisão (Hebreus 4:12; Efésios 6:17).  É de dois gumes porque ela agirá de um lado para julgar e condenar os que não se arrependeram (Jo 12:48; Ap 2:16; Ap 19:15), e por outro lado, fará a defesa dos santos (Isaias 33:22; Mateus 25:34).

O seu rosto brilhava como o sol. Quando Jesus levou Pedro, Tiago e João para um monte em particular, eles tiveram o privilégio de ver o rosto do Senhor brilhante como o Sol (Mt 17:1-8). Isso era uma demonstração da glória do Senhor em seu reino. Isso representa a sua divindade autêntica. Moisés, que refletiu parte dessa glória – pois era servo de Deus – recebeu em seu rosto o resplendor do seu Senhor (Ex 34:29; 2 Coríntios 3:7). Todos os salvos resplandecerão como o sol no reino de Deus (Mt 13:43).

No verso 17 João diz: “Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Então ele colocou sua mão direita sobre mim e disse: "Não tenha medo. Eu sou o primeiro e o último”. Até mesmo os grandes personagens bíblicos quando tiveram contato com a glória de Deus, não suportaram o seu resplendor. Isaías, quando viu o Senhor exclamou: “Ai de mim! Estou perdido!” (Isaías 6:5). Daniel teve uma grande visão, e não lhe restaram forças (Dn 10:8-11). Paulo caiu do cavalo e ficou três dias sem enxergar por causa do resplendor de Jesus (Atos 9:1-9). As experiências místicas genuínas revelam que o homem pecador não suporta o encontro com a pureza gloriosa do Senhor. Surge uma sensação de temor, que faz esvaziar e purificar o “eu”. Mas, logo em seguida, a alma é levada ao êxtase. Então segue-se o fortalecimento conferido pelo Senhor. Primeiramente vem o temor, para depois, fortalecido, poder adorá-lo.

A expressão “não tenha medo” ou “não temais” aparece diversas vezes na Bíblia. Jesus disse para não temermos. Ele veio para consolar-nos, dar-nos segurança e auxílio (Mt 10:31; Mt 14:27; Lc 12:32). Porém, existem várias formas de medo e temor. O pecado provoca-nos o medo. Isso é próprio do ser humano. Quando erramos, o medo aparece e nos afastamos de Deus. A primeira ocorrência da palavra medo na Bíblia está em Gênesis 3:10. Quando Adão cometeu o primeiro pecado, disse: “Ouvi os teus passos no jardim e fiquei com medo”. Esse medo é proveniente da nossa consciência da justiça de Deus. Sabemos que Deus é justo e não aceita o pecado. Por esse motivo Jesus veio, para nos purificar de todo o pecado e apresentar-nos inculpáveis diante de Deus (Colossenses 1:22).

No verso 18 diz: “Sou aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para todo o sempre! E tenho as chaves da morte e do Hades”. Jesus afirma que morreu e ressuscitou e está vivo para todo o sempre. Algumas religiões como  o Islamismo, o Espiritismo, o Judaísmo, entre outras, negam essa verdade. A Bíblia, porém, afirma que Jesus ressuscitou ao terceiro dia com o mesmo corpo de carne e ossos (Lucas 24:39).

Jesus tem a chave da morte e do Hades (inferno). Isto significa que Jesus é quem controla a morte física e espiritual. A palavra “morte”, no grego thanatos, se refere a morte do corpo. A palavra “hades”, no grego, se refere ao local dos espíritos. Jesus venceu a morte e também venceu aquele que tinha o poder sobre ela, o diabo (Hebreus 2:14-15). Jesus possui toda autoridade nos céus e na terra (Mt 28:18). A morte e o inferno não exercem qualquer poder sobre Jesus, porquanto ele ressuscitou em poder e glória, não tendo sido retido por uma ou por outra. Seu corpo não viu corrupção e sua alma não foi detida no hades. (Atos 2:27). Ele obteve a vitória, mas não apenas para si mesmo. A sua missão é a redenção humana; por isso é que ele conquistou potencialmente a vitória, em favor de todos os homens. Porém, os homens é que rejeitam a salvação do Senhor, que é de graça, por meio da fé.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Estudos em Apocalipse - Aula 6

Apocalipse 1:14-15


14 Sua cabeça e seus cabelos eram brancos como a lã, tão brancos quanto a neve, e seus olhos eram como chama de fogo.
15 Seus pés eram como o bronze numa fornalha ardente e sua voz como o som de muitas águas.

Jesus aparece com a cabeça e cabelos brancos como a lã e a neve. Isso se assemelha à visão de Daniel:


Enquanto eu olhava, tronos foram postos no lugar, e um ancião se assentou. Sua veste era branca como a neve; o cabelo era branco como a lã. Seu trono ardia em fogo, e as rodas do trono estavam todas incandescentes (Daniel 7:9).

