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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Estudos em Apocalipse - Aula 25

Texto para leitura: Apocalipse capítulo 13.

O capítulo treze é um dos mais importantes e comentados trechos do livro de Apocalipse, pois fala especificamente da aparição do Anticristo e do Falso Profeta. Muitos têm debatido a respeito dessas duas figuras escatológicas. Existem diversas interpretações publicadas até mesmo fora do ambiente cristão. Precisamos manter o foco na Bíblia, pois nela encontraremos textos suficientes para uma boa compreensão. Faz-se necessária a leitura de outros livros da Bíblia, como: Daniel 7, Mateus 24, II Tessalonicenses 2 e I João 2:18-27. Faremos a citação deles quando necessário.  

O Diabo é um imitador. Desde o princípio, quando se rebelou, ele tem criado situações e personagens que se assemelham às coisas de Deus. Vejamos um resumo das suas imitações:

Dragão
Quer imitar
Deus Pai
Anticristo

Jesus Cristo
Falso Profeta

Espírito Santo ou João Batista
A Grande Meretriz (falsa igreja)

A Noiva (a igreja)
Babilônia

Jerusalém

Eis que surge do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres. Besta, nas Escrituras, refere-se tanto a reinos como a reis (Dn 7.2-7, 17,23). No presente texto, João usa a palavra para descrever a “figura sombria do Anticristo”. Essa Besta será uma pessoa, a personificação do mal. Alguns teólogos afirmam que a Besta será o Império Romano ressuscitado, liderado por uma pessoa poderosa e influenciadora, que apareceu para o profeta Daniel como o quarto animal do cap. 7.7. Os dez chifres ou pontas são dez reinos que existirão nesse império (Dn 7:24). A Besta será apoiada por todas as nações em troca de promessas de “paz e segurança”.

Daniel tinha visto os reinos da Babilônia, Pérsia e Grécia nas figuras de um leão, um urso e um leopardo (Dn 7.3-6). João vê a besta como semelhante ao leopardo, com pés de urso e boca de leão tipificando o seu reinado, à semelhança daqueles reinos, nos seus diferentes aspectos de governo. Essa besta, sendo o último e mais perfeito representante dos poderes gentílicos do mundo, tem todas as características das precedentes. Ela é, realmente, a quarta besta no último tempo de seu reino, agora revivificada e restaurada no poder de Satanás. Ele levantará a sua força contra o Rei dos reis e encontrará a sua ruína nas mãos dele, depois que o Senhor e os seus santos reinarem sobre o mundo.

João vê que “uma das cabeças da besta parecia ter sofrido um ferimento mortal, mas o ferimento mortal foi curado. Todo o mundo ficou maravilhado e seguiu a besta”(v.3). Aqui João vê como fato consumado uma forma revivificada do império romano, que desapareceu há séculos. Nos dias atuais Roma existe, mas não o império. Durante o governo sombrio do “homem do pecado”, sua primeira grande maravilha será “curar” essa monarquia. A expressão “maravilhou-se” fala não somente do maravilhar-se no sentido de aplausos e louvores, mas da adoração e do endeusamento completos que renderão à besta. Ela será adorada universalmente, como acontecia com os antigos reis, que se julgavam os deuses supremos de toda a Terra.

Embora o mistério da iniquidade já esteja operando (2 Ts 2:7), o anticristo, como pessoa que encarnará o poder dos reinos ímpios e também todo o poder de Satanás, emergirá no tempo do fim, visto na Bíblia de várias formas: a) A apostasia (2 Ts 2:3); b) A grande tribulação (Mt 24:21-22); c) A revelação do homem da iniquidade (2 Ts 2:3); d) O pouco tempo de Satanás (Ap 20:3).

Atualmente alguns têm sugerido que os blocos econômicos de hoje, chamados de G-7, G-8 e G-10, podem ser o início do cumprimento dessa profecia. Será? O G-7 começou com os seguintes países: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e o Canadá. O grupo continuou sendo composto de sete membros até que a Rússia, presente como observadora desde o início dos anos 1990, fosse convidada em 1997 a oficializar a sua participação. O grupo passou então a ser designado de G-8. Já o Grupo dos Dez (G-10) é uma organização internacional que reúne representantes de onze economias desenvolvidas. O G-10 foi fundado em 1962 por dez representantes dos governos centrais de Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, Italia, Japão, Holanda e Reino Unido; e dos bancos centrais da Alemanha Ocidental e Suécia. Em 1964, a Suíça foi incorporada ao grupo, que manteve a denominação G-10.

