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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Estudos em Apocalipse - Aula 11

Apocalipse 2:12-17


12 “Ao anjo da igreja em Pérgamo escreva:“Estas são as palavras daquele que tem a espada afiada de dois gumes.
13 Sei onde você vive — onde está o trono de Satanás. Contudo, você permanece fiel ao meu nome e não renunciou à sua fé em mim, nem mesmo quando Antipas, minha fiel testemunha, foi morto nessa cidade, onde Satanás habita.
14 “No entanto, tenho contra você algumas coisas: você tem aí pessoas que se apegam aos ensinos de Balaão, que ensinou Balaque a armar ciladas contra os israelitas, induzindo-os a comer alimentos sacrificados a ídolos e a praticar imoralidade sexual.
15 De igual modo você tem também os que se apegam aos ensinos dos nicolaítas.
16 Portanto, arrependa-se! Se não, virei em breve até você e lutarei contra eles com a espada da minha boca.
17 “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei do maná escondido. Também lhe darei uma pedra branca com um novo nome nela inscrito, conhecido apenas por aquele que o recebe.

A cidade de Pérgamo (atual Bergama, na Turquia), foi uma importante cidade da antiga Grécia, onde se localizava uma das mais importantes bibliotecas do mundo antigo e um dos maiores centros da cultura grega. Acredita-se que em Pérgamo foi inventado o Pergaminho (material mais resistente feito de pele de animal), que substituiu o Papiro (material feito de uma planta), onde se escrevia os documentos, especialmente as Escrituras.

Jesus é aquele que tem a espada afiada de dois gumes. Novamente encontramos um dos atributos do Senhor Jesus que foram estudados na aula sete (Ap 1:16). A Palavra de Jesus é como uma espada afiada que penetra profundamente e age com precisão (Hebreus 4:12; Efésios 6:17). É de dois gumes porque ela agirá de um lado para julgar e condenar os que não se arrependeram (Jo 12:48; Ap 2:16; Ap 19:15), e por outro lado, fará a defesa dos santos (Isaias 33:22; Mateus 25:34).

Jesus afirma que nessa cidade está o trono de Satanás. Nessa cidade foram erguidos vários templos idólatras. Os imperadores eram considerados deuses, e estes, por sua vez, adoravam deuses da mitologia grega como: Zeus, Ártemis, Cronos, Afrodite, Poseidon etc. Todas aquelas doutrinas eram contra Cristo e o Evangelho. A religião gnóstica era forte nessa época. Os apóstolos batalharam contra essa doutrina em várias de suas cartas, como podemos constatar nas cartas aos Colossenses, 1º  e 2º Timóteo, 2º Pedro, 1º e 2º João e Judas.

Jesus se refere a Antipas, um servo fiel, que foi morto pelos inimigos do Evangelho. Não se tem documentação suficiente sobre a identidade desse homem de Deus. Sabe-se pelo texto que ele foi uma fiel testemunha. Supomos que ele foi um grande líder e que morreu de forma trágica. Existe uma história, que não se sabe se é verdadeira, que um bispo chamado Antipas, foi colocado dentro de um boi de bronze que foi aquecido até ficar incandescente.

A igreja de Pérgamo é elogiada por se manter fiel mesmo depois da perseguição e angústia com a morte de Antipas. Mas, Jesus faz um alerta dizendo que existem pessoas dentro dessa igreja que são corruptas. Elas seguem a doutrina de Balaão e dos Nicolaítas. A doutrina de Balaão refere-se à história do Velho Testamento. Os israelitas, ao chegarem perto da terra prometida, acamparam-se nas campinas de Moabe, e os moabitas e midianitas ficaram amedrontados. O Rei Balaque chamou Balaão para amaldiçoar o povo, mas Deus frustrou todas as suas tentativas de falar contra os israelitas. Balaão desistiu de suas maldições, mas procurou outra maneira de vencer o povo de Israel. Deu o conselho de convidá-los a participarem de uma festa idólatra. Na festa, muitos israelitas se envolveram na idolatria e na imoralidade, e Deus mandou uma praga que matou 24.000 israelitas (Números cap. 22 a 25; 31:16).

