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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

EU - um fariseu arrependido!


 
 
Gente amiga, quero falar do que aconteceu comigo no ano de 2010. Um testemunho, talvez... Um desabafo, talvez... Algo muito sério que mudou meu modo de enxergar as coisas e as pessoas.... Até aquele ano, eu era um fariseu, santarrão, radical, religioso, ortodoxo... e tudo nessa linha de pensamento... até que a Graça de Jesus me libertou dessa escravidão moralista, hipócrita.

Para resumir rapidamente meu caminho de fé, nasci num lar católico romano e vivi nessa linha até os quinze anos de idade. Logo depois da minha “primeira comunhão”, e, devido eu discordar de coisas dentro do catolicismo, decidi me tornar deísta-agnóstico. Essa situação deísta-agnóstica perdurou por quinze anos. Aos 30, devido a um pecado terrível em minha vida, busquei a Deus numa igreja protestante, pois sabia que meu problema só poderia ser resolvido por algo superior. Sabia que existia “um Deus” e que somente Ele poderia resolver coisas da carne e da alma. Realmente encontrei Jesus e as Escrituras. Me apaixonei. E pedi a Deus que me desse o dom de evangelista, para que eu pudesse divulgar tudo aquilo que estava descobrindo e amando... Algo como a parábola do homem que encontra um tesouro num campo e, transbordante de alegria, vende tudo para adquirir o campo (Mt 13:44). Porém, o protestantismo me tornou um ser religioso, fariseu, legalista, santarrão, batistão, separatista, ortodoxo, idólatra do livro, da denominação e do sistema religioso puritano... O problema é que a gente não se enxerga quando está dentro desse sistema... Só Deus mesmo para nos dar um choque de realidade... Gostaria que tivesse sido como foi com o apóstolo Paulo... impactante... que ficou cego por três dias após uma visão do Senhor... Penso que é melhor ficar cego por três dias do que a vida toda!!!  Não é verdade...?

Quando a gente entra num sistema religioso, seja ele qual for, a gente recebe um pacotão de regras e doutrinas que começamos a seguir e imitar sem se dar conta do clone que estamos nos tornando. Daí, tudo que seja diferente das normas e costumes daquele grupo passa então a ser considerado ímpio, mundano, diabólico... e aprendemos a rotular e prejulgar conforme esse sistema. Algo bem semelhante aos radicais islâmicos de hoje... apenas com uma roupagem mais equilibrada e educada, mas no íntimo, o coração continua julgador, preconceituoso e farisaico.... Coisas que Jesus combateu em sua época. Porém, a gente não enxerga que esse padrão religioso é semelhante ao dos escribas e fariseus do Novo Testamento. E o pior é que a gente acha que isso é certo!

Quando estamos com essa mente religiosa, não conseguimos enxergar a graça de Deus nos outros. Sempre enxergamos as outras pessoas com preconceito, pois comparamos e julgamos pela aparência, pelos títulos, pelos rótulos, pela falta ou não do nosso padrão religioso nos outros etc. Sequer temos a paciência para conhecer melhor a outra pessoa... seus traumas, sua história, suas lutas... Jesus disse: “não julgai pela aparência, mas pela reta justiça”.

A parábola do fariseu e publicano retrata bem esse perfil. O religioso confia em suas obras e na quantidade do que faz.... número de orações diárias e na fidelidade dos dízimos... Enquanto que olha para o lado e classifica o outro como “publicano” e diz em sua oração: “Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano” (Lc:18:11). Caramba! Que horrível!!!! Isso era eu! Observe que o fariseu dá graças a Deus em sua oração, mas isso é só teoria, no fundo ele confia em si mesmo e nos seus rituais religiosos!

Nos Evangelhos, Jesus diz que muitos virão do oriente e do ocidente e se assentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus, enquanto que muitos religiosos, que se consideram justos, santos e salvos ficarão de fora... O que encontramos na Bíblia é que Jesus não veio fundar religião. Pelo contrário, ele veio nos trazer um caminho de liberdade e paz. Ele veio derrubar as barreiras religiosas e abolir a Lei de Moisés que separava as pessoas, grupos e etnias. Confira em Efésios 2:14-16, Colossenses 2:14, Gálatas 3:25. Muita gente acha estranho quando eu digo que Jesus veio abolir a Lei de Moisés... mas é isso mesmo que está escrito... Nossa mente religiosa é que não nos deixa largar a Lei de Moisés e confiar só em Cristo... Alguns já correm e pegam sua bíblia para apontar o versículo de Mateus 5:17  que diz: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir”. Mas se esquecem de ler o restante do texto e enxergar “até que tudo se cumpra” ... e ligar o texto ao contexto do Novo Testamento quando Jesus grita na cruz: “Está cumprido!” ... assim como na carta aos Romanos, Gálatas, Hebreus...

A história se repete... a mente religiosa continua criando os barracos para dividir as pessoas... seja pelo batismo, pela ceia, por comidas, por bebidas, por dia sagrados, por hierarquias, poderes, vaidades, regras e doutrinas... Imagine o quanto foi difícil para uma pessoa do judaísmo abandonar sua religião e seguir a Cristo; vejo a mesma dificuldade de uma pessoa do cristianismo largar sua religião para segui-lo também... Não nos damos conta que a religião só mudou de nome, mas o perfil continua o mesmo... a necessidade de mudança continua a mesma... o orgulho religioso continua o mesmo... o ser humano continua o mesmo... os motivos são os mesmos... os pecados são os mesmos...

Eu concluo dizendo que foi muito bom eu ter me libertado desse padrão religioso... Vivo o Evangelho da Graça com liberdade e sem culpa. Hoje eu consigo olhar para um outro ser semelhante a mim, com seus problemas e dificuldades, e não condená-lo em meu coração, nem achar que ele é do "mundão". Enxergo-o com amor e compaixão... Não uso mais a Bíblia como se fosse o código penal ou uma metralhadora para atacar as pessoas... Hoje eu consigo sentar com minha mãe querida e passar a tarde toda conversando, falando do amor de Deus e explicando coisas que estão na Bíblia sem a neurose de querer convertê-la, nem achar que ela vai pro inferno por não se tornar uma “crente” da minha denominação... Também consigo conversar com um ateu, agnóstico, budista, ou de qualquer religião, sem a neurose de querer empurrar a bíblia de garganta abaixo... Vivo como o apóstolo Paulo disse em sua carta aos coríntios, como uma carta viva, escrita em nosso coração, conhecida e lida por todos os homens.

Hoje, muitos me questionam e me julgam do porquê eu “desviei” e fui me envolver com o Pr. Caio Fábio, tornando-me um herege como ele... Pois bem, agradeço a Deus por ter usado o Caio para me dizer e me fazer reconhecer que o fariseu das histórias do Novo Testamento era EU!

Um abraço

Lincoln Máximo Alves
Setembro/2015