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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Estudos em Apocalipse - Aula 31



Aula 31


Texto para leitura: Apocalipse capítulo 19

O capítulo começa com um brado de “Aleluia!”, glorificando a Deus pela vitória sobre a Babilônia, a Grande Prostituta, que tinha corrompido a terra com seus pecados e derramado o sangue dos servos de Deus.

Essa grande prostituta, o sistema religioso, político e econômico que dominou o mundo e ostentou sua riqueza, poder e luxúria, entra em colapso. Na segunda vinda de Cristo esse sistema estará completamente destruído.

No verso quatro, aparecem novamente os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes que estudamos no início do livro. Eles louvam a Deus pela vitória:
a) Quatro seres viventes à aqui se interpreta como anjos da classe dos Querubins, que ficam ao redor do Trono de Deus como descritos no livro de Ezequiel 1.5-12, 10.1-22. Porém, outros intérpretes acham que os quatro seres viventes são uma representação dos quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Outros interpretam como sendo a natureza perfeita de todas as criaturas da terra, representada pelo leão, boi, homem e águia.

b) Os vinte e quatro anciãos à aqui se interpretam como doze patriarcas do Antigo Testamento e os doze apóstolos do Novo Testamento, ou seja, representam o povo de Deus de todas as épocas.

Nos versos cinco e seis, há uma voz que vem do trono pedindo para que todos os servos de Deus entoem louvores, e esse pedido é respondido por uma multidão que exalta ao Senhor por sua vitória e pelo seu reinado.

Em seguida é dito que para todos os servos de Deus se alegrem e deem glória pelo tão esperado momento, as bodas do Cordeiro. A noiva (igreja) já está pronta para encontrar-se com o Noivo (Cristo). São colocadas vestes de linho fino, que representam as boas obras dos santos (v.8).

Feliz é aquele que foi chamado a participar da Ceia de Núpcias do Cordeiro. Ali todos os crentes do mundo e de todas as épocas se encontrarão. Iremos nos encontrar com Jesus e também com todos os personagens históricos. Todos aqueles que por meio da fé, foram lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro.

Para compreendermos melhor essa figura de linguagem entre Cristo e a Igreja, simbolizados pelo Noivo e Noiva, resumiremos a seguir o costume do casamento Judeu:

  • Noivado - era algo mais profundo do que esse compromisso significa para nós. A obrigação do matrimônio era aceita na presença de testemunhas e a bênção de Deus era pronunciada sobre a união. Desde esse dia o noivo e a noiva estavam legalmente comprometidos.
  • O intervalo - Durante o intervalo o esposo paga ao pai da noiva um dote.
  • A procissão para a casa da noiva - Ao final do intervalo o noivo sai em procissão para a casa da noiva. A noiva se prepara e se atavia. O noivo em seu melhor traje é acompanhado de seus amigos que cantam e levam tochas e seguem em direção à casa da noiva. O noivo recebe a noiva e a leva em procissão ao seu próprio lar.
  • Finalmente, as bodas - As bodas incluem a festa das bodas que duravam sete dias.


Agora a igreja está desposada com Cristo. Ele já pagou o dote por ela. Ele comprou a sua esposa com seu sangue. O intervalo é o período que a noiva tem para se preparar. Ao final desse tempo, o noivo vem acompanhado dos anjos para receber a sua noiva, a igreja. Agora começa as bodas. As bodas continuam não por uma semana, mas por toda a eternidade.

No verso dez, João se lança ao chão para adorar o anjo que lhe anunciava as coisas. Porém, lhe é proibido fazer isso. Aqui nos é ensinado que não devemos adorar a nenhuma criatura de Deus, somente ao Criador. Isso também é repetido em Apocalipse 22:8-9, onde João faz outra tentativa de adorar o anjo e novamente lhe é proibido.

