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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Diferenças entre Ética e Moral

ÉTICA
MORAL
      É o princípio
      É a conduta
      É permanente
      É temporal
      É universal
      É cultural
      É regra de vida
      É conduta da regra
      É teoria
      É prática
      É uma opção
      É imposta
      Ela questiona valores morais
      Ela traz consequências óbvias e punitivas
      É baseada no bem viver
      É seguida cegamente
      Busca virtudes como amor, misericórdia, compaixão
      Sugere rigidez às regras sociais
      Se desenvolve na vida
      É legalista
      É o caminho da liberdade em questionar as regras
      Se fundamenta na obediência a regras, leis e tabus, hierárquicos ou religiosos
      cada qual tem e vive de acordo com a sua
      torna possível que as diversas éticas convivam entre si sem se violarem ou se sobreporem umas às outras
      tem a ver com o "bom"
      tem a ver com o "justo"
      conjunto de valores que apontam qual é a vida boa na concepção de um indivíduo ou de uma comunidade
      é o conjunto de regras que fixam condições equitativas de convivência com respeito e liberdade
      estão as noções de felicidade, de caráter e de virtudes
      estão as noções de justiça, ação, intenção, responsabilidade, respeito, limites, dever e punição
      Tem a ver com as decisões de qual propósito dá sentido à minha vida, que tipo de pessoa eu sou e quero vir a ser e qual a melhor maneira de confrontar situações de medo, de escassez, de solidão, de arrependimento etc.
      tem tudo a ver com a questão do exercício do direito de um até os limites que não violem os direitos do outro.
      Sem ética, a convivência é infeliz e lamentável
      Sem moral, a convivência é impossível
      ética é uma teoria da vida boa para mim
      moral é uma teoria da convivência justa com os outros
      quem age eticamente (sendo generoso, corajoso, perseverante etc.) faz o máximo e tem mérito, mas quem não age eticamente apenas faz menos que o máximo e deixa de ter mérito, mas sem ter culpa (por isso não pode ser punido, mas, no máximo, lamentado).
      quem age moralmente (por exemplo, não mentindo, não roubando, não matando etc.) faz o mínimo e não tem mérito, mas quem não age moralmente deixa de fazer o mínimo e tem culpa (por isso pode ser punido)

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Não confunda Evangelho com Cristianismo



