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segunda-feira, 18 de março de 2013

Estudos em Apocalipse - Aula 19




Texto para leitura: Apocalipse 7:1-17

João vê quatro anjos retendo os quatro ventos da terra (v.1). Os antigos povos pensavam que a Terra fosse quadrada, e, portanto, dotada de quatro cantos. Depois, os filósofos gregos que viveram antes de Cristo, pensavam que a Terra tinha a forma de um disco. A Bíblia já afirmava que a terra era redonda (Isaías 40:22). Entendemos que o verso 1 se refere aos quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste. O texto diz que os quatro anjos estão retendo os ventos para que não causem dano algum à terra, ao mar, ou às árvores, antes que sejam selados nas testas os servos de Deus.

No verso 4 é informado que o número de selados é de 144 mil de todas as tribos de Israel. O resultado é alcançado somando-se 12 mil de cada uma das 12 tribos. Porém, há uma diferença na ordem e em um dos nomes das tribos de Israel. No Antigo Testamento existem várias listas em diferentes ordens. Fazendo-se uma comparação da lista inicial de Gênesis com a do livro de Ezequiel e com a do Apocalipse, temos a seguinte diferença:
  
Gênesis 49:

  1. Rúbem
  2. Simeão
  3. Levi
  4. Judá
  5. Zebulom
  6. Issacar
  7. Gade
  8. Aser
  9. Naftali
  10. José
  11. Benjamim
Ezequiel 48:

  1. Aser
  2. Naftali
  3. Manassés (Levi)
  4. Efraim (José)
  5. Rúbem
  6. Judá
  7. Benjamim
  8. Simeão
  9. Issacar
  10. Zebulom
  11. Gade
Apocalipse 7:

  1.  Judá 
  2. Rúbem
  3. Gade
  4. Aser
  5. Naftali
  6. Manassés (Dã)
  7. Simeão
  8. Levi
  9. Issacar
  10. Zebulom
  11. José
  12. Benjamim

Alguns intérpretes judeus acreditavam que o anticristo viria da tribo de Dã. Irineu, um líder cristão do segundo século, aceitou essa interpretação e deduziu que essa seria a causa daquela tribo de Israel ter sido excluída da lista do Apocalipse.

Existem diferentes interpretações a respeito dos 144 mil selados. Muitos consideram esse número um símbolo da igreja e não propriamente uma referência à nação de Israel. Outros creem na literalidade do texto, e entendem que serão judeus convertidos antes da grande tribulação e que serão os principais evangelizadores nesse período de perseguição. O grupo religioso conhecido como “As Testemunhas de Jeová” entende que somente os 144 mil selados irão morar no céu com Jesus, e que o restante dos salvos viverá no novo paraíso, na terra. Essa interpretação, entretanto, não é aceita pelos evangélicos nem pelos católicos.
Se lermos o texto da forma mais simples e direta, concordaremos com a interpretação de que os 144 mil serão judeus convertidos. No capítulo 14 de Apocalipse volta-se a fazer referência a esse grupo seleto de judeus.

A partir do verso 9 aparece uma grande multidão de todos os povos, línguas e nações. Essa multidão está de branco e com palmas nas mãos louvando a Deus juntamente com os anjos. João recebe a explicação de que todas essas pessoas vieram da Grande Tribulação. Isso nos mostra que muitos crentes irão morrer nesse período.

No capítulo anterior (Ap 6:11), é dito aos que estavam clamando debaixo do altar de Deus que iria se completar o números de crentes que haveriam de ser mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram. Entende-se pelo texto que muitos cristãos irão sofrer perseguição e morte. Em outras passagens de Apocalipse encontraremos mais textos que apoiam essa interpretação. Porém, grande parte dos crentes modernos não crê nessa interpretação. Muitos preferem acreditar que os crentes serão arrebatados antes do sofrimento e ficarão com Cristo nos ares durante o período de sete anos de tribulação. Esse grupo é conhecido como pré-tribulacionistas. Eles interpretam que essas pessoas que morrem na tribulação não fazem parte da igreja arrebatada, mas sim, os chamados “mártires da tribulação”. Outros creem que os crentes passarão por metade da tribulação, ou seja, três anos e meio, e depois serão arrebatados. Esses são chamados de mid-tribulacionistas. Os que acreditam que os crentes irão passar pela tribulação e sofrer são conhecidos como pós-tribulacionistas.

Não podemos esquecer de que existem outros métodos de interpretação bem diferentes desses comentados acima. Há interpretes que veem o livro de apocalipse como algo que já se cumpriu nos primeiros séculos. Outros veem essas passagens como uma simples significação do sofrimento cristão no decorrer dos séculos, ou seja, uma interpretação simbólica e histórica da luta do bem contra o mal, sem grandes apelos para a literalidade do texto.

Para cada tese existem vários versículos que podem se encaixar em uma ordem aparentemente mais lógica e correta. Não podemos nos esquecer de que profecias são como peças de um quebra-cabeça, e, que essas peças podem ser encaixadas de diferentes maneiras.  Porém, somente teremos certeza de quem estava com a razão, quando tudo acontecer. O mais importante é que creiamos na revelação e nas coisas que estão previstas.

 Há grandes debates sobre essas teorias. Muitos cristãos se dividem por causa disso e agem com muita dureza uns com os outros, esquecendo-se de que todos são servos do Senhor e irmãos em Cristo. Isso não deveria ser assim. Precisamos respeitar as diferenças de pensamento e opiniões sem guardar mágoa no coração. Não podemos brigar por coisas que consideramos importantes e esquecer as que são essenciais: a fé em Jesus Cristo como nosso único Senhor e Salvador, o amor, a compaixão, a misericórdia e a justiça.

O capítulo se encerra afirmando que essa grande multidão foi lavada pelo sangue do Cordeiro e o serve dia e noite no seu santuário. Também está dito que toda lágrima e sofrimento não existirão mais, pois o Cordeiro será a principal fonte de vida e as conduzirá e apascentará (v.17).