A partir do verso onze, João vê Jesus assentado sobre um cavalo branco preparado para julgar. Seu manto está sujo de sangue e tem um nome que ninguém conhece, senão ele mesmo. Em seguida ele vê que o cavaleiro é o Verbo de Deus. Ele vem seguido por um exército que também está montado em cavalos brancos. Um exército de anjos que descerá com Cristo. Os salvos que estiverem na glória virão com ele entre nuvens. Todos como vencedores, montados em cavalos brancos. Todos com vestiduras brancas. Outrora, a nossa justiça era como trapos de imundícia, mas agora, vamos vestir vestiduras brancas. Somos justos e vencedores.

É dito também que Jesus reinará sobre as nações com vara de ferro e com a espada da sua boca. Isto significa que Jesus irá agir com dureza contra as nações pecadoras. Jesus volta como juiz e não mais como um cordeiro. Ele agora agirá com o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Jesus destruirá todos aqueles que destroem a terra.

A besta e os reis da terra reúnem seus exércitos para tentarem um último ataque, mas sem sucesso. A besta e o falso profeta serão os primeiros a serem presos e lançados vivos no lago de fogo (O Geena) (v.20) Os demais, ou seja, os ímpios serão mortos pela Palavra de Jesus (v.21), e ressuscitados somente no final do milênio (Ap 20.5).

O lago de fogo é a segunda morte, ou seja, a separação definitiva de Deus. Existe certa confusão no meio cristão sobre o significado de Inferno (gr. hades, lugar dos mortos) e Lago de Fogo (geena). Isso é devido algumas Bíblias traduzirem os dois termos originais pela mesma palavra “Inferno”. Isso acabou gerando essa confusão. A Bíblia diz que até mesmo o Hades (inferno) será lançado no Lago de Fogo (Ap 20.14). Isso significa que o Inferno é um lugar de sofrimento temporário das almas dos ímpios, sem o corpo (veja a parábola do Rico e Lázaro, Lc 16.19-31). Mas não é o Purgatório, como ensinado na doutrina Católica, onde é dito que há possibilidade de “se pagar os pecados” para sair de lá. Hades é um estado intermediário, onde as almas já estão recebendo um juízo temporário e aguardam o julgamento final. No julgamento final, as almas serão reunidas aos seus corpos ressuscitados e lançados definitivamente no Lago de Fogo. Para se conferir isso, basta observar nas línguas originais, no Novo Testamento, quando se refere à alma e corpo no sofrimento é utilizado o termo “Geena”. Quando a Bíblia se refere a sofrimento da alma sem o corpo, é utilizado o termo “hades”.

No próximo capítulo, estudaremos mais sobre o Inferno, Lago de fogo e também sobre o Milênio, que é outro assunto que possui divergências entre os estudiosos da Bíblia.

Estudos em Apocalipse - Aula 30



Aula 30


Texto para leitura: Apocalipse capítulo 18

O capítulo 18 contínua a explicar o que acontecerá com a “grande Babilônia”, a cidade corrupta e religiosa, simbolizada por uma mulher prostituta. Enquanto que a Noiva do Cordeiro (a igreja) é fiel ao seu Noivo (Jesus Cristo), a mulher da Besta é infiel. Enquanto que o Noivo deu a vida pela Noiva, a Besta odiará sua companheira e a destruirá (Ap 17:16).

No final do capítulo 17 encontramos a explicação de que a mulher prostituta é uma cidade corrupta e religiosa (Ap 17:18). É interessante notar que as Escrituras dizem que esta mulher está assentada sobre muitas águas, e que essas águas são povos, nações e línguas (Ap 17:15). Ao mesmo tempo em que a Babilônia Religiosa é uma cidade, também está espalhada sobre toda a terra, reinando com a Besta. A interpretação é que o poder religioso está sustentado pelo poder político do Anticristo espalhado em todos os cantos da terra.