Meu amigo,

        O Cristianismo é uma religião como qualquer outra, e, do ponto de vista do resultado histórico e existencial, o Cristianismo é tudo, menos a melhor religião. Como religião, acho que ela é um passo além do Judaísmo e do Islamismo. É melhor que o Judaísmo porque é mais aberto, e não é uma religião cultural e étnica. É melhor que o Islamismo porque o Islã conseguiu ser mais exagerado e fanático do que o Cristianismo, se bem que muitas práticas morais do Islã receberam influência direta do Judaísmo e do Cristianismo. Mas o Islamismo conseguiu ficar pior, em muitos aspectos.  Religião por religião, existem algumas com lógicas bem melhores do que o esquema moral e exterior das práticas religiosas cristãs. Algumas possuem uma forte e essencial mensagem de amor ao próximo, porém com resultados mais proveitosos para a alma do que os obtidos pelo Cristianismo, visto que as morais e leis cristãs acabaram por matar a força do amor entre os cristãos.
        A questão é que não creio em Religião, por isso, também não creio no Cristianismo. Religião é sistema humano, disciplina humana, moral humana, sacrifícios humanos, e desespero humano para agradar a Deus. Religião é o homem tentando se religar a Deus, por seus próprios meios e justiças próprias, e mediante um sistema de doutrinas ou exercícios espirituais, os quais, supostamente, fazem o homem chegar a Deus. Ora, eu jamais creria em tal coisa, pois, não creio que haja meios do finito abraçar o infinito, e nem que haja modos do cego ver a Luz por esforço próprio.
        O Evangelho não é religião. Mas o Cristianismo é religião. Nele temos todas as formalidades das religiões, temos uma teologia moral, temos um corpo de doutrinas de forte influência grega, e um sistema de governo inspirado pelos romanos, sem falar que a missa cristã é a repetição do sacrifício de Cristo, o qual é assim praticado para que a população pobre e simples fique sempre em permanente dependência do Cristianismo.
        No Cristianismo Protestante e Evangélico, no início, se tentou resgatar a fé simples e original. No entanto, menos de 60 anos depois, tudo já era como “dantes do Quartel de Abrantes”.
        Assim, os ritos, as formas, as imagens de santos, as heresias gritantes, e a convergência do poder de Deus e da representação de Deus antes feita pelo Papa, foram substituídos por outras coisas.
        Ora, no Protestantismo se diz que os pilares da Fé são: As Escrituras, Cristo, a Fé e a Graça. Mas isso é só doutrina. Na prática, o que vale é outra coisa: as Escrituras são maiores do que Cristo, a qual já não basta conforme a manifestação de Deus em Jesus, sendo necessário que a isso se junte um corpo de doutrinas morais tiradas das Escrituras, não importando se caíram ou não em obsolescência de acordo com o que diz o Novo Testamento (em Hebreus, por exemplo).
        Cristo, no Protestantismo prático e histórico, acabou por ser feito o Salvador da Chegada. Depois, todavia, que o indivíduo O confessa diante da “igreja”; daí para frente, tudo o mais depende da relação da pessoa com a “igreja”; e, sobretudo, se ela é capaz de manter a salvação por obras próprias. Ou seja: Cristo salva de Graça na chegada; mas a “igreja” assumiu a franquia do pedágio. A Fé, também no Protestantismo, se tornou um corpo de doutrinas, e não mais a coisa simples e singela, ante a qual Jesus dizia aos pagãos de todos os tipos: “A tua fé te salvou!”.
        E a Graça nada mais é do que a doutrina que justifica a razão pela qual Deus pôde se relacionar com os homens sem transgressão de Sua parte. No entanto, na prática, isso só existe na chegada também. Quando o indivíduo crê, diz-se que ele recebeu Graça. Porém, daí em diante, nada mais tem a ver com a Graça, mas sim com a justiça própria de cada um, a qual pode se manifestar como santidade moral, como legalismo de exterioridades, como participação assídua nas reuniões, como contribuição financeira feita como “pagamento do dízimo”, e como esforço de conformação à cultura evangélica, a qual, no curso dos anos, também, na prática, se tornou meio de salvação.
        Assim, meu amigo, não fosse o Evangelho, saiba, com minha mente e meu sentir, provavelmente eu não me tornasse nada se eu não tivesse tido a chance graciosa de conhecer Jesus; o que não tem necessariamente nada a ver com o “Cristianismo”.
        Jesus não fundou o Cristianismo. Constantino o fez. E a fé em Jesus nada tem a ver com as invenções feitas pelo Cristianismo. Ora, se você quiser saber se o que digo é verdade ou não, apenas leia os evangelhos e veja se você encontra no Cristianismo os sinais daquela leveza, singeleza, graça, amor, misericórdia, poder de curar; e aquela vontade compassiva e inclusiva que você vê em Jesus em todos os Seus gestos e movimentos.