O alerta foi feito por Jesus para que os membros da igreja de Pérgamo arrependessem dos seus pecados, senão seriam castigados pela espada (palavra) que sai de sua boca. Esse alerta também serve para os nossos dias. Precisamos ficar atentos contra certas práticas que vão se infiltrando em nossas igrejas semelhantes às que estamos estudando agora. Observe que Jesus está falando contra a idolatria, a corrupção e a imoralidade. Muitas igrejas modernas já incorporaram essas práticas em seu seio e por serem tolerantes com esses pecados, atraem muitos membros. O ídolo pode ser o dinheiro, a fama, um líder religioso ou objetos e imagens. A corrupção pode ser a maneira mais rápida de se adquirir posições de autoridade. A imoralidade sexual está sendo tolerada em nome de um amor livre e sem barreiras, com o argumento de que o mais importante é amar, mesmo que seja contra a natureza criada por Deus (Rm 1:18-32).

A carta termina com a promessa de que os vencedores receberão do maná escondido. Isso faz referência ao próprio Senhor Jesus, que afirma que Ele é o maná que desceu do Céu. Quem for até Ele nunca terá fome e quem Nele crê nunca terá sede (Jo 6:30-35,41-59).

A pedrinha branca pode incluir vários significados: a) pedras brancas foram usadas para indicar a inocência de pessoas acusadas de crimes; b) pedras brancas foram dadas a escravos libertados para mostrar sua cidadania; c) foram usadas pelos romanos como um tipo de ingresso para alguns eventos; d) também foram dadas aos vencedores de corridas e aos vitoriosos em batalha. Todos esses significados podem ser aplicados aos vencedores em Cristo Jesus.

Deus atribuiu outros nomes para algumas pessoas que foram abençoadas por Ele: Abrão-Abraão; Sarai-Sara; Jacó-Israel e Simão-Pedro. Isso simboliza uma nova vida e direção. O detalhe aqui é que somente aquele que recebe a pedra branca é que saberá esse novo nome.

Estudos em Apocalipse - Aula 10

Apocalipse 2:8-11


8 “Ao anjo da igreja em Esmirna escreva: “Estas são as palavras daquele que é o Primeiro e o Último, que morreu e tornou a viver.
9 Conheço as suas aflições e a sua pobreza; mas você é rico! Conheço a blasfêmia dos que se dizem judeus, mas não são, sendo antes sinagoga de Satanás.
10 Não tenha medo do que você está prestes a sofrer. O Diabo lançará alguns de vocês na prisão para prová-los, e vocês sofrerão perseguição durante dez dias. Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida.
11 “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. O vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte”.

A carta à igreja de Esmirna começa com a recordação de um dos atributos de Jesus que foram estudados em aulas anteriores (Ap 1:17-18). Ele é o primeiro e o último, ou seja, o início e o fim de todas as coisas. Significa que o que Ele começou Ele irá terminar. Isso equivale às palavras “Eu sou o alfa e ômega” que são aplicadas a Deus Pai no versículo oito. Jesus, em sua oração ao Pai, declara que já existia antes de o mundo existir (João 17:5). A Bíblia afirma que Jesus é criador e não criatura. Que todas as coisas foram feitas por ele e para ele (Cl 1:16). Também que Ele morreu e ressurgiu para todo o sempre para o perdão de nossos pecados.

A cidade de Esmirna existe até hoje. É uma cidade portuária e uma das mais antigas do mundo. Disputava com Éfeso e Pérgamo a fama de ser a maior cidade da Ásia. Na época de João era um grande centro comercial. O nome ‘Esmirna” significa “mirra”, uma fragrância usada no fabrico de perfumes e em embalsamamentos.

Essa cidade caracterizou-se pela forte oposição e resistência ao cristianismo no primeiro século de nossa era. A igreja local originou-se da grande colônia judaica ali estabelecida. No ano 159 d.C, Policarpo, discípulo do apóstolo João, era o líder dessa igreja. Ele foi colocado na arena dos jogos olímpicos para que negasse a Jesus Cristo e declarasse fidelidade ao imperador como seu deus. Como ele se negou a fazer isso, foi executado. Seu testemunho ficou conhecido na história e motivou vários crentes da época a seguirem seu exemplo, tornando-se também mártires. Aquele período foi terrível para a igreja de Jesus. Muitos crentes foram mortos de forma brutal.

