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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Estudos em Apocalipse - Aula 9

Introdução ao capítulo 2

A partir do capítulo dois do livro de Apocalipse iniciaremos uma nova fase de estudos. Muitos conceitos teológicos que servem de base para um bom entendimento do livro foram vistos detalhadamente no capítulo anterior, especialmente as declarações feitas a respeito da natureza e dos atributos de Jesus Cristo. Em cada carta destinada às igrejas encontraremos breves repetições desses atributos de Jesus.

Apocalipse 2:1-7 (carta à igreja de Éfeso):

1 “Ao anjo da igreja em Éfeso escreva: “Estas são as palavras daquele que tem as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os sete candelabros de ouro.
2 Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos, mas não são, e descobriu que eles eram impostores.
3 Você tem perseverado e suportado sofrimentos por causa do meu nome, e não tem desfalecido.
4 “Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor.
5 Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do lugar dele.
6 Mas há uma coisa a seu favor: você odeia as práticas dos nicolaítas , como eu também as odeio.
7 “Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei o direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus”

Éfeso era a capital da província romana da Ásia, famosa por seu templo de Diana ou Ártemis. Esse templo foi considerado uma das sete maravilhas do mundo. Éfeso era um grande centro comercial e turístico, principalmente devido às visitações e venerações a essa deusa. O apóstolo Paulo e seus companheiros de viagem quase foram mortos pela população idólatra, que se revoltou por causa das mensagens evangelísticas de libertação da idolatria. As mensagens prejudicavam a venda de imagens e, consequentemente, o sustento daquele povo (Atos 19:23-40).

O apóstolo Paulo se dedicou muito a essa igreja e batalhou incessantemente para protegê-la. Ele escreveu uma belíssima carta aos crentes de lá, onde explicou o verdadeiro significado da Igreja. A igreja não é um prédio, ou uma denominação. De acordo com a Bíblia, a igreja é o Corpo de Cristo, ou seja, todos aqueles que já colocaram sua fé em Jesus Cristo para salvação (Ef 1:22-23; 1 Co 1:2; 12:13; Cl 1:24). Há membros da igreja universal (O Corpo de Cristo) em igrejas locais. Sabemos que o conceito da palavra “igreja” foi-se alterando com o passar do tempo, principalmente pela influência da tradição da Igreja Católica, que inseriu em seus rituais uma semelhança com o culto do Velho Testamento: o padre é um sacerdote que se veste com uma roupa especial e faz o “sacrifício da missa” etc. Algumas igrejas protestantes também herdaram essa ideia. Com a chegada do movimento neopentescostal na década de 70 acentuou-se ainda mais essa comparação com o Velho Testamento. Porém, não existe esse conceito no Novo Testamento. Os rituais e elementos do culto Israelita eram ilustrações (figuras) para a realidade, que é Cristo. Tudo isso é explicado na carta aos Hebreus nos capítulos 9 e 10.

Nos versos 2 e 3 Jesus elogia a igreja pelo seu trabalho árduo e por sua perseverança nos sofrimentos por causa do nome Dele. Também a elogia por ter resistido aos falsos apóstolos (impostores). O apóstolo Paulo tinha profetizado que depois de sua partida “lobos cruéis” entrariam no seio da igreja de Éfeso para desviá-la do rumo certo (At 20:29-31). Jesus a elogia, ainda, por ela detestar as práticas dos Nicolaítas.

Sobre os Nicolaítas, existem várias teorias que tentam explicar a origem dessa seita, mas todas são especulações:
a)      Alguns sugerem que foi um dos diáconos (Nicolau) que se desviou e ensinou coisas erradas na igreja. Mas isso não tem apoio nas Escrituras, pois Nicolau foi escolhido como um homem cheio de fé e do Espírito Santo (Atos 6:5).
b)     Outros veem tais pessoas como sendo defensores do gnosticismo. Seita que procurava infiltrar-se nas igrejas e negar a humanidade de Jesus e o seu sacrifício redentor, afirmando que a salvação é por meio do conhecimento (gnose) e não pela fé em Cristo. O próprio apóstolo João escreveu sobre essa doutrina em suas cartas (1 João 4:1-6; 2 João 7).
c)     Outros interpretam pela derivação do nome “nicolaítas” que significa “dominadores do povo”, afirmando que se tratava de um grupo que promovia uma hierarquia eclesiástica (clero) com poderes políticos para dominar o povo leigo como aconteceu com a Igreja Católica.
d)     Por último sugere-se que o estilo de vida dos Nicolaítas se caracterizava pela imoralidade sexual, pela participação em comer alimentos oferecidos aos ídolos e pela perversão da verdade (2.14-16).

No verso quatro Jesus alerta sobre o problema daquela igreja: “você abandonou o primeiro amor”. Isso significa que ela parou de praticar as obras que fazia no início com dedicação e visão espiritual. Esse é um alerta para todas as igrejas e seus membros que caem no formalismo e na frieza espiritual. Infelizmente aconteceu o que estava previsto caso não se arrependesse, ou seja, a remoção do seu candelabro do lugar. Atualmente, na Turquia, a religião predominante é o Islamismo e no lugar onde existia uma igreja existe uma mesquita muçulmana.

No final de cada carta, o Espírito se dirige às igrejas de todas as épocas, pois são promessas para todos os crentes, aos vencedores. A esses será dado o direito de comer da árvore da vida. Isso significa a vida eterna. Em Gênesis 3:22, o acesso à árvore da vida foi vedado depois do pecado de Adão e Eva, para que eles não comessem  e vivessem eternamente num estado de morte e de alienação de Deus.