Porém, na visão de Daniel, Deus Pai é representado por um “ancião de dias” com o mesmo simbolismo do cabelo branco como a lã. Essa representação não significa velhice, antes, sugere a eternidade, a pureza e a sabedoria. O Pai e o Filho tem a mesma natureza divina e compartilham dos mesmos atributos. Jesus afirmou: “eu e o Pai somos um” (João 10:30), e também disse a Filipe: “quem me vê a mim, vê o Pai” (João 14:9). O apóstolo Paulo afirma que Jesus é a imagem do Deus invisível (2 Coríntios 4:4; Colossenses 1:15) e que Deus se manifestou em carne (1 Timóteo 3:16). Em Hebreus 1:3 temos que Jesus é a expressa imagem de Deus. Essas passagens fazem parte do fundamento da Doutrina da Trindade. Uma doutrina muito discutida desde o princípio da igreja e, com certeza, muito difícil de explicar em poucas palavras. Mas podemos resumir que Deus é um ser espiritual, que possui três pessoas distintas: O Pai, o Filho e o Espírito Santo. As três são o mesmo Deus, e não são três deuses.

Logo nos primeiros séculos depois de Cristo ocorreram vários concílios (reuniões teológicas) para debater sobre a natureza de Jesus. Por conta disso, vários grupos se formaram a partir daí. Os Arianos, que seguiram a tese do bispo Ário, entendiam que Jesus não é Deus, mas foi a primeira criatura, criado antes de tudo, como um semi-Deus; e que depois, o Espírito Santo foi criado pelo Pai e o Filho. Atualmente essa doutrina é conhecida como Arianismo ou Unitarismo. Atualmente alguns grupos se assemelham a essa doutrina, porém com pequenas diferenças, como é o caso das Testemunhas de Jeová. Esses defendem que Jesus e o arcanjo Miguel são a mesma pessoa e que o Espírito Santo é “uma força” ou “energia de Deus”.

Outro bispo, chamado Sabélio, defendeu a tese de que Deus Pai, Jesus e o Espírito Santo são um e a mesma pessoa.  Para Sabélio, existia um único Deus que se apresentava de vários modos. Por isso, essa doutrina é conhecida como: Sabelianismo, Modalismo ou Unicismo. Atualmente alguns grupos defendem essa doutrina, como é o caso da Igreja Voz da Verdade e da Igreja Pentecostal Unicista.

Existem ainda os que creem que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três deuses separados. Essa doutrina é chamada de Triteísmo. Os Mórmons (A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) adotam essa doutrina.

Como se pode ver, essas doutrinas complexas geraram muita polêmica no campo teológico e continuam causando grande divisão entre o povo que se diz cristão. Todas elas possuem argumentos prós e contras, cada uma sustentando suas teses com versículos bíblicos. As perguntas que podemos fazer são:

1)    O que Jesus Cristo pensa disso tudo?
2)    Como Jesus reagiu às divisões religiosas em sua época?
3)    Será uma estratégia de Deus essa fragmentação para alcançar mais gente?
4)    Será uma estratégia do inimigo para enfraquecer a cristandade?
5)    Quem está com a verdade se todos dizem que têm a verdade?
6)    A salvação de uma pessoa depende de sua posição teológica?
7)    O que Jesus e os apóstolos alertaram a respeito das heresias?
8)    Por quais princípios o crente deve se pautar para não ser confundido?

O essencial é que o crente tenha em mente que o inimigo de Deus quer negar a soberania de Jesus e o resgate pelo seu sangue na cruz, desviando dessa forma a fé salvadora, que é o meio de acesso à graça de Deus. Leia: 2 Pedro 2:1; 2 Coríntios 11:3-5 e Romanos 5:1-2.

Uma das grandes dificuldades de interpretação da Bíblia, especialmente do livro de Apocalipse, é sua grandeza de detalhes e significados. Ora apresentando trechos que podem ser interpretados de forma literal, ora apresentando trechos em que só cabe uma interpretação figurada. Muitos detalhes eram mais claros para os crentes da época, visto que o livro foi escrito inicialmente para eles. Entretanto, outros trechos estão mais claros para os crentes de agora.

Na visão de João, Jesus aparece com “olhos como chama de fogo”. Isto sugere a visão do Senhor onisciente, em que tudo vê, e que sonda a mente e o coração de cada um para retribuir segundo as suas obras, seja o bem ou o mal, pois cada um prestará contas de si mesmo a Deus (Apocalipse 2:23; 2 Coríntios 5:10; Romanos 14:12). Em provérbios 15:3 diz “Os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente os maus e os bons”.