        Assim, meu amigo, você precisa esquecer o Cristianismo a fim de encontrar o Evangelho!
        Com relação às religiões dos povos, e também quanto ao que acontece a cada indivíduo que não ouviu nada acerca de Jesus, saiba: a “igreja” diz que estão todos perdidos. No entanto, isso é a “igreja” quem diz. Jesus apenas disse que muitos publicanos, pecadores e meretrizes precederiam os mais rigorosos filhos da mais estrita e legalista religião da terra o judaísmo dos dias de Jesus —; e também disse que muitos haveriam de vir dos quatro quantos da terra a fim de assentar-se com Abraão, Isaque e Jacó na mesa da Festa do Reino, enquanto muita gente com pedigree religioso ficaria de fora. Paulo diz em Romanos 15:21 que “Hão de vê-lo aqueles que não tinham ouvido falar dele, e o entenderão aqueles que não o haviam escutado”, afirmando, dessa forma, que Deus não está limitado pela “igreja”.
        A pressuposição do Cristianismo é que Deus é um ser que haveria de danar eternamente quem nunca ouviu a informação do Evangelho, o qual é “propriedade” da “igreja”. Desse modo, se a “igreja” não tiver a boa vontade de ir contar aos povos o que Deus fez em Cristo, todos estão perdidos. É como se Deus tivesse deixado com a “igreja” a incumbência de salvar os homens. Nesse caso, Cristo teria morrido pelos homens, mas em vão terá sido a sua morte salvadora se os crentes não tiverem o bom humor e a vontade de irem contar isso a quem não sabe.
        Assim, a mentalidade da “igreja” é, em geral, que Deus haverá de danar a quem nada soube, e que haverá de condenar os homens apenas porque a “igreja” não levou a informação salvadora. Ora, isto é perversidade dupla: em relação à concepção de Deus; e em relação ao poder malévolo que a “igreja” possuiria; pois, nesse caso, Deus teria entregado a humanidade ao capricho da religião. Sinceramente, para mim, quem inventou isto foi o Diabo!
        Paulo diz em Romanos 2:12-16 que quem nada soube de coisa alguma, haverá de ser julgado pelo que recebeu, não pelo que não recebeu. O fato é que Jesus é Sumo Sacerdote segundo uma Ordem sacerdotal não religiosa, e que não se prende a nenhuma genealogia sacerdotal, cultural, étnica, moral, ou religiosa. Além disso, João diz que Ele é a Luz que vinda ao mundo ilumina a todo homem. Portanto, eu digo: Ele é um Deus que fala de si mesmo, e que não se deixou prender ao capricho perverso da boca de homem algum. “Por toda a terra se faz ouvir a Sua voz, e as Suas palavras até os confins da terra” — e isto com ou sem testemunho de homens; isto se a utilização que Paulo faz do salmo 19 (onde tais palavras estão escritas), em Romanos 10, for coerente com o que o salmo anuncia; ou seja: que há um testemunho de Deus no mundo, na natureza, na vida, nos sonhos, nas noites, nos dias, nos acontecimentos da existência, etc. — e que carrega a voz de Deus até ao coração dos homens.
        Portanto, meu amigo, a questão nada tem a ver com o Cristianismo e com as religiões dos povos. E mais: Deus é amor, e Seu amor é justo e gracioso. Por isso, não precisa se preocupar com o que está acontecendo entre Ele e os humanos. A você, todavia, que ouviu o Evangelho, cabe abraçar essa dádiva como imensa Graça, e, assim, usufruí-la, e, quem sabe, fique tão cheio dela e do amor de Deus, que você mesmo descubra que quem prega a Boa Nova o faz porque deseja que todos os homens conheçam a libertação do medo da morte, da tirania dos espíritos, do controle dos homens, do poder manipulador do curso deste mundo, e da influência maligna que alcança com entendimentos falsos as mentes da maioria dos seres humanos. Incluindo os do Cristianismo, os quais, também precisam do Evangelho tanto quanto os Budistas, os Taoístas, os Mulçumanos e os Judeus. E assim digo apenas porque todos pecaram, e, igualmente, carecem da Glória de Deus.
        Assim, meu amigo, deixe as religiões, e creia que Deus ama e cuida de todos os homens; e, assim, abrace o Evangelho, descanse na Graça, e caminhe pela Fé no que Jesus já fez e consumou em favor de todos os homens, reconciliando o mundo com Deus mediante a Sua Cruz.
        Por último, saiba: O Cordeiro de Deus foi imolado antes da fundação do mundo em favor de todos: os que souberam e os que não ficaram sabendo! Eu prego o Evangelho a todos os homens, pois desejo que todos encontrem a Boa Nova de uma existência reconciliada com Deus, sem medos ou pânicos, e sem a angústia diabólica do juízo.
        A você, Jesus diz: Vem!
        Receba meu carinho!
       Nele, em Quem ninguém será vítima de injustiça em nenhum lugar da Terra.