Outro ponto interessante e ao mesmo tempo intrigante, é que o verso de Apocalipse 17:17 diz que “Deus colocou no coração deles o desejo de realizar o propósito que ele tem, levando-os a concordarem em dar à besta o poder que eles têm para reinar até que se cumpram as palavras de Deus”. Como pode ser isto? Deus é quem coloca o desejo no coração das pessoas? Para muitos esse trecho é motivo de confusão. O apóstolo Paulo, em sua carta aos Tessalonicenses, dá a seguinte explicação:

 A vinda desse perverso é segundo a ação de Satanás, com todo o poder, com sinais e com maravilhas enganadoras. Ele fará uso de todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar Por essa razão Deus lhes envia um poder sedutor, a fim de que creiam na mentira, e sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça (2 Ts 2:9-12).

É dado aos homens o livre-arbítrio para escolherem em crer ou rejeitar o amor da verdade para serem salvos. Uma vez o homem tendo rejeitado crer no Evangelho, resistido ao Espírito Santo, então cabe a Deus tirar essas pessoas definitivamente “de cima do muro”. Na realidade muitas pessoas escondem seus verdadeiros credos e convicções. Apesar de alguns viverem uma vida religiosa ou até mesmo não possuírem uma religião, no fundo elas exercem sua fé positiva ou negativa em relação a Deus e a Jesus Cristo. Dessa forma, Deus em sua onisciência e onipotência, faz com que todos que rejeitaram o amor da verdade, sejam “automaticamente” seduzidos a crerem na mentira. Dessa forma, os que estão atrás das cortinas do “politicamente correto”, mostrarão suas verdadeiras faces, sejam boas ou ruins.

Os versos de 1 a 3 mostra outro anjo anunciando a queda da Grande Babilônia. Uma cidade religiosa e mística cheia de demônios e de conchavos políticos. Os comerciantes e empresários se enriquecem por causa da corrupção e delícias produzidas pelo amor ao dinheiro.

O verso 4 faz um alerta ao povo de Deus que está na Babilônia. Existe povo de Deus convivendo em ambientes que Deus não aprova. Isso é um alerta muito sério. Deus sempre avisa antes de derramar o juízo sobre a terra ou sobre alguma nação. Nesse caso, Deus está alertando aos santos que convivem num ambiente cercado de pecados que se afastem e não participem deles, pois poderão sofrer quando Deus derramar sua ira. De semelhante modo, no Antigo Testamento, Deus enviou os profetas para falar ao seu povo antes da destruição da Babilônia física. Veja Jeremias 51:6,45.

O mundo em que vivemos está se acumulando de pecados (v.5). A cada dia milhares de pessoas são mortas, violentadas, sequestradas e perseguidas pelo mal. Inocentes sofrem pela falta de compaixão das pessoas. Famílias estão passando fome, necessitando de hospitais, médicos etc. Os governos desviam recursos para se enriquecerem a custa do povo. A glória desse mundo é conquistada por meio de atos ilícitos, pecados terríveis que provocam a ira de Deus. Chegará um dia em que Deus retribuirá cada um segundo as suas obras. Babilônia receberá em dobro pelos seus atos (v.6).

O verso 9 mostra que os reis da terra, os poderosos que se comprometeram com as obras do Maligno, a idolatria pagã, o materialismo, a luxúria, serão arruinados juntamente com Babilônia. Lamentam ao contemplar suas enormes perdas.

Os versos de 9 a 19 vemos o lamento dos poderosos e reis da terra que se corromperam com Babilônia, reclamando por não poderem mais ganhar dinheiro com o comércio e luxo produzidos pela Babilônia religiosa. Eles estarão de longe, com medo por causa da grande tribulação que Babilônia passará. Ela que se considerava uma rainha rica e imbatível e que jamais poderia passar por tristezas, se vê agora recebendo uma punição terrível vinda de Deus.

O verso 20, em contraste com toda essa lamentação dos poderosos, mostra a alegria dos santos e profetas por terem sidos restaurados por Deus de toda a perseguição e morte produzidas pela Babilônia. Ela será exterminada para sempre. Não haverá mais lembrança dessa morada de demônios.