 O anticristo fará forte oposição a toda adoração que não seja a ele mesmo (v.8) (2 Ts 2:4) - Ele vai se opor e se levantar contra tudo que se chama Deus, ou a todo objeto de culto. Assim agiram os imperadores romanos que viam no culto ao imperador o elo de união e fidelidade dos súditos do império. Deixar de adorar o imperador era infidelidade ao Estado. O anticristo também se assentará no templo de Deus, como Deus, fazendo-se passar por Deus. Ele vai usurpar a honra e a glória só devida a Deus.

A segunda besta (o Falso Profeta) seduzirá o mundo inteiro a adorar a primeira besta (Ap 13:11- 15) - Se a primeira besta é o braço de Satanás, a segunda é a mente de Satanás. Ela é o falso profeta. A primeira besta age no campo político, a segunda no campo religioso. O Falso Profeta vai preparar o terreno para o anticristo e vai preparar o mundo para adorá-lo.

A primeira besta será conhecida pelo seu poder conquistador, pela sua força (v. 4). A segunda besta será conhecida pelo seu poder sobrenatural de fazer grandes milagres (v. 13-16). O falso profeta usará também a arma do controle, para garantir a adoração da primeira besta (Ap 13:16-18) -Esse será um tempo de cerco, de perseguição, de controle, de vigilância, de monitoramento das pessoas no aspecto político, religioso e econômico. Todo regime totalitário busca controlar as pessoas e tirar delas a liberdade. A recusa na adoração à primeira besta implicará em morte (v. 15b). A segunda besta usará um selo distintivo para os adoradores da primeira besta (Ap 13:18; 14:9-11) -Assim como a noiva do Cordeiro receberá um selo (7:3; 9:4), também os adoradores da besta receberão uma marca (13:16). Então só haverá duas igrejas na terra, aquela que adora a Cristo e aquela que adora o anticristo. Assim como os que receberem o selo de Deus terão a vida eterna, os que receberem a marca da besta vão perecer eternamente (Ap 14:11; 20:4).

Acreditamos que a perseguição contra a Igreja nos últimos tempos começará de forma leve e paulatina, quando aqueles que forem contrários ao uso de novas tecnologias de identificação e controle, ou contrários a práticas que se opõem ao plano do Senhor para a humanidade, serão tachados de retrógrados, reacionários, fundamentalistas, supersticiosos e outros adjetivos afins.

Estamos vivendo um tempo de relativa paz e tolerância para a Igreja cristã. Esse momento não deve ser usado para justificar uma atitude de acomodação e apostasia, e sim como uma oportunidade única dada por Deus para a evangelização e o crescimento espiritual de seu povo. Dias virão em que muitos desejarão ouvir as boas novas, mas não poderão, pois os servos de Deus estarão sendo impiedosamente perseguidos e caçados.

Estudos em Apocalipse - Aula 24

Texto para leitura: Apocalipse capítulo 12


No final do capítulo anterior (Ap 11:15 ss) o “terceiro ai”, que é o juízo da sétima trombeta, alerta-nos para o fato de que o fim do poder de Satanás está próximo, pois os juízos do “terceiro ai” inaugurarão o reino de Deus e de seu Cristo, e será estabelecida a retidão universal. Porém, antes que isso possa suceder, Satanás intensificará o conflito. Assim é que ele perseguirá a Israel (a mulher) e intensificará a sua maléfica atuação sobre a terra, porquanto já não contará mais com lugar garantido nos céus. Fará surgirem em cena o seu falso cristo e o seu falso profeta, agentes especiais do mal, preparados para os “últimos dias”, e, de fato, para o período da tribulação, aquele tempo de imensas agonias na terra inteira, que não envolverão apenas a nação de Israel. Os capítulos doze e treze de Apocalipse descrevem o conflito que será produzido pela intensificação das atividades satânicas.

O capítulo 12 é um daqueles capítulos que possuem muitas interpretações para os símbolos que se apresentam: a mulher, o menino, o dragão, arcanjo Miguel, a descendência da mulher. Os intérpretes muito se têm esforçado por encontrar significação para cada item da descrição que temos, mas isso serve mais para confundir o quadro, tornando difícil a identificação.