Texto extraído e adaptado.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Graça: ela é realmente maravilhosa!



        HÁ ASSASSINOS À SOLTA HOJE EM DIA. O problema é que você não pode dizer isso só de olhar. Eles não usam crachás de identificação, nem carregam sinais advertindo todos em manter distância. Pelo contrário, muitos deles carregam Bíblias e parecem ser pessoas de vida pura, com bela aparência e cumpridoras da lei. A maioria deles passa muito tempo nas igrejas, alguns em postos de liderança religiosa. Muitos são tão respeitados na comunidade que seus vizinhos jamais imaginariam que vivem ao lado de assassinos.
        Eles matam livremente, com espontaneidade e criatividade; matam tanto a alegria quanto a produtividade. Matam com suas palavras, sua caneta e seu olhar. Matam muito mais com sua atitude do que com seu comportamento. Dificilmente há uma igreja, uma organização cristã, uma escola cristã, um grupo missionário ou um ministério que faça uso da mídia onde tal perigo não esteja espreitando. A coisa mais impressionante é que todo dia, sem falhar, escapam da punição sem serem confrontados ou expostos. É estranho também que os mesmos ministros incapazes de suportar uma heresia por dez minutos ficam de lado e permitem que esses assassinos ocupem todo espaço que precisam para manobrar e manipular os outros da maneira mais insidiosa que se pode imaginar. A intolerância deles é tolerada. Seu espírito julgador não é julgado. Suas táticas de intimidação não são controladas. Sua atitude intolerante pode ser tanto justificada quanto rapidamente defendida. O fardo resultante seria um crime, caso não fosse tão sutil e não estivesse revestido de algo com aparência tão espiritualmente sadia.
        Hoje – neste exato momento – milhões de indivíduos que deveriam ser livres e produtivos estão vivendo com vergonha, medo e intimidação. A coisa trágica é que eles pensam que é assim que deve ser. Nunca conheceram a verdade que pode libertá-los. São vítimas, existindo como se vivessem no corredor da morte, em vez de desfrutar da beleza e do ar fresco da vida abundante que Cristo delineou e que permitiu que todos os seus seguidores desfrutassem. Infelizmente, a maioria não faz a menor ideia do que está perdendo.
        Se pudéssemos resumir esse pacote todo em uma palavra, ela seria graça. É ela que tem sido agredida de maneira tão contínua e violenta. Aqueles que não se sentem confortáveis em negá-la decidiram debatê-la. Assim como aconteceu nos dias da Reforma Protestante, a graça mais uma vez se tornou uma bola de futebol teológica que é chutada de um campo para outro à medida que teólogos e pregadores, acadêmicos e alunos discutem os termos, como se fossem treinadores frustrados, em campos opostos, tentando ganhar vantagem sobre o outro. É um clássico debate em que ninguém ganha. Ele trivializa a questão e faz que a torcida que assiste à briga nas arquibancadas fique confusa, polarizada ou, pior ainda, entediada. A graça foi concebida para ser recebida e vivida plenamente, não dissecada e analisada por aqueles que preferem discuti-la a desfrutá-la. Chega disso! A graça deve ser despertada e libertada, não negada... desfrutada e livremente concedida, não debatida.
        Graça recebida, mas não expressa é graça morta. Gastar o tempo de alguém debatendo de que maneira a graça é recebida ou quanto comprometimento é necessário para a salvação, sem abordar o que significa viver pela graça e sem desfrutar da magnífica liberdade que ela fornece, rapidamente leva a uma discussão contraproducente. Torna-se um pouco mais do que outra busca trivial e entediante na qual a maioria do povo de Deus passa dias olhando para trás e perguntando “como recebemos isso?” em vez de olhar para frente e anunciar “a graça é nossa... vamos vivê-la!”. Seja por negá-la, seja por debatê-la, nós a estaremos matando. Meu apelo é que clamemos por ela e deixemos que ela nos liberte. Quando o fizermos, a graça realizará seu propósito original: ser realmente maravilhosa! Quando isso acontecer, todo nosso semblante mudará.

Charles R. Swindoll.