Babilônia, o sistema corrupto do mundo é um símbolo da oposição a Deus e a sua igreja. Babilônia é a sede da feitiçaria, o espírito que substitui Deus por magias e também o centro de perseguição à igreja, onde os profetas e santos foram mortos. O ponto principal que devemos observar é que este mundo arrogante e sedento de prazer, perecerá com todas suas riquezas e prazeres sedutores, com toda a sua cultura e filosofia anticristãs, com suas multidões que tem abandonado a Deus e vivido conforme os desejos da carne. Os ímpios sofrerão penalidade eterna.

O capítulo 18 termina dizendo que todos os que foram mortos sobre a terra, os santos e profetas, foram de certa forma financiados pela Babilônia, a cidade maligna, a mulher do anticristo.

Estudos em Apocalipse - Aula 29



Aula 29


Texto para leitura: Apocalipse capítulo 17


O capítulo 17 é um dos capítulos mais estudados e discutidos do livro de Apocalipse. Neste capítulo aparecem as figuras da Besta e da Mulher “A Grande Prostituta”. Inúmeras interpretações foram dadas a respeito desses elementos. Cada intérprete segue uma linha de raciocínio tentando ajustar as passagens bíblicas com acontecimentos do passado, do presente ou do futuro. Todas essas interpretações têm seu fundo verdadeiro, mas como se trata de profecias bíblicas, algumas podem já ter acontecido e outras ainda por acontecer.

Nessa seção uma forte ênfase é dada à Grande Prostituta, também chamada de Grande Babilônia, pois veremos que se trata de uma cidade espiritualmente equivalente e contrária à Jerusalém Celestial.

O que significa Babilônia? Babilônia foi uma grande cidade do mundo antigo, capital do império babilônico, situada nas proximidades do atual Iraque. Foi nessa cidade que vários reinos antigos se estabeleceram e dominaram os Israelitas. A cultura da Babilônia, com suas festas idólatras e práticas sexuais se estenderam por várias culturas e nações, influenciando negativamente o povo de Israel. Por essa razão, Babilônia é citada como uma referência a práticas repugnantes, à soberba e à prostituição, tanto física como espiritual.

No livro do Apocalipse, Babilônia é uma figura do império romano e da cidade de Roma, que dominava na época dos apóstolos. A Roma da época de João (cidade, império, civilização, adoração ao imperador) foi a incorporação atualizada da Babilônia. Porém a Babilônia é mais do que a Roma histórica. Ela mostra antecipadamente o sistema eclesiástico apóstata do final dos tempos, assim como o poder político do Anticristo. Ela é um reino demoníaco, a habitação de demônios e o abrigo de todo espírito imundo (Ap 18.2). Esta Babilônia é claramente considerada a sucessora do reino pagão denunciado nos livros proféticos do Antigo Testamento.

A queda da grande prostituta já foi anunciada em Apocalipse 14:8, e ela recebeu o cálice da ira de Deus quando a sétima taça foi derramada (16:19). Agora um dos anjos que derramaram as taças mostra mais detalhes para João.

Nos versos 1 e 2 o anjo diz a João que irá mostrar a condenação da grande prostituta. Essa prostituta está sentada sobre muitas águas. Essas águas são povos, multidões, nações e línguas, conforme a própria explicação desse símbolo no verso 15 do presente capítulo. Como já encontramos em outras passagens do livro de apocalipse, o próprio texto se explica, ou seja, já trazem o significado correto de determinados símbolos, que nos ajudam a entender esse livro difícil. Outros, porém, são alvos de inúmeras especulações e precisamos ter equilíbrio.

Também é dito que os reis da terra se prostituíram com ela. A prostituição entre nações é uma figura que sugere alianças. Isso significa a corrupção que os líderes do mundo têm com a falsa religião. Em todas as épocas, há sempre o apoio religioso corrupto aos líderes que comandam as nações.  

