Pesquisar este blog

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Estudos em Apocalipse - Aula 5



Apocalipse 1:12-13

Voltei-me para ver quem falava comigo. Voltando-me, vi sete candelabros de ouro e entre os candelabros alguém "semelhante a um filho de homem", com uma veste que chegava aos seus pés e um cinturão de ouro ao redor do peito.

João se vira para ver quem está falando com ele e vê Jesus no meio dos sete candelabros (castiçais) de ouro. Esses candelabros representam as sete igrejas, conforme explicado mais adiante em Apocalipse 1:20. Observa-se que o ouro está presente em várias referências bíblicas. Esse metal representa preciosidade e pureza. No Antigo Testamento várias peças do templo eram banhadas a ouro e alguns itens das vestes dos sacerdotes eram feitas de ouro.

João vê Jesus como “filho do homem”. Esta expressão representa a natureza humana de Jesus como também um símbolo messiânico.  No Antigo Testamento, especialmente no livro de Ezequiel, esta expressão é usada quando Deus se dirige ao profeta para falar à Nação de Israel. Nos Evangelhos, encontra-se essa expressão sendo usada pelo próprio Jesus quando se referia a si mesmo. Era de sua preferência usar esse título, pois além de retratar sua grande associação com os homens, destaca também sua natureza transcendental. Jesus estava ali cumprindo as profecias referentes ao messias e ao mesmo tempo dando uma ideia abrangente em relação às nações, especialmente a sua autoridade e poder sobre toda a terra.

Observa-se também que Jesus aparece no meio dos candelabros. Em vários versículos Jesus aparece como a figura central. Ele é visto no “meio” das igrejas (2:1); no “meio” do trono (5:6) e novamente no “meio” do trono em outra visão (7:17). Isto demonstra que o tema central de toda a revelação de Deus é o Senhor Jesus. Isto é, aquele que viveu e andou entre os homens como o Filho do Homem, contudo, sempre no “meio”. Ele mesmo disse que “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18:20). Agora, porém, no Apocalipse é um quadro de Cristo, o Filho de Deus, que está assentado no “meio” do trono, à direita de Deus.

É importante salientar que toda a Escritura Sagrada, ou seja, o Antigo e Novo Testamento tem a pessoa de Jesus Cristo como chave de interpretação bíblica – ou cristocêntrica - o centro de tudo. Isto significa que, para se compreender a Bíblia corretamente, deve-se usar a “lente de Cristo”. Isto quer dizer que, aquilo que não se parece com a mente de Cristo, em seu modo de pensar e agir, então, não deve ser considerado uma interpretação válida, mesmo que pareça convincente. Sem essa forma de olhar a Bíblia, toda e qualquer interpretação gerará uma falsa doutrina. Inúmeras religiões, denominações e seitas surgiram por causa desse descuido. Jesus afirmou aos judeus da época que mesmo eles conhecendo bem as Escrituras, não sabiam interpretá-la, pois Ela (a Escritura) testificava dele e eles não a tinham compreendido:
 Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida (João 5:39-40).
 Contudo, não pensem que eu os acusarei perante o Pai. Quem os acusa é Moisés, em quem estão as suas esperanças. Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeito. Visto, porém, que não creem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo? (João 5:45-47).
 Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus. (Mateus 22:29).

Outro fator importante para uma boa compreensão bíblica é que a revelação de Deus é progressiva, ou seja, o Novo Testamento possui uma melhor revelação de Jesus e do Evangelho que o Antigo Testamento. Portanto, os cristãos, devem ter o Novo Testamento como foco principal, pois o Espírito Santo revelou aos apóstolos coisas que estavam ocultas nos textos Antigos, conforme explica o apóstolo Paulo em Efésios 3:3-6:

isto é, o mistério que me foi dado a conhecer por revelação, como já lhes escrevi brevemente. Ao lerem isso vocês poderão entender a minha compreensão do mistério de Cristo. Esse mistério não foi dado a conhecer aos homens doutras gerações, mas agora foi revelado pelo Espírito aos santos apóstolos e profetas de Deus, a saber, que mediante o evangelho os gentios são co-herdeiros com Israel, membros do mesmo corpo, e co-participantes da promessa em Cristo Jesus (Efésios 3:3-6).

Concluindo o texto do verso 13, observa-se que Jesus aparece com vestes compridas “que chegava aos seus pés e um cinturão de ouro ao redor do peito”. Essas vestes compridas representam Cristo como Sumo Sacerdote, Juiz e Rei. No oriente as vestes longas simbolizam a dignidade e a honra.

Em Isaias 11:5 diz “a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins”. O cinto era um dos itens da veste sacerdotal e um antigo símbolo para indicar poder, dignidade, retidão e veracidade. O cinto de Cristo é de ouro, que simboliza preciosidade e pureza, conforme já dito anteriormente.