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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Graça: ela é realmente maravilhosa!



        HÁ ASSASSINOS À SOLTA HOJE EM DIA. O problema é que você não pode dizer isso só de olhar. Eles não usam crachás de identificação, nem carregam sinais advertindo todos em manter distância. Pelo contrário, muitos deles carregam Bíblias e parecem ser pessoas de vida pura, com bela aparência e cumpridoras da lei. A maioria deles passa muito tempo nas igrejas, alguns em postos de liderança religiosa. Muitos são tão respeitados na comunidade que seus vizinhos jamais imaginariam que vivem ao lado de assassinos.
        Eles matam livremente, com espontaneidade e criatividade; matam tanto a alegria quanto a produtividade. Matam com suas palavras, sua caneta e seu olhar. Matam muito mais com sua atitude do que com seu comportamento. Dificilmente há uma igreja, uma organização cristã, uma escola cristã, um grupo missionário ou um ministério que faça uso da mídia onde tal perigo não esteja espreitando. A coisa mais impressionante é que todo dia, sem falhar, escapam da punição sem serem confrontados ou expostos. É estranho também que os mesmos ministros incapazes de suportar uma heresia por dez minutos ficam de lado e permitem que esses assassinos ocupem todo espaço que precisam para manobrar e manipular os outros da maneira mais insidiosa que se pode imaginar. A intolerância deles é tolerada. Seu espírito julgador não é julgado. Suas táticas de intimidação não são controladas. Sua atitude intolerante pode ser tanto justificada quanto rapidamente defendida. O fardo resultante seria um crime, caso não fosse tão sutil e não estivesse revestido de algo com aparência tão espiritualmente sadia.
        Hoje – neste exato momento – milhões de indivíduos que deveriam ser livres e produtivos estão vivendo com vergonha, medo e intimidação. A coisa trágica é que eles pensam que é assim que deve ser. Nunca conheceram a verdade que pode libertá-los. São vítimas, existindo como se vivessem no corredor da morte, em vez de desfrutar da beleza e do ar fresco da vida abundante que Cristo delineou e que permitiu que todos os seus seguidores desfrutassem. Infelizmente, a maioria não faz a menor ideia do que está perdendo.
        Se pudéssemos resumir esse pacote todo em uma palavra, ela seria graça. É ela que tem sido agredida de maneira tão contínua e violenta. Aqueles que não se sentem confortáveis em negá-la decidiram debatê-la. Assim como aconteceu nos dias da Reforma Protestante, a graça mais uma vez se tornou uma bola de futebol teológica que é chutada de um campo para outro à medida que teólogos e pregadores, acadêmicos e alunos discutem os termos, como se fossem treinadores frustrados, em campos opostos, tentando ganhar vantagem sobre o outro. É um clássico debate em que ninguém ganha. Ele trivializa a questão e faz que a torcida que assiste à briga nas arquibancadas fique confusa, polarizada ou, pior ainda, entediada. A graça foi concebida para ser recebida e vivida plenamente, não dissecada e analisada por aqueles que preferem discuti-la a desfrutá-la. Chega disso! A graça deve ser despertada e libertada, não negada... desfrutada e livremente concedida, não debatida.
        Graça recebida, mas não expressa é graça morta. Gastar o tempo de alguém debatendo de que maneira a graça é recebida ou quanto comprometimento é necessário para a salvação, sem abordar o que significa viver pela graça e sem desfrutar da magnífica liberdade que ela fornece, rapidamente leva a uma discussão contraproducente. Torna-se um pouco mais do que outra busca trivial e entediante na qual a maioria do povo de Deus passa dias olhando para trás e perguntando “como recebemos isso?” em vez de olhar para frente e anunciar “a graça é nossa... vamos vivê-la!”. Seja por negá-la, seja por debatê-la, nós a estaremos matando. Meu apelo é que clamemos por ela e deixemos que ela nos liberte. Quando o fizermos, a graça realizará seu propósito original: ser realmente maravilhosa! Quando isso acontecer, todo nosso semblante mudará.

Charles R. Swindoll.