No verso 3, “uma mulher assentada sobre uma besta” simbolizam dois poderes: o religioso e o político. O fato de ela está “assentada sobre a besta” indica que a grande prostituta reina e domina religiosamente sobre todas as nações, assim como a besta domina as nações politicamente. Isso também revela sua influência, e ao menos aparentemente, o controle sobre a Besta. Por sua vez, a mulher é sustentada pela Besta.

No verso 4, a mulher está vestida de Púrpura e Escarlata (vermelho) que são tecidos coloridos, os mais luxuosos da época (v.3-4). Representam pompa, realeza e luxo. Está adornada de ouro e pedras preciosas e pérolas. Ela segura em sua mão um cálice de ouro. A religião prostituída faz ostentação da sua riqueza e do seu luxo. Esse quadro é uma descrição perfeita do mundo a parte de Cristo, gabando-se de sua riqueza, de sua alimentação, de seus banquetes, de seus carros, de seu equipamento, de seu vestuário e de toda a sua beleza e gloria. A meretriz é atraente e repulsiva ao mesmo tempo. Debaixo de suas vestes de púrpura esconde suas abominações repulsivas.

No verso 5 diz: “Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”. A grande Babilônia representa o mundo como o centro de sedução anticristã em qualquer momento da historia. Essa meretriz é personificada como a cidade de Roma na época de João (Ap 17:18). A cidade imperial, conhecida como a “cidade das sete colinas” (v.9), atraia com seus prazeres os reis das nações. Roma era uma cidade louca pelos prazeres. No fim, a besta vai se voltar contra essa própria igreja apostata para destruí-la, visto que desejara ser adorada como se fosse Deus (v. 16). A besta é o movimento perseguidor anticristão durante toda a história, personificado em sucessivos impérios mundiais. A besta é passada, presente e futura.

A meretriz que vive no luxo tem duas armas: sedução e perseguição. Ele seduz, mas também mata. Ela atrai, mas também destrói. Ela esta embriagada não de vinho, mas do sangue dos santos e dos mártires (v.6). Não podemos fazer distinção entre o sangue dos santos e o sangue dos mártires. Eles são santos porque pertencem a Deus; são mártires porque morreram por ele.

A meretriz sempre quis destruir a Noiva do Cordeiro. Ela tem perseguido e matado muitos crentes ao longo da historia. Essa meretriz era Roma nos dias de João (Ap 17:18). Os santos eram despedaçados em seus circos para a diversão e passatempo do público. Depois vieram as fogueiras inquisitoriais e os massacres dos governos totalitários. Cerca de 150.000 pessoas morreram pelas mãos da inquisição somente em trinta anos. Desde o princípio da Ordem dos Jesuítas em 1540, supõe-se que 900.000 pessoas pereceram sob a crueldade papal.

Sobre os versos de 7 a 13 há muitas interpretações sobre o significado da Besta que possui sete cabeças e dez chifres. Alguns estudiosos acreditam que isso se encaixa muito bem com o período dos imperadores e do momento em que João vivia aqueles acontecimentos. Porém, encontramos na literatura apocalíptica diferentes encaixes dependendo da ordem em que se começa a considerar esses imperadores.

É interessante notar que também outros estudiosos acreditam que essa ordem de cabeças e chifres se refere aos papas. Na história papal alguns tiveram períodos curtos de reinado e até mesmo alguns morreram antes mesmo de tomar posse. Na reforma protestante Martinho Lutero, Calvino e outros reformadores interpretaram que o Papa era o Anticristo. Até mesmo o famoso cientista Isaac Newton (considerado o pai da física moderna) que também era teólogo, interpretou dessa forma. No período de Adolf Hitler, as pessoas que viveram aqueles momentos, viam com certeza absoluta que estavam diante da Besta do Apocalipse. Sabemos que vários anticristos surgiram no decorrer da história que foram contra o Evangelho de Jesus e perseguiram e mataram os santos. O apóstolo João diz: “como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos” (1 Jo2:18).