Para os católicos, a mulher refere-se à Maria, a mãe de Jesus. Essa interpretação é baseada no sentido em que o texto fala da mulher (Maria) estar grávida e ser perseguida por Herodes para matar seu filho, tendo que fugir para o deserto (Egito). A mulher possui uma coroa de doze estrelas e está vestida de sol, ou seja, vestimenta celestial e tendo a lua debaixo dos seus pés. Nessa linha de raciocínio é que foi atribuído o título de “Rainha dos Céus” à Maria. Desde então os católicos utilizam esculturas e pinturas que retratam essa cena.  Porém, a maioria dos intérpretes rejeita essa interpretação. E essa rejeição é correta porque a perseguição movida por Satanás ultrapassa em muito ao ataque pessoal contra Maria. O culto à “Rainha dos céus” foi condenado por Deus no passado, pois fez o povo de Israel se desviar do verdadeiro culto a Deus, além de trazer maldições à nação israelita (Jr 7:18; 44:15-23).

Para os intérpretes da linha historicista, a mulher representa a igreja em todas as épocas. Em favor dessa ideia está a perseguição de Satanás contra a igreja e seus descendentes. Por ser a noiva do Cordeiro, a Igreja recebe honras, autoridade e poder. Porém essa interpretação tem dificuldade ao colocar a Igreja como a mãe de Cristo.

A maioria dos intérpretes vê a mulher simbolizando a nação de Israel como a interpretação mais provável. As doze estrelas de sua coroa seriam as doze tribos de Israel, e o nascimento de seu filho representa o nascimento do Messias Jesus, o qual procedeu da nação de Israel. O dragão representa Satanás. A terça parte das estrelas significa os anjos caídos, os quais, por haverem seguido a Satanás, transformaram-se em seres demoníacos. O arrebatamento do menino aos céus representa a ascensão de Jesus ao término de Sua carreira terrena. E a proteção outorgada à mulher, defendendo-a dos ataques do dragão durante os 1.260 dias que ela passará no deserto, representa a proteção dada ao remanescente judaico (os 144 mil), o que os livrará da perseguição satanicamente inspirada e encabeçada pelo Anticristo, durante a última metade da tribulação.

A descendência da mulher certamente inclui a igreja cristã, pois o cristianismo se originou de Israel, já que a “salvação vem dos judeus” (Jo 4:22). Igualmente, a perseguição contra o menino, que é Cristo, subentende a perseguição contra o corpo místico, a igreja, porquanto tudo quanto suceda com Jesus Cristo, necessariamente terá de acontecer, por semelhante modo, com sua igreja.

Nos versos 7 e 8 encontramos a ação interventora dos anjos. A Bíblia diz que os anjos são valorosos em poder e executam as ordens de Deus (Sl 103:20). O arcanjo Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão e seus anjos (v.7). Nessa peleja no reino espiritual, o dragão e seus anjos foram derrotados (v.8). O dragão e seus anjos não foram apenas derrotados, mas também expulsos do céu, ou seja, ele perdeu o posto de acusador dos nossos irmãos. Por causa da obra de Cristo na cruz, as acusações do dragão não tem nenhuma base legal (Rm 8:33).

A igreja vence o dragão por causa do sangue do Cordeiro (v.11). A morte de Cristo é a nossa vitoria. O sangue de Cristo é a nossa arma mais poderosa. Seu sacrifício na cruz desfez toda a possibilidade de Satanás triunfar sobre o povo de Deus (2 Co 5:21). Será por que eles venceram? Será por causa de Miguel? Ou de suas próprias realizações? Não. Por meio do sangue do Cordeiro. O motivo da vitória sobre o dragão acusador é o sangue do Cordeiro. Não é o conhecimento do Cordeiro, nem a crença intelectual no Cordeiro, mas o sangue do Cordeiro.

A igreja vence o dragão quando testemunha de Cristo mesmo em face da perseguição e da morte. Ela prefere ser uma igreja mártir a ser uma igreja apóstata. Ela prefere morrer a negar o nome de Jesus. Ela, assim, mesmo morrendo, vence a Satanás. O diabo e seus agentes, em sua fúria, vão perseguir e matar os santos, mas estes vencerão o diabo e seus anjos, no próprio ato de morrer por amor a Cristo. A igreja vitoriosa é aquela que não ama a própria vida. Então, o que foi que amaram? A morte? Não! Amaram o Cordeiro até a morte.