Seus pés eram como o bronze numa fornalha ardente”. Alguns intérpretes sugerem que os pés incandescentes representam o sofrimento de Cristo na terra, visto que ele passou pela fornalha do sofrimento, e foi provado no fogo do juízo de Deus. Outros sugerem que o bronze simboliza o julgamento prestes a sobrevir. Não há consenso entre os estudiosos a esse respeito.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Estudos em Apocalipse - Aula 5



Apocalipse 1:12-13

Voltei-me para ver quem falava comigo. Voltando-me, vi sete candelabros de ouro e entre os candelabros alguém "semelhante a um filho de homem", com uma veste que chegava aos seus pés e um cinturão de ouro ao redor do peito.

João se vira para ver quem está falando com ele e vê Jesus no meio dos sete candelabros (castiçais) de ouro. Esses candelabros representam as sete igrejas, conforme explicado mais adiante em Apocalipse 1:20. Observa-se que o ouro está presente em várias referências bíblicas. Esse metal representa preciosidade e pureza. No Antigo Testamento várias peças do templo eram banhadas a ouro e alguns itens das vestes dos sacerdotes eram feitas de ouro.

João vê Jesus como “filho do homem”. Esta expressão representa a natureza humana de Jesus como também um símbolo messiânico.  No Antigo Testamento, especialmente no livro de Ezequiel, esta expressão é usada quando Deus se dirige ao profeta para falar à Nação de Israel. Nos Evangelhos, encontra-se essa expressão sendo usada pelo próprio Jesus quando se referia a si mesmo. Era de sua preferência usar esse título, pois além de retratar sua grande associação com os homens, destaca também sua natureza transcendental. Jesus estava ali cumprindo as profecias referentes ao messias e ao mesmo tempo dando uma ideia abrangente em relação às nações, especialmente a sua autoridade e poder sobre toda a terra.

Observa-se também que Jesus aparece no meio dos candelabros. Em vários versículos Jesus aparece como a figura central. Ele é visto no “meio” das igrejas (2:1); no “meio” do trono (5:6) e novamente no “meio” do trono em outra visão (7:17). Isto demonstra que o tema central de toda a revelação de Deus é o Senhor Jesus. Isto é, aquele que viveu e andou entre os homens como o Filho do Homem, contudo, sempre no “meio”. Ele mesmo disse que “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18:20). Agora, porém, no Apocalipse é um quadro de Cristo, o Filho de Deus, que está assentado no “meio” do trono, à direita de Deus.

É importante salientar que toda a Escritura Sagrada, ou seja, o Antigo e Novo Testamento tem a pessoa de Jesus Cristo como chave de interpretação bíblica – ou cristocêntrica - o centro de tudo. Isto significa que, para se compreender a Bíblia corretamente, deve-se usar a “lente de Cristo”. Isto quer dizer que, aquilo que não se parece com a mente de Cristo, em seu modo de pensar e agir, então, não deve ser considerado uma interpretação válida, mesmo que pareça convincente. Sem essa forma de olhar a Bíblia, toda e qualquer interpretação gerará uma falsa doutrina. Inúmeras religiões, denominações e seitas surgiram por causa desse descuido. Jesus afirmou aos judeus da época que mesmo eles conhecendo bem as Escrituras, não sabiam interpretá-la, pois Ela (a Escritura) testificava dele e eles não a tinham compreendido:
 Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida (João 5:39-40).
 Contudo, não pensem que eu os acusarei perante o Pai. Quem os acusa é Moisés, em quem estão as suas esperanças. Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito. Visto, porém, que não creem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo? (João 5:45-47).
 Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. (Mateus 22:29).

Outro fator importante para uma boa compreensão bíblica é que a revelação de Deus é progressiva, ou seja, o Novo Testamento possui uma melhor revelação de Jesus e do Evangelho que o Antigo Testamento. Portanto, os cristãos, devem ter o Novo Testamento como foco principal, pois o Espírito Santo revelou aos apóstolos coisas que estavam ocultas nos textos Antigos, conforme explica o apóstolo Paulo em Efésios 3:3-6:

isto é, o mistério que me foi dado a conhecer por revelação, como já lhes escrevi brevemente. Ao lerem isso vocês poderão entender a minha compreensão do mistério de Cristo. Esse mistério não foi dado a conhecer aos homens doutras gerações, mas agora foi revelado pelo Espírito aos santos apóstolos e profetas de Deus, a saber, que mediante o evangelho os gentios são co-herdeiros com Israel, membros do mesmo corpo, e co-participantes da promessa em Cristo Jesus (Efésios 3:3-6).

Concluindo o texto do verso 13, observa-se que Jesus aparece com vestes compridas “que chegava aos seus pés e um cinturão de ouro ao redor do peito”. Essas vestes compridas representam Cristo como Sumo Sacerdote, Juiz e Rei. No oriente as vestes longas simbolizam a dignidade e a honra.

Em Isaias 11:5 diz “a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins”. O cinto era um dos itens da veste sacerdotal e um antigo símbolo para indicar poder, dignidade, retidão e veracidade. O cinto de Cristo é de ouro, que simboliza preciosidade e pureza, conforme já dito anteriormente.