Até os dias de hoje, a cada mudança Papa ou a cada mudança de Presidente Norte Americano, reacende as tentativas de alguns intérpretes encaixarem os versos de Apocalipse 17 com o momento em que se está vivendo. Ainda aparecerá o último anticristo, que o Senhor Jesus destruirá com o sopro de sua boca (2 Ts 2:8).

Estudos em Apocalipse - Aula 28



Texto para leitura: Apocalipse capítulo 16

No capítulo 15 vimos uma introdução às setes taças da ira de Deus. Vimos também os vitoriosos que venceram a Besta e a sua imagem e não puseram a sua marca de identificação. Entendemos que os verdadeiros cristãos não se submeterão ao governo do Anticristo. Os servos de Deus serão duramente perseguidos e, mesmo diante da morte, não se entregarão. Eles entoarão louvores a Deus no céu. Serão martirizados pela Besta e pelo falso profeta, mas receberão a vitória do Senhor. Os fieis sofrerão por não participar do sistema comercial controlado pelo maligno.

A humanidade está dividida entre os selados de Deus e os selados da besta. Entre os seguidores do Cordeiro e os seguidores do dragão. Entre os que estão diante do trono e aqueles que serão atormentados eternamente.

Neste capítulo 16 encontraremos os detalhes de cada uma das sete taças. Essas setes taças completam a ira de Deus. Muitos pensam assim: “Como Deus pode ter ira? Ele não é amor e misericórdia?”. Nossa compreensão, supostamente tão profunda, da mensagem de amor do Evangelho nos torna superiores diante da ideia do juízo. Presumimos que de forma alguma nos acontecerá algo realmente terrível. O ser humano tem a tendência de querer sempre se justificar. Mas, Deus é um juiz justo. Ele não punirá ninguém erradamente, tenha certeza disso. Repetidas vezes encontramos nas Escrituras a frase “Justo és Senhor, verdadeiros e justos são os teus juízos”. Deus não deixará impune a injustiça dos homens. Aquele que se arrepender de seus pecados receberá misericórdia. Veremos a seguir, que muitos homens, mesmo diante da tribulação, não se arrependerão dos seus pecados e não glorificarão a Deus.

Vejamos uma comparação entre as Trombetas (estudadas no capítulo 8)  e as Taças:

As Trombetas
As Taças
1ª – Terça parte da terra (8:7)
1ª – Adoradores da besta na terra (16:1-2)
2ª – Terça parte do mar se torna em sangue (8:8-9)
2ª – O mar se torna em sangue (16:3)
3ª – Terça parte dos rios e das fontes se torna amargosa (8:10-11)
3ª Os rios e as fontes se tornam em sangue (16:4-7)
4ª – Terça parte do sol, da lua e das estrelas escurece (8:12)
4ª – O sol queima os homens com fogo (16:8-9)
5ª – O rei dos gafanhotos traz escuridão e tormento aos homens ímpios (9:1-11)
5ª – O reino da besta se torna em trevas; os homens ímpios sofrem dor (16:10-11)
6ª – Os anjos atados junto ao Eufrates soltam o exército (9:13-19)
6ª – O Eufrates seca para preparar o caminho dos reis para a peleja (16:12-16)
7ª – Cumprir-se-á o mistério de Deus (10:7); Chegou a ira de Deus contra as nações para destruir os que destroem a terra; Relâmpagos, vozes, trovões, terremoto e grande saraivada (11:15-19)
7ª – Feito está! (16:17); Caíram as cidades das nações; Deus dá o cálice da sua ira; Relâmpagos, vozes, trovões e terremoto (16:18-19)

Algumas dessas pragas nos lembram das pragas que Deus enviou para castigar os egípcios quando Moisés foi libertar o povo de Israel. Enquanto as trombetas eram alertas de Deus ao mundo ímpio, as taças falam da cólera consumada de Deus. É um princípio constantemente repetido e enfatizado nas Escrituras, que Deus sempre adverte antes de finalmente punir (dilúvio, Sodoma, Egito, Jerusalém, juízo final).