Estudos em Apocalipse - aula 23

Texto para leitura: Apocalipse capítulo 11


O capítulo 11 começa dando sequência ao capítulo anterior, quando João recebeu do anjo forte um livrinho e lhe foi pedido que o comesse. O gosto do livrinho seria doce na sua boca, mas amargo no seu estômago, simbolizando os dois efeitos da Palavra de Deus: ela é doce para o profeta, que é privilegiado em recebê-la, mas amarga para levar àqueles que sofrerão as consequências preditas. Isso acontece com todo aquele que prega a Palavra de Deus. É maravilhoso receber e se alimentar do Evangelho de Cristo, e, ao mesmo tempo, é duro viver esse Evangelho num mundo que está no maligno. A igreja precisa interiorizar a Palavra, comer a Palavra e proclamar a Palavra. Ela traz vida e também o juízo.

João recebe a ordem de medir o Santuário de Deus. Os futuristas creem que isso significa que o antigo templo de Jerusalém será reedificado e usado durante o reino milenar de Cristo na terra. Outros creem que simboliza a igreja verdadeira, ou seja, todas as pessoas salvas, todos os verdadeiros filhos de Deus que o adoram em espírito e em verdade. Outra interpretação identifica o santuário com o povo judeu, que será salvo antes do fim.

A pergunta a seguir é uma das mais recorrentes da história do cristianismo: Quem são as duas testemunhas do Apocalipse? Existem várias teorias sobre a identidade das Duas Testemunhas, tais como: Enoque e Elias; Moisés e Elias; Josué e Zorobabel; João e Paulo; o Antigo e o Novo Testamento; a Lei e a Graça; a Igreja e o pregador, etc.

O comentarista Robert H. Gundry explica que as duas testemunhas provavelmente ministrarão durante os últimos três anos e meio (1.260 dias ou 42 meses) da tribulação, porquanto, durante o tempo em que estiverem profetizando, os gentios “pisarão a cidade santa” (v.2). Não há que duvidar que isso se refira à perseguição contra a nação judaica, o que ocorrerá na segunda metade do período da tribulação, depois que o Anticristo houver rompido a sua aliança com Israel (Dn 9.27).

Os futuristas geralmente identificam as duas testemunhas como Moisés e Elias, os quais reapareceriam na cena terrestre como representantes da lei e dos profetas. O retorno de Elias para ministrar a Israel foi predito por Malaquias 4.5, o que foi confirmado por Jesus (vide Mt 17.11 e Mc 9.12a). Moisés e Elias apareceram juntos no monte da Transfiguração, durante o primeiro advento de Jesus; e os milagres operados pelas duas testemunhas, em Apocalipse 11:6, correspondem aos milagres registrados no Antigo Testamento a respeito de Moisés (transformação da água em sangue e invocação de pragas contra a terra – Êxodo 7 a 12) e de Elias (o qual feriu seus inimigos com relâmpago ou “fogo” – II Reis 1.9-12 – e determinou a seca – I Reis 17.1).

Outros estudiosos identificam as duas testemunhas como Enoque e Elias, as únicas personagens bíblicas que não passaram pela morte física (por terem sido arrebatadas aos céus) e que, por esse motivo, seriam enviados à terra, durante a tribulação, a fim de testificarem até morrerem como mártires. Entretanto, a última geração da igreja também não experimentará a morte física, em razão do que não precisamos supor que Enoque e Elias teriam que fatalmente de vir a morrer, a fim de manterem a regra geral da morte física, como parte integrante da maldição imposta ao pecado. Não precisamos pensar que, literalmente, terão os dois profetas retornado à terra; mas sim que dois profetas escatológicos personificarão estes dois grandes profetas, assim como João Batista personificou “Elias” (Mt 11.14; 17.10-13). Os dois grandes personagens terão as mesmas características ministeriais de Moisés e Elias, mas não serão Moisés e Elias. Todavia, terão seus ministérios, em razão de o Espírito de Deus ser o mesmo (Nm 11.16-17,25; 2 Reis 2.9,15; 1 Co 12.4).

Interpretando de modo ainda diferente de tudo isso, os historicistas veem as duas testemunhas como uma simbologia. Elas representariam o testemunho coletivo do povo de Deus sobre a terra, durante o período da tribulação. Portanto, as duas oliveiras seriam o povo de Deus, gentios e judeus convertidos, formando um só povo através de Cristo.

