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terça-feira, 20 de agosto de 2013

Estudos em Apocalipse - Aula 29



Aula 29


Texto para leitura: Apocalipse capítulo 17


O capítulo 17 é um dos capítulos mais estudados e discutidos do livro de Apocalipse. Neste capítulo aparecem as figuras da Besta e da Mulher “A Grande Prostituta”. Inúmeras interpretações foram dadas a respeito desses elementos. Cada intérprete segue uma linha de raciocínio tentando ajustar as passagens bíblicas com acontecimentos do passado, do presente ou do futuro. Todas essas interpretações têm seu fundo verdadeiro, mas como se trata de profecias bíblicas, algumas podem já ter acontecido e outras ainda por acontecer.

Nessa seção uma forte ênfase é dada à Grande Prostituta, também chamada de Grande Babilônia, pois veremos que se trata de uma cidade espiritualmente equivalente e contrária à Jerusalém Celestial.

O que significa Babilônia? Babilônia foi uma grande cidade do mundo antigo, capital do império babilônico, situada nas proximidades do atual Iraque. Foi nessa cidade que vários reinos antigos se estabeleceram e dominaram os Israelitas. A cultura da Babilônia, com suas festas idólatras e práticas sexuais se estenderam por várias culturas e nações, influenciando negativamente o povo de Israel. Por essa razão, Babilônia é citada como uma referência a práticas repugnantes, à soberba e à prostituição, tanto física como espiritual.

No livro do Apocalipse, Babilônia é uma figura do império romano e da cidade de Roma, que dominava na época dos apóstolos. A Roma da época de João (cidade, império, civilização, adoração ao imperador) foi a incorporação atualizada da Babilônia. Porém a Babilônia é mais do que a Roma histórica. Ela mostra antecipadamente o sistema eclesiástico apóstata do final dos tempos, assim como o poder político do Anticristo. Ela é um reino demoníaco, a habitação de demônios e o abrigo de todo espírito imundo (Ap 18.2). Esta Babilônia é claramente considerada a sucessora do reino pagão denunciado nos livros proféticos do Antigo Testamento.

A queda da grande prostituta já foi anunciada em Apocalipse 14:8, e ela recebeu o cálice da ira de Deus quando a sétima taça foi derramada (16:19). Agora um dos anjos que derramaram as taças mostra mais detalhes para João.

Nos versos 1 e 2 o anjo diz a João que irá mostrar a condenação da grande prostituta. Essa prostituta está sentada sobre muitas águas. Essas águas são povos, multidões, nações e línguas, conforme a própria explicação desse símbolo no verso 15 do presente capítulo. Como já encontramos em outras passagens do livro de apocalipse, o próprio texto se explica, ou seja, já trazem o significado correto de determinados símbolos, que nos ajudam a entender esse livro difícil. Outros, porém, são alvos de inúmeras especulações e precisamos ter equilíbrio.

Também é dito que os reis da terra se prostituíram com ela. A prostituição entre nações é uma figura que sugere alianças. Isso significa a corrupção que os líderes do mundo têm com a falsa religião. Em todas as épocas, há sempre o apoio religioso corrupto aos líderes que comandam as nações.  

No verso 3, “uma mulher assentada sobre uma besta” simbolizam dois poderes: o religioso e o político. O fato de ela está “assentada sobre a besta” indica que a grande prostituta reina e domina religiosamente sobre todas as nações, assim como a besta domina as nações politicamente. Isso também revela sua influência, e ao menos aparentemente, o controle sobre a Besta. Por sua vez, a mulher é sustentada pela Besta.

No verso 4, a mulher está vestida de Púrpura e Escarlata (vermelho) que são tecidos coloridos, os mais luxuosos da época (v.3-4). Representam pompa, realeza e luxo. Está adornada de ouro e pedras preciosas e pérolas. Ela segura em sua mão um cálice de ouro. A religião prostituída faz ostentação da sua riqueza e do seu luxo. Esse quadro é uma descrição perfeita do mundo a parte de Cristo, gabando-se de sua riqueza, de sua alimentação, de seus banquetes, de seus carros, de seu equipamento, de seu vestuário e de toda a sua beleza e gloria. A meretriz é atraente e repulsiva ao mesmo tempo. Debaixo de suas vestes de púrpura esconde suas abominações repulsivas.

No verso 5 diz: “Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”. A grande Babilônia representa o mundo como o centro de sedução anticristã em qualquer momento da historia. Essa meretriz é personificada como a cidade de Roma na época de João (Ap 17:18). A cidade imperial, conhecida como a “cidade das sete colinas” (v.9), atraia com seus prazeres os reis das nações. Roma era uma cidade louca pelos prazeres. No fim, a besta vai se voltar contra essa própria igreja apostata para destruí-la, visto que desejara ser adorada como se fosse Deus (v. 16). A besta é o movimento perseguidor anticristão durante toda a história, personificado em sucessivos impérios mundiais. A besta é passada, presente e futura.

A meretriz que vive no luxo tem duas armas: sedução e perseguição. Ele seduz, mas também mata. Ela atrai, mas também destrói. Ela esta embriagada não de vinho, mas do sangue dos santos e dos mártires (v.6). Não podemos fazer distinção entre o sangue dos santos e o sangue dos mártires. Eles são santos porque pertencem a Deus; são mártires porque morreram por ele.

A meretriz sempre quis destruir a Noiva do Cordeiro. Ela tem perseguido e matado muitos crentes ao longo da historia. Essa meretriz era Roma nos dias de João (Ap 17:18). Os santos eram despedaçados em seus circos para a diversão e passatempo do público. Depois vieram as fogueiras inquisitoriais e os massacres dos governos totalitários. Cerca de 150.000 pessoas morreram pelas mãos da inquisição somente em trinta anos. Desde o princípio da Ordem dos Jesuítas em 1540, supõe-se que 900.000 pessoas pereceram sob a crueldade papal.

Sobre os versos de 7 a 13 há muitas interpretações sobre o significado da Besta que possui sete cabeças e dez chifres. Alguns estudiosos acreditam que isso se encaixa muito bem com o período dos imperadores e do momento em que João vivia aqueles acontecimentos. Porém, encontramos na literatura apocalíptica diferentes encaixes dependendo da ordem em que se começa a considerar esses imperadores.

É interessante notar que também outros estudiosos acreditam que essa ordem de cabeças e chifres se refere aos papas. Na história papal alguns tiveram períodos curtos de reinado e até mesmo alguns morreram antes mesmo de tomar posse. Na reforma protestante Martinho Lutero, Calvino e outros reformadores interpretaram que o Papa era o Anticristo. Até mesmo o famoso cientista Isaac Newton (considerado o pai da física moderna) que também era teólogo, interpretou dessa forma. No período de Adolf Hitler, as pessoas que viveram aqueles momentos, viam com certeza absoluta que estavam diante da Besta do Apocalipse. Sabemos que vários anticristos surgiram no decorrer da história que foram contra o Evangelho de Jesus e perseguiram e mataram os santos. O apóstolo João diz: “como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos” (1 Jo2:18).

Até os dias de hoje, a cada mudança Papa ou a cada mudança de Presidente Norte Americano, reacende as tentativas de alguns intérpretes encaixarem os versos de Apocalipse 17 com o momento em que se está vivendo. Ainda aparecerá o último anticristo, que o Senhor Jesus destruirá com o sopro de sua boca (2 Ts 2:8).