Enquanto as trombetas causaram tribulações parciais, objetivando trazer ao arrependimento os impenitentes, as taças mostram que a oportunidade de arrependimento estava esgotada. As trombetas atingiram apenas um terço da natureza e dos homens, as taças trazem uma destruição completa.

A primeira taça (16:1-2). Esse primeiro flagelo não é mais advertência, mas punição. Todos aqueles que não têm selo de Deus, são selados pela besta. Não há meio termo. Quem não é por Cristo, é contra ele. Não há neutralidade em relação a Deus. No tempo do fim a religião não será mais algo nominal: todo mundo terá de declarar lealdade ou a Cristo ou ao Anticristo.

A segunda taça (16:3). O mar é atacado. Os seres que vivem no mar são mortos. Isso causa consequências terríveis para a subsistência do homem. Alguns comentaristas que não seguem a linha literal consideram aqui uma simbologia da sociedade mundana e nações rebeldes, e não um ataque à natureza. Porém, como na primeira praga no Egito, que foi literal, causou a morte dos peixes (Ex 7:1-25), este flagelo causa a morte dos seres viventes no mar.

A Terceira taça (16:4-7). Os rios são atacados. O problema para o sustento humano fica cada vez pior. Sem água potável é quase impossível de sobreviver. As consequências são devastadoras.  Aqui o texto diz que o Senhor está retribuindo o sangue dos santos e profetas que foi derramado pelo inimigo. Observemos no texto que o Anjo das águas adora ao Senhor e afirma: “Justo és tu, ó Senhor, que és, e que eras, e hás de ser, porque julgastes estas coisas”(v.5). E outro ser do altar diz: “Na verdade, ó Senhor Deus Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos” (v.7).
A quarta taça (16:8-9). O sol é atacado. Os homens começam a sofrer intenso calor. Atualmente já estamos sofrendo com o efeito estufa. Em alguns países, anualmente, pessoas morrem de calor. Estamos vendo algo literal acontecendo com o nosso planeta. É por isso que cremos na literalidade do texto bíblico. Seguimos esse método interpretativo porque nos baseamos nos acontecimentos do passado e profecias que foram cumpridas literalmente. Muitos escribas e fariseus alegorizaram as Escrituras e não reconheceram quando o Senhor apareceu e as cumpriu literalmente.

O castigo vem por causa da injustiça dos homens, mas os ímpios ainda ousam levantar as suas vozes contra o Senhor (v.9). O sofrimento entrou no mundo por causa do pecado do homem, mas muitos usam a dor como motivo de questionar a justiça e negar a bondade de Deus. Alguns até rejeitam a existência de Deus por causa da injustiça do homem!

Em vez de buscar perdão e clemência, os homens blasfemam o nome do Senhor. E nem se arrependeram para lhe darem glória. Da mesma maneira que Faraó endureceu seu coração depois das pragas no Egito (Êxodo 7:22; 8:15,19,32; 9:7,12,34-35; 10:1,20,27; 13:15), este povo recusa a se arrepender. Não aceitaram o castigo como disciplina (3:19; Hebreus 12:5-6), e sim como motivo para rejeitar o Senhor. Quando pessoas hoje usam o sofrimento como motivo para negar a existência de Deus, cometem o mesmo erro fatal. Independente da fonte do sofrimento, devemos usá-lo para nos aproximar de Deus (Tiago 1:2-4; 2 Coríntios 12:7-10).

A quinta taça (16:10-11). O trono do Anticristo é atacado. O reinado do Anticristo começa a decair. O sofrimento invade seus seguidores com dores intensas. E por causa dessas dores eles blasfemam contra Deus e não se arrependem. Os homens não são santificados por meio do sofrimento, ao contrário, se fazem ainda mais iníquos e blasfemam contra Deus.