Jesus diz que conhece as obras, a tribulação e a pobreza (material) dessa igreja, mas a elogia dizendo que ela é rica (espiritualmente). Ao contrário da igreja de Laodicéia, que era rica materialmente, mas pobre espiritualmente. Jesus conhece todas as igrejas, de todas as épocas. Ele sabe o que está acontecendo com cada uma delas.  O que intriga muita gente é entender os motivos pelos quais Jesus permite que suas igrejas passem por tribulações. Hoje, devido à teologia da prosperidade, muitas pessoas não aceitam que uma igreja seja sofredora, materialmente pobre e que nem mesmo seus membros sofram derrotas, enfermidades e mortes. Atualmente, uma igreja que passa por isso é considerada fraca e sem “poder do Espírito”. É bem verdade que muitas coisas ruins acontecem como consequência de nossos atos, contudo outras acontecem porque Deus tem um propósito com as adversidades. Nada acontece por acaso.

No caso de Esmirna, Jesus afirma que ela sofreria, mas que não devia temer o que iria sofrer, pois o Diabo lançaria alguns na prisão para que fossem tentados. Deus permite uma situação adversa, pois ela é necessária na vida do crente. Gostaríamos que todas as situações desagradáveis fossem evitadas, e até oramos por isso. Muitas vezes questionamos a Deus por que Ele não atende às nossas orações. Uma das respostas é porque precisamos passar por determinadas situações para crescermos espiritualmente. O exemplo clássico é a história de Jó. Também com a tribulação Deus testa o falso e o verdadeiro, separa o Joio do Trigo. Na mente de muita gente isso não poderia acontecer. Mas, observe que Deus sabe até a duração da tribulação: “Tereis uma tribulação de dez dias”.  Perseguição e morte por causa de Jesus faz parte da história da igreja. Lembre-se de que ainda estamos vivendo esta história. O final ainda não chegou. Os propósitos soberanos de Deus não são totalmente compreendidos, mas devemos ter a confiança de que Ele está no controle de todas as coisas e não ficarmos murmurando. Tudo tem um “o quê”, um “porquê” e um “para quê”.  O apóstolo Paulo diz que “a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança” (Rm 5:3-4).

Jesus afirma que existem pessoas que se dizem judeus, e não o são, antes, porém, são sinagoga de Satanás. O apóstolo Paulo diz que “não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é meramente exterior e física. Não! Judeu é quem o é interiormente, e circuncisão é a operada no coração, pelo Espírito, e não pela Lei escrita” (Romanos 2:28-29). De semelhante modo, dentro e fora das igrejas, existem pessoas que são inimigas de Cristo. Jesus chama essas pessoas de “Sinagoga de Satanás”, ou seja, uma reunião de gente inimiga. A palavra “Satanás” significa “inimigo”. Os judeus incrédulos se reuniam para discutir como iriam destruir os cristãos. Eles se aliaram ao governo do imperador para acabar com todos os cristãos. Esse tempo foi terrível para os fieis. Nos últimos também serão.

Seja fiel até a morte, e lhe darei a coroa da vida”. É dito que eles sofreriam uma perseguição de dez dias. Um tempo estava determinado para esse sofrimento. Uma vez aprovados, seriam coroados pelo Senhor. Ainda que sejamos mortos por causa do Evangelho, reviveremos para a vida eterna com o nosso Senhor Jesus Cristo. Para um verdadeiro cristão, as coisas celestiais e eternas são mais importantes do que as terrenas e temporárias.

A carta termina com a promessa para todo o crente fiel: “não sofrerá a segunda morte”. A segunda morte é a morte eterna – a separação definitiva de Deus – (2 Ts 1:9), em contraste com a primeira morte, que é a morte do corpo.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Estudos em Apocalipse - Aula 9

Introdução ao capítulo 2

A partir do capítulo dois do livro de Apocalipse iniciaremos uma nova fase de estudos. Muitos conceitos teológicos que servem de base para um bom entendimento do livro foram vistos detalhadamente no capítulo anterior, especialmente as declarações feitas a respeito da natureza e dos atributos de Jesus Cristo. Em cada carta destinada às igrejas encontraremos breves repetições desses atributos de Jesus.

Apocalipse 2:1-7 (carta à igreja de Éfeso):

1 “Ao anjo da igreja em Éfeso escreva: “Estas são as palavras daquele que tem as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os sete candelabros de ouro.
2 Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos, mas não são, e descobriu que eles eram impostores.
3 Você tem perseverado e suportado sofrimentos por causa do meu nome, e não tem desfalecido.
4 “Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor.
5 Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele.
6 Mas há uma coisa a seu favor: você odeia as práticas dos nicolaítas , como eu também as odeio.
7 “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei o direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus”

Éfeso era a capital da província romana da Ásia, famosa por seu templo de Diana ou Ártemis. Esse templo foi considerado uma das sete maravilhas do mundo. Éfeso era um grande centro comercial e turístico, principalmente devido às visitações e venerações a essa deusa. O apóstolo Paulo e seus companheiros de viagem quase foram mortos pela população idólatra, que se revoltou por causa das mensagens evangelísticas de libertação da idolatria. As mensagens prejudicavam a venda de imagens e, consequentemente, o sustento daquele povo (Atos 19:23-40).

