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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Estudos em Apocalipse - Aula 16



Apocalipse 4:1-11

1 Depois dessas coisas olhei, e diante de mim estava uma porta aberta no céu. A voz que eu tinha ouvido no princípio, falando comigo como trombeta, disse: “Suba para cá, e lhe mostrarei o que deve acontecer depois dessas coisas”.
2 Imediatamente me vi tomado pelo Espírito, e diante de mim estava um trono no céu e nele estava assentado alguém.
3 Aquele que estava assentado era de aspecto semelhante a jaspe e sardônio. Um arco-íris, parecendo uma esmeralda, circundava o trono,
4 ao redor do qual estavam outros vinte e quatro tronos, e assentados neles havia vinte e quatro anciãos. Eles estavam vestidos de branco e na cabeça tinham coroas de ouro.
5 Do trono saíam relâmpagos, vozes e trovões. Diante dele estavam acesas sete lâmpadas de fogo, que são os sete espíritos de Deus.
6 E diante do trono havia algo parecido com um mar de vidro, claro como cristal. No centro, ao redor do trono, havia quatro seres viventes cobertos de olhos, tanto na frente como atrás.
7 O primeiro ser parecia um leão, o segundo parecia um boi, o terceiro tinha rosto como de homem, o quarto parecia uma águia em voo.
8 Cada um deles tinha seis asas e era cheio de olhos, tanto ao redor como por baixo das asas. Dia e noite repetem sem cessar: “Santo, santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir”.
9 Toda vez que os seres viventes dão glória, honra e graças àquele que está assentado no trono e que vive para todo o sempre,
10 os vinte e quatro anciãos se prostram diante daquele que está assentado no trono e adoram aquele que vive para todo o sempre. Eles lançam as suas coroas diante do trono, e dizem:
11 “Tu, Senhor e Deus nosso, és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas”.

A partir do capítulo quatro a visão de João toma outra dimensão. Sai do cenário na terra e passa para o cenário no céu. Anteriormente ele recebera instruções para as igrejas da Ásia, com mensagens específicas para cada uma delas. Agora, ele recebe a ordem de subir, pois foi aberta uma porta no céu para que ele veja o que acontecerá depois daquelas primeiras revelações (v.1).

O próprio texto indica uma interpretação futurística das coisas, ao contrário da ideia de alguns comentaristas que afirmam que o livro de apocalipse já se cumpriu. Entendemos que o livro de Apocalipse é a revelação de Deus à igreja, desde aquele ponto da história até o final, com o estabelecimento definitivo do Reino de Deus sobre a terra e a vitória do bem sobre o mal. Grande parte dos comentaristas (futuristas) entendem que a maior parte do livro acontecerá somente no final da história desse mundo, ou seja, quando Cristo estiver prestes a voltar à terra. Outros interpretam o livro como um resumo de toda a história da igreja no decorrer dos séculos (historicistas).

João é arrebatado é vê o trono de Deus (v.2). Ele vê alguém sentado sobre o trono, mas não consegue descrever a pessoa com detalhes, então, ele começa a comparar a forma com pedras preciosas: jarpe e sardônio (ou sárdio) (v.3). Essas pedras coloridas lembram a vestimenta sacerdotal com que os Israelitas foram instruídos a construir para os descendentes de Arão (Êxodo 28). Elas lembram o brilho, a pureza e beleza de Deus. João tenta descrever aquele que está sobre o trono, mas é impossível expressar tanta glória e beleza. O máximo que o apóstolo pode fazer é tentar comparar a glória de Deus com as coisas mais belas que ele conhece.

João também vê um arco-íris ao redor do trono semelhante a uma esmeralda (v.3). O arco lembra a aliança de Deus com os homens (Gn 9). Deus prometeu a Noé que não destruiria mais os seres vivos por um dilúvio. Esse arco pode ser uma referência à nova aliança de Cristo com sua igreja. Em Cristo, temos paz com Deus.

Vinte e quatro tronos ao redor do trono principal são vistos por João. Nesses tronos estão anciãos vestidos de vestes brancas e coroas de ouro sobre as cabeças. No Antigo Testamento os sacerdotes se revezavam em 24 turnos. É mais provável que os vinte e quatro tronos vistos por João representem o povo de Deus de todas as épocas, tanto os remidos da antiga quanto da nova aliança, ou seja, doze se referindo aos doze patriarcas do antigo testamento e os outros doze referindo-se aos doze apóstolos do novo testamento. Jesus prometeu que os apóstolos julgariam as doze tribos de Israel (Mt 19:28; Lc 22:30). Paulo disse que os crentes julgariam o mundo e os anjos (1 Co 6:2-3). O sentar-se sobre tronos da ideia de autoridade e poder para julgar. O trono principal é de Deus, que tudo vê, administra e delega poder e autoridade. Jesus nos fez reis e sacerdotes para Deus Pai (Ap 1:6; 5:10) e reinaremos com Ele.

No verso cinco João vê relâmpagos, vozes e trovões saindo do trono (v.5). Isso indica o poder de Deus. De semelhante modo Deus se manifestou ao povo de Israel no monte Sinai antes de dar a Lei do Antigo Testamento (Ex 19). As sete lâmpadas de fogo representam o Espírito Santo na sua multiforme atuação e plenitude.

Diante do trono aparece algo como um mar de vidro (v.6). O mar normalmente representa multidões, povos e nações no livro de apocalipse. Nesse caso deve representar a totalidade dos crentes. O mar é claro como o cristal. Indica pureza e transparência.

Em seguida é visto quatro seres viventes cheios de olhos (v.6 e 7). Há várias tentativas de interpretação para esses quatro seres. Alguns comentaristas interpretam como sendo a representação dos quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Outros interpretam como sendo os mesmos Querubins que protegem o trono de Deus conforme relatado no livro de Ezequiel nos capítulos 1 e 10. Em Isaías 6 aparecem os Serafins, também em volta do trono fazendo as honras ao Rei Eterno. Outros interpretam como sendo a natureza perfeita de todas as criaturas da terra, representada pelo leão, boi, homem e águia.

Esses seres ficam louvando e glorificando a Deus constantemente (v.8). Sempre que eles entoam ações de graças e honras a Deus, os anciãos também apresentam suas coroas e o louvam. O apóstolo Paulo nos explica, em sua carta Efésios, que todos os salvos, foram preparados para louvor da glória de Deus (Ef 1:6,12,14). O esplendor de Deus, sua majestade, e seu poder, duram eternamente. Somos eternamente gratos, pois Ele nos resgatou e nos fez assentar nas regiões celestes em Cristo. O prazer do cristão é louvar a Deus.

Deus está em seu trono. O Trono de Deus está no centro do Universo. Ele comanda toda a história. Um mundo está em suas mãos e nada acontece por acaso. O livro de apocalipse é a prova de que Deus sabe o fim desde o princípio.  Todo o louvor e glória são dirigidos àquele que está assentado no Trono. Amém.