A sexta taça (16:12). O grande rio Eufrates é atacado. Sua água secou-se, dando abertura para os reis do oriente. Entendemos que esse verso profetiza sobre a preparação para a batalha que virá a seguir.

Deus fez secar o mar Vermelho. Fez secar também o rio Jordão em tempo de enchente (Josué 3). Vai fazer secar ainda o Eufrates, o grande rio de 2.780 km de comprimento, de 3 a 10 metros de profundidade e de 200 a 400 metros de largura. Esse rio se situa entre três países: Síria, Turquia e Iraque. São países de cultura islâmica e inimigos de Israel.

Os versos 13 e 14 nos informam sobre a tríade do mal: o dragão, a besta e o falso profeta no seu esforço de seduzir e ajuntar os reis da terra contra o Senhor. Quando Satanás e o mundo se armarem na sua luta mais terrível contra a igreja, Cristo aparecerá para livrar o seu povo e triunfar sobre os seus inimigos. Esses espíritos imundos representam ideias, planos, projetos, métodos satânicos introduzidos dentro da esfera do pensamento e ação. Essa batalha das nações contra Cristo e sua igreja e de inspiração satânica.

O verso 15 faz um parêntese para lembrarmos da vigilância e da fidelidade dos santos. Antes de deixar João continuar o relato do trabalho dos espíritos imundos, Jesus interrompe com uma mensagem de exortação aos fiéis: Eis que venho como vem o ladrão. A figura do ladrão é utilizada na Bíblia para enfatizar o julgamento repentino e a falta de preparo das pessoas julgadas. Representa as consequências naturais do pecado e da negligência nesta vida, como também a vinda do Senhor para julgar (Lucas 12:35-40; Mateus 24:42-43; 1 Tessalonicenses 5:2-4; 2 Pedro 3:10; Apocalipse 3:3). A ênfase está na preparação para a chegada do Senhor.

O verso 16 nos fala do Armagedom, que significa “montanha de Megido”: lugar de muitas batalhas decisivas em Israel. Armagedom é um símbolo, mais do que um lugar. Fala da batalha final, da vitória final, quando Cristo virá em glória e triunfará sobre todos os seus inimigos.

A sétima taça (16:17-21). O ar é atacado. Uma voz ressoa do templo do céu dizendo: “ESTÁ FEITO!”. Deus completa sua justiça. Um terremoto de grandes proporções acontece que abala todas as cidades de todas as nações (v.19). A terra se move completamente (v.20). No livro do Profeta Isaías está escrito sobre o dia da ira do Senhor (Isaias 13:9-13):
9  Eis que vem o Dia do SENHOR, dia cruel, com ira e ardente furor, para converter a terra em assolação e dela destruir os pecadores.
10  Porque as estrelas e constelações dos céus não darão a sua luz; o sol, logo ao nascer, se escurecerá, e a lua não fará resplandecer a sua luz.
11  Castigarei o mundo por causa da sua maldade e os perversos, por causa da sua iniquidade; farei cessar a arrogância dos atrevidos e abaterei a soberba dos violentos.
12  Farei que os homens sejam mais escassos do que o ouro puro, mais raros do que o ouro de Ofir.
13  Portanto, farei estremecer os céus; e a terra será sacudida do seu lugar, por causa da ira do SENHOR dos Exércitos e por causa do dia do seu ardente furor.

A ira se completará com uma chuva de pedras de 40 quilos cada, que equivale a medida antiga de um talento (v.21).

A vitória de Cristo é completa, final e esmagadora. O trono do dragão, o reinado da besta parecem invencíveis. Mas os reinos deste mundo cairão, os inimigos serão vencidos. A igreja triunfará. Cristo virá em glória e a história fechará suas cortinas. O fim terá chegado!