Cremos que naquela época (da Grande Tribulação) Deus levantará dois grandes profetas dentre os pregadores do “Evangelho do Reino”, um judeu e um gentio. Ambos cheios de poder e autoridade de Deus, anunciarão a mensagem do juízo com o mesmo poder e operação de maravilhas demonstrados por aqueles dois grandes homens de Deus, no tempo em que estiveram na terra.

No verso sete se faz menção pela primeira vez à besta do Apocalipse (v.7). Deve se referir à mesma besta do capítulo 13 e do capítulo 17, que estudaremos mais adiante. Aqui é dito que a besta (o anticristo) irá matar as duas testemunhas. Observemos que as duas testemunhas só serão atingidas após terem terminado seu testemunho. Antes disso ninguém conseguirá impedi-las. Isso mostra o propósito de Deus em todas as coisas. A morte dessas testemunhas servirá de anúncio do juízo que sobrevirá ao mundo. Os seguidores da besta espalhados pela face da terra farão festa pela vitória e proibirão que os corpos das duas testemunhas sejam sepultados (v.9). Os ímpios se alegrarão, por terem morrido aqueles que atormentavam o mundo com a Palavra da Verdade.

Após três dias e meio de festas acontecerá algo que abalará o mundo (v11). As duas testemunhas serão ressuscitadas à vista de todos os inimigos e subirão ao céu (v.12). Alguns intérpretes veem nessa passagem uma referência ao arrebatamento da igreja. Logo em seguida haverá um terremoto em Jerusalém que matará 7 mil pessoas (v.13).

A sétima trombeta é tocada (v.15). Volta o cenário no céu e encerra-se o parêntese (pausa) aberto quando se abriu o sétimo selo (Ap 8.1). Os vinte e quatro anciãos voltam a louvar a Deus no seu trono e anunciam que o Reino de Deus dominará dali em diante o reino do mundo (v.15-17). O Reino de Deus está presente, mas ainda não em sua plenitude. Deus sempre reinou. Cristo jamais deixou de ter todo poder e toda autoridade. Mas, esse poder e essa autoridade que ele exerce no universo nem sempre se manifestaram. O dia está se aproximando e o Senhor reinará conforme predito nas Escrituras. Amém!

terça-feira, 7 de maio de 2013

Estudos em Apocalipse - Aula 22

Texto para leitura: Apocalipse capítulo 10


João vê outro anjo poderoso descendo do céu envolto numa nuvem (v.1-2). Esse anjo aparece com algumas características que levam muitos intérpretes a identificá-lo com o Senhor Jesus: arco-íris sobre a cabeça, o rosto brilhante como o sol, pernas como colunas de fogo, em sua mão direita há um livrinho e sua voz como um rugido de leão (v.2-3). Outros, porém, entendem que pode ser um arcanjo (anjo-chefe) como Gabriel ou Miguel. (Há divergências de opiniões entre as religiões a respeito dos arcanjos. Alguns entendem que só existe o arcanjo Miguel. Na Igreja Católica Romana os arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael são venerados. Os arcanjos cujos nomes são mencionados na literatura do Islã são: Gabriel, Miguel, Rafael e Azrael. Outras tradições identificam um grupo de Sete Arcanjos, cujos nomes variam, dependendo da fonte).

Há semelhanças estreitas entre esse anjo e o próprio Cristo. Contudo, no Apocalipse, anjos são sempre anjos; Cristo nunca é chamado de anjo. Esse anjo não recebe adoração. O Apocalipse nunca confunde o Senhor que está assentado no trono com os seus emissários que descem à terra. Devido a essas semelhanças de atributos divinos é que algumas denominações como os Adventistas e as Testemunhas de Jeová interpretam o arcanjo Miguel como sendo o próprio Senhor Jesus. A diferença entre eles é que, para os Adventistas, Jesus é Deus (a segunda pessoa da trindade). Já para as Testemunhas de Jeová, Jesus é a primeira criatura feita por Jeová, ou seja, o príncipe dos anjos.

