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segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Mal uso do Antigo Testamento na Pregação


Vê-se hoje uma pregação maciça no Antigo Testamento. Isto não é ruim em si mesmo. O ruim é que se vê muita pregação para os cristãos como sendo analisada pelo Antigo. Está havendo uma supremacia do Antigo sobre o Novo não apenas em quantidade, mas como critério de interpretação. O Antigo tem interpretado o Novo e seus pressupostos teológicos têm sido empurrados para a Igreja, a comunidade do Novo. A Igreja precisa conhecer o Antigo Testamento, mas não precisa obedecê-lo.

A questão fundamental é a visão que se tem da Bíblia. Todos os grupos evangélicos a declaram como Palavra de Deus. Nenhum deles a nega. Mas tendo dito isto, muitos se afastam de uma hermenêutica sadia e começam a interpretá-la à luz de escritos institucionais ou de opiniões de seus fundadores ou, ainda, de seus comitês doutrinários. A questão não é a Bíblia, mas a forma como se vê a Bíblia. Não é o discurso sobre, mas o uso dela.

O Antigo Testamento é inspirado como Palavra de Deus, mas não pode ser palavra absoluta. Suas verdades são penúltimas, não últimas. Sua inspiração é absoluta, mas sua aplicação à nossa vida é relativa. A maneira correta de se pregar no Antigo Testamento passa, primeiramente, pelo conceito de revelação progressiva. Mas muitos pregadores se esqueceram disto.  Revelação progressiva significa sair do incompleto para o completo. Sair da sombra para a realidade. O Antigo Testamento era a sombra. A realidade é Cristo, o Novo Testamento. Aqui está, em outras palavras, a essência da revelação progressiva. Jesus Cristo é o fio de prumo para a interpretação. Jesus é o padrão para interpretar a Bíblia.

Aonde vamos com esta argumentação? A este ponto: a autoridade final da Bíblia é o Novo Testamento e, mais especificamente, a pessoa de Jesus. A pessoa de Jesus, é o eixo hermenêutico de toda a Bíblia. Podemos usar o Antigo Testamento o quanto quisermos, mas o cânon chamado Jesus é o padrão hermenêutico para interpretá-lo. Pregação que não sirva para ensinar sobre Jesus deixou de cumprir sua missão.

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho (in memoriam)