O apóstolo Paulo se dedicou muito a essa igreja e batalhou incessantemente para protegê-la. Ele escreveu uma belíssima carta aos crentes de lá, onde explicou o verdadeiro significado da Igreja. A igreja não é um prédio, ou uma denominação. De acordo com a Bíblia, a igreja é o Corpo de Cristo, ou seja, todos aqueles que já colocaram sua fé em Jesus Cristo para salvação (Ef 1:22-23; 1 Co 1:2; 12:13; Cl 1:24). Há membros da igreja universal (O Corpo de Cristo) em igrejas locais. Sabemos que o conceito da palavra “igreja” foi-se alterando com o passar do tempo, principalmente pela influência da tradição da Igreja Católica, que inseriu em seus rituais uma semelhança com o culto do Velho Testamento: o padre é um sacerdote que se veste com uma roupa especial e faz o “sacrifício da missa” etc. Algumas igrejas protestantes também herdaram essa ideia. Com a chegada do movimento neopentescostal na década de 70 acentuou-se ainda mais essa comparação com o Velho Testamento. Porém, não existe esse conceito no Novo Testamento. Os rituais e elementos do culto Israelita eram ilustrações (figuras) para a realidade, que é Cristo. Tudo isso é explicado na carta aos Hebreus nos capítulos 9 e 10.

Nos versos 2 e 3 Jesus elogia a igreja pelo seu trabalho árduo e por sua perseverança nos sofrimentos por causa do nome Dele. Também a elogia por ter resistido aos falsos apóstolos (impostores). O apóstolo Paulo tinha profetizado que depois de sua partida “lobos cruéis” entrariam no seio da igreja de Éfeso para desviá-la do rumo certo (At 20:29-31). Jesus a elogia, ainda, por ela detestar as práticas dos Nicolaítas.

Sobre os Nicolaítas, existem várias teorias que tentam explicar a origem dessa seita, mas todas são especulações:
a)      Alguns sugerem que foi um dos diáconos (Nicolau) que se desviou e ensinou coisas erradas na igreja. Mas isso não tem apoio nas Escrituras, pois Nicolau foi escolhido como um homem cheio de fé e do Espírito Santo (Atos 6:5).
b)     Outros veem tais pessoas como sendo defensores do gnosticismo. Seita que procurava infiltrar-se nas igrejas e negar a humanidade de Jesus e o seu sacrifício redentor, afirmando que a salvação é por meio do conhecimento (gnose) e não pela fé em Cristo. O próprio apóstolo João escreveu sobre essa doutrina em suas cartas (1 João 4:1-6; 2 João 7).
c)     Outros interpretam pela derivação do nome “nicolaítas” que significa “dominadores do povo”, afirmando que se tratava de um grupo que promovia uma hierarquia eclesiástica (clero) com poderes políticos para dominar o povo leigo como aconteceu com a Igreja Católica.
d)     Por último sugere-se que o estilo de vida dos Nicolaítas se caracterizava pela imoralidade sexual, pela participação em comer alimentos oferecidos aos ídolos e pela perversão da verdade (2.14-16).

No verso quatro Jesus alerta sobre o problema daquela igreja: “você abandonou o primeiro amor”. Isso significa que ela parou de praticar as obras que fazia no início com dedicação e visão espiritual. Esse é um alerta para todas as igrejas e seus membros que caem no formalismo e na frieza espiritual. Infelizmente aconteceu o que estava previsto caso não se arrependesse, ou seja, a remoção do seu candelabro do lugar. Atualmente, na Turquia, a religião predominante é o Islamismo e no lugar onde existia uma igreja existe uma mesquita muçulmana.

No final de cada carta, o Espírito se dirige às igrejas de todas as épocas, pois são promessas para todos os crentes, aos vencedores. A esses será dado o direito de comer da árvore da vida. Isso significa a vida eterna. Em Gênesis 3:22, o acesso à árvore da vida foi vedado depois do pecado de Adão e Eva, para que eles não comessem  e vivessem eternamente num estado de morte e de alienação de Deus.