Em seguida, esse anjo forte coloca seus pés sobre o mar e a terra (v.2). Ele dá um alto brado como um leão (v.3). Nesse momento, surgem sete trovões que emitem suas vozes (v.4). João tenta escrever, mas é impedido por uma voz vinda do céu (v.4). A voz de Deus é geralmente comparada com trovões (SI 29; Jo 12:28-29). O que será que os trovões disseram? Deus não quis que soubéssemos. São os mistérios de Deus. Existem muitas coisas que são ocultas propositalmente. A Bíblia é a Palavra de Deus, mas não é TODA a Palavra de Deus. Deus não está limitado pela Bíblia. Na Bíblia estão registradas as coisas que podemos e precisamos saber. Em Deuteronômio 29.29 está escrito: “As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei”. Nem mesmo os anjos e demônios sabem. Deus tem suas estratégias e propósitos, que serão executados no momento oportuno. Isso também é uma forma de proteção para a igreja. Satanás e seus anjos não podem saber de tudo. Essa revelação, semelhante àquela que Paulo teve no céu, não pode ser anunciada (2 Co 12:4). João a entendeu, mas não recebeu autorização para escrevê-la. Não devemos especular o que Deus não nos revelou.

O anjo levanta sua mão direita para o céu e jura que não haverá mais demora. Por que Deus parece demorar? Deus tem adiado o seu julgamento para que os pecadores perdidos tenham tempo para se arrependerem (2 Pe 3:3-9). Esse foi o propósito da sexta trombeta (Ap 9:20-21). Mas, agora, Deus irá acelerar o seu julgamento e realizar seus propósitos. Em Apocalipse 6:10-11 os santos martirizados estavam questionando a demora de Deus (Ap 6:10-11). Os próprios ímpios escarnecerão de Deus e da sua Palavra em virtude da demora de Deus em seu julgamento (2 Pe 3:4). Mas agora não haverá mais prazo, mais tempo, mais demora para o arrependimento e a conversão. O juízo está chegando. No confronto de Deus com os seus inimigos, a vitória de Deus será esmagadora. A história avança para o inevitável triunfo de Deus, e ainda que pareça que o mal está florescendo, não é possível que no fim ele triunfe. Essa palavra "Não haverá mais demora" significa também que a paciência de Deus tem limite. O soar das seis trombetas representa todas as oportunidades que Deus dá ao homem para que se arrependa. Mas, aqui o caso é diferente. O homem chegou num ponto tal de insensibilidade e endurecimento que não há mais possibilidade de arrependimento. É aí que o anjo jura que não haverá mais demora para a sétima trombeta.

No toque da última trombeta irá se cumprir o mistério de Deus anunciado por todos os servos e profetas (v.7). O que os servos de Deus estão sempre a anunciar? A vinda do Senhor para reinar completamente com a sua igreja – a noiva. O apóstolo Paulo explica em sua carta aos Efésios que Jesus e sua igreja eram o mistério que estava oculto aos profetas antigos (Efésios cap.3), mas que foi revelado aos santos da Nova Aliança. Por incrível que pareça, Jesus e a Igreja ainda são um mistério para a maioria das pessoas, inclusive os ateus e religiosos.

João é convidado a pegar o livrinho que está na mão do anjo (v.8). Esse livrinho é para ser comido pelo apóstolo (v.9). Porém, ao comê-lo, João sentirá a doçura do mel em sua boca, mas um amargo em seu estômago. O que significa esse livrinho? A Palavra de Deus é comparada a comida. Ela é como pão (Mt 4:4), leite (1 Pe 2:2), carne (1 Co 3:1-2) e mel (SI 119:103). Jeremias e Ezequiel receberam a ordem de comer a Palavra antes de pregá-la aos outros (Jr 15:16; Ez 2:9-3:4). A Palavra precisa fazer-se carne (Jo 1:14), antes que possamos dá-la àqueles que dela necessitam. Ai do pregador e do professor que ensina a Palavra sem encarná-la em sua própria vida.

A Palavra de Deus é doce como o mel - Não existe nada mais doce no mundo do que o evangelho de Cristo. Mas, logo que alguém se torna um cristão começam os problemas. Vêm o sofrimento, a perseguição (os sete selos). Quem quiser viver piedosamente em Cristo será perseguido (2 Tm 3:12). Não dê ouvidos àqueles que dizem que os problemas acabam quando você é convertido. A doçura não acaba, mas ela é seguida de amargura. A conversão desemboca em perseguição do mundo. O evangelho é doce quando o experimentamos, mas amargo quando vemos as implicações dele na vida daqueles que o rejeitam. Jesus chorou por Jerusalém. Davi chorava. Jeremias também. Paulo igualmente.

O verso 11 revela que o trabalho da igreja continua. Este evangelho precisa ser pregado ao mundo inteiro com rapidez porque o juízo já se aproxima e não tardará. A tarefa é urgente, porque o juízo se aproxima.